C-Drama: Across the Ocean to See You (2017)

d4v6MQZ4_1d9203_c2x.jpgO próximo passo óbvio depois de começar a tentar desbravar Taiwan era dar um pulinho na “mainland” e conhecer alguma coisa sobre os dramas chineses. E que decisão acertada. Nesse finzinho de férias, com gripe e no frio, eu basicamente fui conquistada de vez pelos chinese dramas e fiz maratonas seguidas. (Hoje, inclusive, passei minha madrugada vendo outra série…).

Se você também está um pouquinho chateado com a previsibilidade dos dramas coreanos e preparado para entrar em novos territórios, acho que a primeira coisa que tenho que te aconselhar é que os chineses baseiam muitas de suas novelas em obras literárias e muitas obras literárias não têm finais felizes. T’aí o motivo porque nos forums de recomendação você vai ver muita gente pedindo spoilers antes de assistir para saber se a novela tem final feliz ou não, uma medida bastante recomendável se você não curte protagonistas que morrem no último capítulo ou casais que não terminam juntos por qualquer outro motivo. Outra coisa que notei é que a maior parte das pessoas parece considerar os dramas de fantasia como o ponto forte do país. Não é meu gênero favorito então ainda não dei chance, optando por dramas um pouquinho mais realistas. E é aqui que podemos finalmente começar a falar sobre “Across the Ocean to See You”.

De cara o que me atraiu no drama foi a sinopse em que temos uma reversão dos papeis habituais de homem e mulher na história. Tô bastante cansada da história do chaebol arrogante que agarra as meninas pelo punho e da menina pobre que cai por esse tipo de cara. Em “ATOTSY” temos uma história de amor que se desenvolve em parte no ambiente de trabalho e a protagonista feminina ocupa um posto superior ao do protagonista masculino. Su Mang (a belíssima Wang Li Kun) acaba de se divorciar do marido imprestável com quem vivia em Londres. Infelizmente, para tentar salvar o casamento, a sogrinha de Su Mang a empurrou a fazer uma inseminação artificial antes que o seu filhinho querido apresentasse os papeis, com a ideia de fingir que o bebê era do traste.

maxresdefault.jpgÉ assim que a mulher termina voltando para a China grávida e tentando reorganizar a vida. E é de admirar a força dessa mulher que tem uma paciência de Jó para lidar com os problemas que vão aparecendo ao se ver mãe solteira em um país mega conservador quanto ao assunto. Ela conhece Zheng Chu (Zhu Ya Wen) por meio de um acidente e só depois se depara com ele no ambiente de trabalho como seu subordinado e depois, para surpresa de ambos, como vizinho de prédio. Zheng Chu é o funcionário mais produtivo do setor de planejamento de roteiros de viagens (e o único que parece trabalhar, na verdade…) e logo se torna o braço direito de Su Mang. A relação ainda vai se estreitar mais quando Zheng Chu descobrir que a chefinha está grávida, quando ele toma para si o papel de “babá” do bebê mesmo antes de nascer, algo que faz tanto por seu caráter paternal quanto pela vontade de ficar perto de uma mulher tão fascinante e cheia de mistérios quanto Su Mang. Aliás, fica bem claro logo nas primeiras interações que Zheng Chu se apaixona rapidamente, mas Su Mang é mais dura na queda, principalmente por saber como é visualizada como mãe solteira e mulher empoderada pela sociedade chinesa.

maxresdefault (1)Há também os personagens secundários: o amigo de Zheng Chu chamado Tang Ming (Huang Denny), que fica dividido entre o amor de duas irmãs (uma boa e uma má, tipo Ruth e Raquel), e a irmã de Tang Ming, a insuportável Tang Guo Guo (Ye Julia) que comete atos completamente infantis e odiosos por todo o drama, baseado em sua quedinha por Zheng Chu, e todo mundo parece perdoar e passar a mão na cabeça. Nem vou perder mais tempo com essas histórias porque o desenvolvimento é tolo e pífio e eu assisti o drama foi pelo casal principal.

Fui avisada, então acho bom repassar o recado. O drama (ou melhor, a história dos protagonistas) anda muito bem e interessante até mais ou menos o capítulo 30 e depois disso vem loucura atrás de loucura do autor dessa história. Nos 30 primeiros capítulos admiramos essa mulher que parece ser uma amazona moderna: inteligente, forte, bonita e com o melhor guarda-roupa que já vi em um drama, e nos apaixonamos por Zheng Chu, basicamente o homem que eu queria como pai dos meus filhos (que homem perfeito, xesuis!). Depois disso é só ladeira abaixo, com os personagens fora de suas caixinhas (Su Mang age como se não tivesse a força que vimos que ela tem e Chu também não é muito melhor) e começam a entrar uns arcos bizarros de vício em compras, família se intrometendo, uma tia enxerida que muda de opinião a cada 5 minutos e quase vira a protagonista do drama e, pior de tudo, um autor paspalhão que toda hora se embanana com a linha temporal dos eventos (cada hora a Su Mang tem um período diferente de casamento, é hilário). Recomendo inclusive ver o drama pelo Viki só para contar com os comentários engraçadíssimos de gente que, como eu, também não estava entendendo mais nada. Minho nota final foi 8,0 em 10 para o drama exatamente porque descontei toda essa parte final de um drama que para mim teria sido 10 com louvor se o autor não tivesse gasto papel com essas invencionices.

P.S.: A música de abertura é muito bonita e eu quase sempre (44 episódios!) não pulei. Essa versão é cantada pelos atores protagonistas, olha que fofura.

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