Livro: Minha Querida Sputnik (Haruki Murakami)

0115.jpgOlha ela lendo finalmente seu primeiro Murakami!

Como disse dois posts atrás, tô numa época de contemporâneos. E foi assim que acabei me deparando com a quantidade imensa de livros do Murakami na lista do Desafio. Apesar de conhecer a fama do autor, devo confessar que nunca tinha me interessado pelos livros do japonês, cujos plots sempre me pareceram um tanto esnobes (isso existe? porque sempre achei.)

“Minha Querida Sputnik” é narrado em primeira pessoa por um personagem um tanto periférico à história principal. K é um professor primário, que durante a universidade de letras conheceu e se apaixonou por Sumire, sobre quem a história realmente vai girar. Sumire, apesar de ter começado a faculdade com grandes ambições não a concluiu, abandonando tudo pelo sonho de se tornar uma grande escritora, passando então a dedicar longas horas do dia a escrever sem método compulsivamente. A jovem é especialmente fã de Kerouac e se veste e porta de modo bem diferente dos seus pares. Sua vida não tem grandes emoções além da leitura e escrita compulsivas e ela também nada sabe sobre o amor de K, para quem frequentemente liga durante a madrugada para conversar sobre assuntos não tão urgentes. Enquanto Sumire é algo a parte na sociedade japonesa, o tipo de pessoa que parece que nunca vai se encaixar e se encontrar, K é uma figura que aprendeu a caminhar no padrão, que se adequou até com algum prazer ao molde que lhe foi dado, apesar de sua descrição de juventude ter sido muito semelhante a de Sumire.

É no casamento de um parente que Sumire conhece a pessoa que vai mudar sua vida totalmente. Miu, uma mulher refinada 17 anos mais velha que Sumire e coreana, acaba atraindo a atenção de Sumire com seu proceder sempre muito seguro de si. É ela quem nomeia o livro, ao confundir o nome do movimento beatnik com a nave russa durante essa primeira conversa que as duas têm na cerimônia. A ligação, para Sumire, não é apenas mental, mas também se refere em atração sexual, algo que nunca tinha acontecido com a jovem. A partir de então, Sumire faz de tudo para estar próxima de Miu e inclusive começa a a trabalhar na empresa de importação de vinho conduzida por Miu, o que acaba culminando em uma grande viagem que as duas realizam juntas pela a Europa, viagem essa que será descrita em cartas escritas por Sumire para seu amigo K.

Entretanto, tudo muda de figura quando ambas decidem estender a viagem passando um tempo em uma ilha grega afastada. K receberá uma ligação de Miu, pedindo que ele venha para a ilha e a ajude nas buscas por Sumire, que se encontra desaparecida desde uma madrugada em que eventos peculiares aconteceram entre as duas. K tem uma semana antes das aulas começarem e já no próximo dia parte para a Grécia, onde finalmente conhece a paixão de Sumire. Miu se mostra uma personagem fascinante ao mesmo tempo que um pouco intocável por todos os fatos que aconteceram. A situação particular do sumiço de Sumire (estava muito querendo escrever isso…), o único elo que liga K e Miu, torna as interações ainda mais estranhas entre esses dois personagens. Quando K finalmente se lembra do computador de Sumire, encontra dois documentos que acabarão por nos dar mais pistas sobre o que pode ter acontecido e sobre a estranha história de Miu na juventude que revela muito sobre como ela acabou se tornando quem é na maturidade. K retorna ao Japão, onde ainda passará por uma outra experiência particular com um dos seus alunos e sua mãe, uma das amantes ocasionais do professor.

O livro termina ainda envolto em mistério, com ares de algo místico podendo ter ocorrido para explicá-lo (ou então uma possibilidade não tão romântica e muito mais cruel e realista…), com uma chamada de Sumire de madrugada para K.

Impressões sobre meu primeiro encontro com o autor: continuo percebendo algo de esnobe na escrita de Murakami, algo que não consigo apontar com certeza o que é mas que me faz ter um leve desagrado por sua narração. Gosto de como trata com seus personagens e o tom de fantástico empregado na história combina com o clima que o autor havia previamente criado. Não é um livro que tenha lido em uma tacada só, então rolou algum grau de esforço, especialmente pela metade do livro, quando Sumire ainda não desapareceu e apenas vemos o desenvolvimento de sua relação de Miu. No geral, esse livro não figuraria na minha lista de preferidos e não teria vontade de reler.

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