Cinema: Akira (1988)

0051.jpgUtilizando esse tempo de férias (que, grazadeus, vai ser maior do que eu pensava) para colocar os filminhos todos em dia. E estou começando por alguns filmes que sempre quis assistir, mas por algum motivo, razão ou circunstância nunca tinha parado a bunda no sofá para as duas horinhas de película. “Akira” é um desses casos.

(Antes de tudo, que bom estar encontrando tantas animações na listinha do Desafio. Não esperava algo assim.)

MV5BYjM3MWYwNzMtNWRmMy00NGFkLWEwM2MtNjUyMDM1MmRmZmU5L2ltYWdlL2ltYWdlXkEyXkFqcGdeQXVyMzM4MjM0Nzg@._V1_.jpgA história se passa em 2019, com o Japão tendo sido escolhido para sediar os Jogos Olímpicos e havendo muitas obras para construção nesse sentido (baita coincidência, já que o Tóquio vai sediar as Olimpíadas de 2020…). Mas a capital do país é bem diferente da organização que pensamos quando ouvimos falar em Japão. Neo-Tóquio é uma cidade caótica e poluída, com protestos em cada esquina contra o governo e uma juventude perdida que acatou a gangues de motocicleta e brigas como um estilo de vida. E tudo isso aconteceu após um acidente em 1988 causado por esse tal de Akira, com a ocorrência da Terceira Guerra Mundial.

É nesse contexto louco, acizentado e de luzes vibrantes que conhecemos os dois amigos Kaneda e Tetsuo, que cresceram juntos em um abrigo para crianças. Kaneda é o líder de uma pequena gangue de motoqueiros e tem uma máquina adaptada de responsa (a que aparece no pôster do filme). Já Tetsuo inveja a motoca de Kaneda e acaba tendo que ser sempre salvo, algo que acaba gerando um forte ressentimento no rapaz. Em um dia fatídico muitos caminhos vão se cruzar e acabar alterando o rumo dessa amizade. Nesse dia, a gangue se envolve em uma confusão com outro grupo, ao mesmo tempo em que uma confusão ocorre em um dos protestos anti-governo e uma estranha criança de pele cinza e aparência envelhecida foge pelas ruas de Neo-Tóquio. É quando essa criança se encontra com os motoqueiros que vamos ter o começo do plot, com Tetsuo sendo levado por uma organização científica do governo para experimentos pouco ortodoxos. Enquanto isso, Kaneda ajuda a enigmática e bonita Kei a evitar confusões com a polícia porque está interessando em um tête-à-tête com ela e fica se perguntando onde está Tetsuo.

MV5BYjJhZTkwNTUtMTQ5YS00OTU1LTg3OWUtY2Y0ZDQ5ZjU4ZDc4XkEyXkFqcGdeQXVyNjUwNzk3NDc@._V1_.jpgTetsuo está comendo o pão que o cientista amassou, passando por alterações físicas e mentais que vão deixando-o cada vez mais pirado e poderoso, uma combinação sempre ruim de se ter. O cientista se empolgou com o tratamento por perceber no jovem um padrão de energia semelhante a do mítico Akira, o que leva à criação de um poder cada vez maior e mais incontrolável para Tetsuo. Quando Kaneda finalmente reencontra Kei e descobre a localização do amigo, já é tarde demais e Tetsuo aprendeu a usar seu poder destrutivo. Junte a isso o recalque que o moleque estava guardando há anos de ser o membro mais fraco da gangue e seu conhecimento de que há alguém ainda mais poderoso sendo mantido congelado nas profundezas de um estádio em construção e você vai ter o teatro armado.

Tetsuo entra numa nóia louca de despertar Akira, o ser mítico de luz e energia que tem o poder de criar universos, e acaba indo em sua direção, deixando um rastro de destruição e mortes pelo caminho. Em seu encalço vão Kei e Kaneda, além das três crianças com poderes super-naturais que eram guardadas nas instalações científicas. E temos aí um dos finais mais loucos graficamente e mais irreproduzíveis em live-action que você vai encontrar.

É preciso apreciar “Akira” também por sua quebra de paradigmas no mundo ocidental, que ainda estava muito acostumado a ver animações como coisa feita para criança e de plot simples. Mesmo hoje em dia, após sua popularização e quase 30 anos depois do lançamento, as sequências finais ainda impressionam. “Akira” não tem exatamente um plot tão complexo como pintam, mas há bastante sangue rolando e uma temática nada infantil. É espetacular também em sua trilha sonora que aparece nos momentos mais inesperados e se mistura à imagem com primor, tanto que fica um pouco difícil recordar quando ela toca sem se lembrar de alguma imagem dessa Tóquio de arranha-céus por toda a parte e esse clima de destruição.

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