Livro: Extraordinário (R.J. Palacio)

Wonder_Cover_Art.pngSabe como eu não posso escutar falar que vai estrear um filme baseado em livro que preciso correr para as colinas e ler o bendito na mesma hora, né? Pois então, esse fenômeno aconteceu com “Extraordinário”, que ganhou um filme nesse ano de 2017. Não tinha dado a mínima pro livro no lançamento, mas foi soltarem o trailer para o interesse surgir.

August Pullman, o Auggie, é um menino de 10 anos, filho mais novo de uma família de classe alta novaiorquina. Auggie tem uma irmã mais velha, pais que o amam mais que tudo nesse mundo e um quarto repleto de tudo que diz respeito a Star Wars. Seria o menininho mais normal que você veria por aí, não fosse o fato de ter nascido com uma deformidade facial, a chamada Síndrome de Treacher Collins. Por causa da condição, o menino foi submetido a inúmeras cirurgias para poder mastigar e respirar melhor e nunca frequentou à escola. Mas tudo isso muda quando a mãe de Auggie decide que está na hora do menino encarar o mundo lá fora e parar de ter aulas em casa. É assim que Auggie entra na Breecher Prep e o livro se dedica a contar sobre esse primeiro ano de Auggie e como ele cresce e se desenvolve no novo ambiente.

A maior parte dos capítulos do livro são narrados sob o ponto de vista do menino, com sua linguagem mais infantil e referências à Star Wars. Auggie é quem primeiro nos leva a conhecer o mundo por seus olhos, um mundo cheio de olhares atravessados que recebe desde que se conhece por gente. Outros capítulos são narrados sob outras óticas, como o de Olivia, a irmã de Auggie que está começando o ensino médio em uma nova escola e se afastando das amigas de infância, além de começando a namorar e o capítulo de Jack Will, o menino não tão rico que se torna amigo de Auggie.

O livro segue a fórmula protocolar dos filminhos de crescimento que passavam antigamente na sessão da tarde e dos livros infantis, com a criação de problemas que se resolvem após algum drama e que levam ao crescimento dos personagens. Um ponto forte do livro é não descrever muito a aparência de seus personagens. Sabemos alguns detalhes como “cabelo desgrenhado” ou “olhos azuis”, mas no geral há pouca especificação, o que ajuda em um livro cuja aparência diferente é o grande foco da questão tratada. Devo dizer que me irritou essa narrativa em verdade sem grandes contrastes entre personagens. A não ser Auggie e sua aparência peculiar, nenhum dos personagens é representante de alguma diversidade significativa, todos fazendo parte de um aparente grande bloco de pessoas ricas e sem maiores preocupações em uma cidade rica norte-americana. Não espero nada mais do filme do que uma fórmula de tentar emocionar o espectador com os truques baratos e batidos que o livro proporciona. Sei que muita gente gostou muito do livro e vejo com frequência citações dele por aí, mas para mim a história foi muito esquecível e sem nada de tão extraordinário frente outras narrativas que seguem a mesma fórmula.

 

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