Cinema: La Vie d’Adèle (2013)

0048.jpgHá muito tempo atrás (2014!) eu escrevi um post sobre o quadrinho de Julie Maroh “Le bleu est une couleur chaude”, conhecido por essas bandas como “Azul é a cor mais quente”, assim como o filme. Naquele post eu prometia assistir o filme logo para dar meu parecer sobre e ver se ele se mantinha fiel ao papel. Pois bem, com alguns anos de atraso, aqui está o post…

“La vie d’Adèle” não muda apenas o nome da protagonista da história de amor, como também muda muito do trajeto pelo qual essa personagem passa. Adèle (Adèle Exarchopoulos) é uma adolescente finalizando seus estudos quando a conhecemos, filha única de pais de classe média com quem não conversa e aos quais só parece ver na hora do jantar (que costuma ser macarronada). Na escola, vemos muitos trechos de suas aulas de literatura e as interações com as outras meninas (falando sobre rapazes e traçando quem vai ficar com quem) e com o amigo homossexual, que é quem a conduz aos bares quando a garota começa a se questionar sobre sua própria sexualidade após um encontro casual na rua com uma menina de cabelos azuis. É assim que Adèle reencontra também por acaso Emma (Léa Seydoux), por quem vai se apaixonar e com quem terá um longo relacionamento pelos anos finais de adolescência e o começo da idade adulta, quando Adèle decide por se tornar professora primária.

Em relação à história de Maroh, apenas os personagens estão ali, mas muito de suas essências foi modificado. Adèle é uma personagem bastante quieta, sempre com um ar meio desligado, com os olhos caídos e a boca levemente entreaberta (o que me dava uma gastura sem tamanho), que sofre bastante no terço final do filme, quando se afasta de Emma. Emma, por sua vez, é bastante parecida com sua parte quadrinhesca, com uma personalidade mais viva, mais presente nos lugares onde está e sempre rodeada de amigos do seu meio de arte. Léa é também, claramente, uma atriz melhor que Adèle, passando mais realidade através de seus olhares e nos inúmeros silêncios a que um filme francês sempre está condenado a ter.

Acho válido bater em alguns pontos que tinha levantado naquele post lá de 2014, então vamos a eles:
– Sobre a relação com a família conservadora de Adèle, nada apareceu em questão de conflito, o que é uma pena pois seria um toque importante a dar ao filme. Os dranceses tem uma fama de liberais, então ver essa parte conservadora, classe média, seria interessante para o filme, mas esse rumo foi cortejado porém não foi seguido na história.

– As cenas de sexo foram feitas para homens heterossexuais e não consigo dizer com mais clareza o que isso significa. Nada tem a ver com as passagens no quadrinho, aproveitando a nudez das mulheres em cenas desnecessariamente longas e com muitos closes, sem qualquer sentimento por trás do movimento simples. Escutei falar inclusive que a autora do quadrinho ficou bem puta com essa pegada pornô do filme.

– A ideia do quadrinho de trazer detalhes em azul é utilizada, mas com outra espécie de significado. Em quase todas as cenas você vai ver esses detalhes, no começo estando mais com Emma e depois com Adèle.

Uma observação final: as atrizes do filme quase nunca estavam maquiadas, para aparentar maior naturalidade. Isso não foi tão bom para a atriz principal, mas Léa tem uma pele invejável! Fiquei o filme inteiro batendo palmas para o dermatologista dessa mulher.

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