Livro: Thaïs (Anatole France)

0112Tá aí um livro que eu sempre tive uma baita curiosidade para ler quando via a capa, passando pelas livrarias da vida, mas só agora realmente peguei para desvendar.

O protagonista de Thaïs é o abade Paphnuce, que largou a vida mundana de dinheiro e festas na cidade grande para a total dedicação aos princípios cristãos no deserto, sendo seguido e repeitado por um grupo de seguidores. Paphnuce é um dos muitos que fizeram voto de pobreza e passam seus dias em pobres tendas, em torno das quais se reúnem animais à noite que representam o próprio demônio, resistindo aos desejos e tentações em meio ao nada.

Após muitos anos nesse deserto, seguindo hábitos arraigados e dedicando cada minut de seu dia a Deus, Paphnuce tem uma visão com sua juventude e a admiração que seu eu adolescente tinha pela bela dançarina, atriz e cortesã Thaïs. É contra todos os avisos que Paphnuce parte ao deserto, encontrando na visão uma mensagem de Deus para tirar Thaïs de sua vida de pecado e trazê-la para o caminho religioso. Ao chegar à cidade e encontrar a atriz, Paphnuce se mostra um mestre cruel, apesar da anuência resoluta em todos os aspectos da mulher. Em certo momento fica claro que o abade obtém certo prazer em tratar mal Thaïs e vê-la sofrendo seu “castigo” pela vida pecaminosa que passava. Há também em certa parte uma discussão entre muitos personagens sobre filosofia e religião em um jantar, discussão essa que Paphnuce assiste calado, mas claramente se achando superior a qualquer pensamento ali exposto.

Ao fim, Thaïs entra na vida monástica e cumpre os planos religiosos com alegria, tornando-se a santa que a profecia predisse. Já Paphnuce encontrou na excursão sua derrocada final, que demonstrou todos os problemas de sua, na verdade, falta de confiança no Criador, que despertou com todas as forças sua luxúria e abriu caminho para que a terrível influência do demônio. Paphnuce finalmente percebe após anos de reclusão que na verdade suas atitudes estavam repletas de orgulho e não de amor a seu semelhante. Da marca do demônio, Paphnuce nunca irá se livrar e o resto de seus dias serão assombrados pela sua influência, na certeza de que agiu em erro ao sair pelo deserto em sua tentativa de cumprir o que Deus parecia ter dito a ele.

A história é inspirada na vida de Santa Thaïs do Egito (que eu nem sabia que existia antes de ler o livro), cuja vida pecadora foi transformada por São Paphnuce. Além do livro de Anatole France, a história também rendeu uma ópera e milhares de crianças por esse Brasilsão com as mais variadas grafias do nome.

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