Livro: Amor Sem Fim (Ian McEwan)

0116.jpgNão falei que tava numa vibe de só contemporâneos? Então relaxa nessa cadeira que ainda tem mais posts sobre esses autores chegando por aí.

Como minhas duas experiências anteriores com o autor foram bem satisfatórias, resolvi continuar no embalo e pegar o terceiro livro de McEwan que aparecia na listagem do Desafio. Mas o três é o jinx, gente… Confesso que do que li até agora esse é o livro que menos gostei do autor (em primeiro lugar na ordem de preferência ainda está “Atonement”, caso você esteja se perguntando).

Joe Rose é nosso protagonista nessa história de suspense, que começa em um belo dia de sol em que Joe planeja um agradável pic-nic no parque com a esposa Clarissa. Tudo indo às mil maravilhas até o momento em que se escuta um grito de socorro. Quem grita é um avô desesperado que planejava um passeio de balão com o neto e vê seus planos destroçados por correntes de vento, no que parece preceder uma tragédia visto que o menino está no balão e o vovô está no chão tentando segurar as cordas… Os homens presentes na proximidade correm para acudir, só que o desfecho acaba sendo realmente uma tragédia. Joe é o primeiro a encontrar o corpo, seguido de Jed Parry, um dos outros homens que acudiu ao grito. A partir de então tudo vai mudar na vida de Joe, que se vê tendo que lidar com a morte que presenciou, a culpa por ter soltado a corda que poderia ter evitado a tragédia e, mais estranho de tudo, a obsessão que Jed desenvolve por sua pessoa.

Clarissa e Joe tinham um relacionamento morno e seguro, sem filhos (Clarissa ama crianças, mas não pode gerar uma), envolvido naquele conforto dos amantes eventuais e amigos constantes. Joe é tomado de vergonha pelo comportamento que Jed demonstra de paixão sem limites e à princípio esconde o que está acontecendo da esposa, um comportamento que, somado à desconfiança de Clarissa de que Joe enlouqueceu e que nada disso está acontecendo, acaba por afastar o casal. O protagonista ainda está sendo acometido durante o arco de história por uma de suas eventuais crises existenciais em que questiona se deve abandonar o trabalho de muitos anos de explicação das novidades da ciência para leigos (algo que faz muito bem e é responsável por sua vida de considerável conforto) e tentar realmente voltar ao campo da ciência e descobrir essas novidades por si mesmo.

Dessa vez posso dizer que o autor conseguiu me enganar porque eu estava com Clarissa o tempo todo, acreditando piamente que o protagonista tinha surtado em consequência do estresse da tragédia pela qual passou e estava enxergando obsessão onde nada havia. Confesso que estava gostando muito mais da minha história do que como o desfecho realmente se deu, com um final feliz que não era previsto dado o que se anunciava. Como disse à princípio, não é meu livro preferido do autor e chego a questionar por qual mérito ele deveria estar na lista de 1001 livros, dado que nada vi de tão especial em sua condução que já não tenha sido feito antes em outros thrillers.

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