Livro: Frankenstein (Mary Shelley)

0113A rainha dos posts atrasados está novamente tentando, com todas as suas forças, colocar tudo em dia enquanto uma gripe avassaladora a atinge com mais força do que as 300 provas que ela tem pela frente no mês de junho. Tá difícil, meu povo. E é por estar difícil que vou tentar desengavetar uns dois ou três posts hoje, abrindo aquela dianteira marota para não atrasar mais ainda o que já está atrasado.

Por conta desse atraso todo, posso dizer que vai ficar difícil lembrar com todos os detalhes tudo o que a leitura de “Frankenstein” (ou, o Prometeus Moderno) de Mary Shelley me trouxe e todos os pensamentos que tive à época, mas se solidarize com a amiguinha, vamos juntos segurar na mão de deus e seguir em frente.

O romance começa por uma parte que nunca imaginaria diante das milhares de adaptações que já vi dos personagens do causo. Por meio de cartas o capitão Robert Warton, inglês, escreve à sua irmã sobre seu sonho de sair pelos mares árticos, tentando fazer o que nenhum homem fez: cruzar o Polo Norte. O personagem narra sua curiosidade científica no feito e desejo pela fama que a coragem do ato traria. Nunca lemos as respostas de Margaret, a irmã, de forma que temos somente seu relato sobre como aos poucos Warton vai conseguindo os instrumentos e pessoal para a expedição, que parte com sucesso para seu feito. A primeira parte do livro acaba de forma súbita quando Warton encontra, já nas frias terras do Norte, o médico Victor Frankenstein, que já bastante debilitado pela busca que fazia na região passa a contar sua própria história como um aviso para que o desejo de Warton não se torne sua destruição.

Victor nasceu em uma família abastada, sendo o filho mais velho de um casal que sempre se dedicou com esmeros em sua criação e educação. Senhor de uma inteligência singular para sua idade e uma curiosidade profunda, mas sem os professores que o guiasse de maneira correta no pensamento científico, Frankenstein acaba se encantando com a alquimia e suas possibilidades. Ao chegar à universidade, entretanto, é ridicularizado pelos professores, o que acaba isolando-o em seus próprios experimentos. Victor tem dois irmãos, Ernest e William, e uma irmã adotiva, por quem sempre nutriu grande amor e a quem sempre teve como um porto seguro. A pesquisa de Frankenstein se elabora até que ele tenha por objetivo a criação de vida através dos princípios da alquimia após a elaboração de “peças” corporais. A primeira criação que concebe é de um homem de altura superior a qualquer homem comum. O feito é um sucesso, mas Frankenstein não tira de seu momento “eureka” nenhuma satisfação. Executado como um dever ao longo de muitos anos em que o doutor ficou sem ver a família e sem nem mesmo metade da graça que planejava atribuir à criatura, Victor acaba sucumbindo ao grande cansaço que o toma após a realização do feito. A criatura foge do laboratório e Frankenstein nem ao menos manifesta desejo, à priori, de correr atrás dele, sofrendo por um longo período da moléstia de que só é tirado quando descobre sobre a morte do irmãozinho pela babá. É quando ele resolve correr para casa e descobre que a realidade tem muito mais a ver com o que ele havia realizado com as próprias mãos. Sua criatura é um verdadeiro monstro, que passa a aterrorizar todos a que ele ama como maneira de encontrar seu criador.

Quando o encontro acontece conhecemos a Criatura como bem diversa do que as paródias modernas o pintam. O monstro é articulado e tem sentimentos complexos, em nada diferindo dos seres humanos a não ser em sua maior força física, sua maior resistência às adversidades e suas feições horrendas, que assustaram todos os seres humanos que cruzaram com ele pelos caminhos. E toda uma história de tristezas nos é contada pela Criatura, que termina com o pedido de uma noiva igual a ele ao criador, sob ameaças de mais males à seus entes amados. E mais eu não vou falar, até porque esse texto já está imenso.

O livro trata com temas filosóficos bem mais profundos do que esperava encontrar. A Criatura perambula por aí sem saber o porquê de sua criação, sem qualquer um que lhe faça companhia, como um Adão em terras hostis e malignas, tentando conversar com seu Criador e o amando-o por ter lhe dado à vida, mesmo quando tudo o que parece sair de suas mãos é ódio e destruição. Já Victor é um deus atormentado por sua criação, um sofredor da culpa pelo que construiu e colocou no mundo, que sai em uma caça desesperada para destruir o fruto de tantos anos de estudo. O livro traz também subentendido uma crítica à ambição exagerada e ao cientificismo, em favor da valorização da família e dos amigos.

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