Eurovision 2017: E o intimismo ucraniano

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Ficou bem difícil curtir minha festa bagaceira esse ano. A organização do evento proibiu a exibição no YouTube no Brasil, então tive que apelar para meus dotes de hacker para assistir. (Para quê dificultar a vida de quem não mora na Zôropa com essas coisas, seo Eurovision? Que raios você acha que vai acontecer se aumentar a audiência de vocês? A gente vai participar de qualquer forma! [Evidência abaixo])

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Olha os HUEHUE à esquerda

Mas vamos aos trabalhos: esse ano a festa foi na Ucrânia, já que a última vencedora foi a peitadora Jamala, que chamou a Rússia na xinxa. O tema foi “Celebrar a diversidade” e a gente sabe que o discurso é muito bonito mas na hora da competição vai todo mundo cantar em inglês mesmo. E como sempre, a tabela de notas:
[*] Era melhor ter ficado em casa, abiguinho.
[**] Foi uma bosta, mas fiquei olhando o desastre até o final.
[***] Não foi bom nem ruim, muito pelo contrário…
[****] Quase lá, só faltou um cadinho de amor.
[*****] Obra-prima, maravilha, Beethoven invejaria tamanho talento.

Semi-final 1 (09/05/2017) https://www.youtube.com/watch?v=nW1TNNwxsq8
* Minha maior surpresa nessa edição foi o palco principal não ser muito grande e haver um palquinho no meio da galera, bem mais intimista e próximo do povão do que em anos anteriores. O ato de abertura foi bem chatinho e completamente esquecível, com um rapper/cantor pop metido a Justin Timberlake e alguns dançarinos. A montagem anterior, com mulheres em trajes típicos estava bem mais bonita. Esse ano arranjaram três bonitões com nomes difíceis de pronunciar e impossíveis de escrever para apresentar.
01) SUÉCIA – I Can’t Go On: Logo na primeira apresentação me entra um grupo de homens para representar a diversidade (“coloca um negro, um branco, um asiático…”) e o intérprete com aqueles olhinhos pequenos toda a vida… A coreografia nas esteiras é bem legal, mas já foi feito (saudades, Ok Go) e a música tem um refrão chiclete, mas bem idiota. Não pode continuar porque a pessoa é bonitona demais? What? Depois de ver a concorrência voltei aqui e dei mais um ponto. [***]
02) GEÓRGIA – Keep the Faith: Estou tentando manter a fé, miga. Aliás, arrasou no cabelon. Na cabeça da miga-que-fazia-carão ela estava arrasando, a diva das divas, a nova Conchita Wurst. Na realidade eu não vi uma pessoinha na platéia entusiasmada com a apresentação e reparto do sentimento do povão. [*]
03) AUSTRÁLIA – Don’t Come Easy: Austrália tá dando um jeitinho maroto de estar sempre no Eurovision. Dessa vez acho que foi porque a Rússia foi proibida (estavam mandando uma cantora que já tinha entrado ilegalmente na Ucrânia, como provocação). O país mandou um menino novinho para desafinar várias vezes. A ideia espetacular de palco deles era colocar várias imagens do rapazinho atrás dele enquanto ele  cantava mais uma balada bem esquecível. Achei estranho, achei egocêntrico… Tanto na semi-final quanto na final não consegui ver até o fim. [*]
04) ALBÂNIA – World: Lindita tem olhos muito juntos. Muito mesmo. E foi só nisso que consegui prestar atenção no primeiro minuto de música, em que Lindita (melhor nome, vou repetir mais algumas vezes) cantava sobre como não entendia nada que estava se passando. Eu também não entendi, Lindita, mas vou te dar até um ponto a mais porque em uma época que o Eurovision está perdendo a verve bagaceira, você apareceu para salvar o show. [**]
05) BÉLGICA – City Lights: Blanche tem uma voz interessantíssima, grave e aveludada. Entretanto, a primeira parte da música parece parada em excesso, quase um monólogo, e só a segunda parte traz um quê de interessante de verdade. Achei que a menina Branca ficou preocupada demais com os movimentos de mão e isso a prejudicou na execução, que já estava claudicante por causa do nervosismo. Na final, grazadeus, ela não os fez e a apresentação melhorou muito. [*****]
06) MONTENEGRO – Space: Eu só queria ter metade da confiança de Slavko em entrar naquele palco dançando sozinho sem saber dançar. As sobrancelhas mais perfeitas desse Eurovision, o cantor trouxe a diversidade propagada em uma música que necessitava de uma coragem monumental. Tenho que dar pontos pelo fator bagaceira, meu povo. [**]
07) FINLÂNDIA – Blackbird: Tinha escutado tantos elogios a essa música… Apesar de achar a mensagem até interessante, ela foi na verdade uma balada bem comum do começo ao fim, até na parte do piano. Pessoal tá com muito medo de se arriscar nesse ano. [**]
08) AZERBAIDJÃO – Skeletons: Primeiro país que usou um cenário, tentndo contar uma história através das paredes de quadro-negro e do homem com cabeça de cavalo. Eu entendi a história? Não. Mal entendi o que a moça estava cantado. Mas como pelo menos alguém usou de originalidade, vou aumentar a pontuação que daria. [***]
09) PORTUGAL – Amar Pelos Dois: Sabem que eu sempre evito escutar as músicas do festival antes das semi-finais, não é? Pois bem, com Portugal eu não consegui. Tenho aquele laço sanguíneo e sentimental com o país e quando soube que estava voltando (e voltando com uma música forte) precisei escutar. E é por isso que há algum tempo tenho escutado “Amar Pelos Dois” e me maravilhado com essa interpretação de Salvador Sobral, com suas peculiaridades e com os olhos tristonhos. Esse é o primeiro ano que assisto em que realmente tenho uma torcida e ela vai toda para esse país que antes nem entrava nas apostas. Aliás, o único país a cantar na língua materna e essa língua é logo esse português delicioso de escutar. [*****]
10) GRÉCIA – This is Love: Estava eu cá achando que esse seria o primeiro ano sem música eletrônica, aí me vem a Grécia reciclando vários elementos de um Eurovision de uns três anos atrás. Teve refrão com EGM, teve dançarinos no palco, teve efeitos desnecessários. [**]
11) POLÔNIA – Flashlight: Estava  achando legal, uma música um pouco mais agitada nesse mar de baladinhas top que estavam rolando. Estava sendo bom essa quebrada, essa subidinha de pressão, mas aí chegou no finalzinho da música e houve um pequeno plágio ali de uma soundtrack de algum filme (que não consigo lembrar qual e isso está me enlouquecendo!) [****]
12) MOLDÁVIA – Hey Mamma: Olha, não esperava nada dessa música, mas o pessoal se deu bem no sorteio porque pegou uma semi-final bem paradona e meteu uma musiquinha dançante esperta no meio, com um cara que toca saxofone e outro com violino no meio (dois clássicos da Eurovision). Até as backing vocals entraram na brincadeira do casamento falso e da dancinha batendo o pezinho. [***]
13) ISLÂNDIA – Paper: Espera algo bem melhor da Islândia. A música é fraca e o refrão não salva. A única parte de que gostei mesmo foi o pseudo-rap na segunda parte, mas de resto só tenho a dizer que a tattoo da moça no peito é bem legal… [**]
14) REPÚBLICA TCHECA – My Turn: Achava que essa música estava indo muito bem no começo, mas o refrão é bem batido e já foi cantado exatamente desses jeito em centenas de outras músicas. Por causa disso mesmo, há uma certa familiaridade com a canção mesmo na primeira vez que se escuta ela. Na terceira vez que cantou o refrão eu já estava gostando mais dela. [***]
15) CHIPRE – Gravity: Gostei bastante da música. apesar de usar de uns elementos batidos, usou uma apresentação simples e boazinha. O refrão pega a gente de jeito, mesmo tendo um monte de contrariedades físicas… [*****]
16) ARMÊNIA – Fly With Me: Prestei muito mais atenção nas dançarinas ali atrás do que na música mesma, apesar dela ter alguns elementos interessantes, que devem remeter a cultura armênia. [***]
17) ESLOVÊNIA – On My Way: Sou uma ferrenha defensora de que se você quer cantar uma música bem paradinha, tem que investir em um refrão poderoso para não cair no lado negro da chatice. A Eslovênia foi um dos poucos países que entendeu esse conceito e fez uma música mais forte que as concorrentes no quesito “baladinha top”. [****]
18) LETÔNIA – Line: Eu não entendi foi nada. Música eletrônica, mas tinha uma banda ali atrás e um moço que só ficava batendo nos pratos da bateria. Só que não escutei nenhuma bateria na música, só aquele fundo tradicional de música eletrônica… A viagem desse pessoal tava tão boa que eles realmente atuaram como se estivessem arrasando. [*]

Classificados: Moldávia, Azerb aidjão, Grécia, Suécia, Portugal, Polônia, Armênia, Austrália, Chipre e Bélgica.

Semi-Final 2 (11/05/2017) https://www.youtube.com/watch?v=Kdui3XW3R6M
* Segunda noite e ficou ainda mais claro que esses três modeletes acabaram não sendo a melhor escolha para apresentar o Eurovision. Que falta de carisma, meus amigos. Que falta de naturalidade também… Pelo menos o segmento inicial com a apresentação “à maneira ucraniana” de sucessos do Eurovision foi bem divertida.*
01) SÉRVIA – In Too Deep: Aquela música mais para genérica pop do que tentando inovar em alguma coisa. Quando o moço dançarino apareceu até comemorei porque pelo menos movimentou um palco que tava bem parado. [**]
02) ÁUSTRIA – Running On Air: Música motivacional, ao que parece. Uma constate no festival. Em um ano de palcos pouco criativos, pelo menos foi bom que alguém tentou pensar numa temática. A música em si me soou muito como trilha sonora de filme adolescente dos anos 2000. Não sei porque essa associação, mas é isso mesmo… [***]
03) MACEDÔNIA – Dance Alone: ELA MENTIU! Não tava dançando sozinha, tinha um bebê na barriga! A música não tem nada de muito “uau”, mas parece daquelas que você vai cantar sem nem perceber o que está acontecendo. Aliás, preciso falar que a voz dela é bem estranha, nem parece que está cantando ao vivo… [***]
04) MALTA – Breathlessly: Achei que a música não ia muito longe no começo, mas há algo nela que me lembrou as musiquinhas da Disney e a cantora segurou a canção como ninguém. [****]
05) ROMÊNIA – Yodel It: Verdade seja dita, a Romênia trouxe a música mais surreal para apresentar esse ano. Desgostei à princípio, mas depois acabei perdoando e no final estava bem animadinha, achando a música até curta. “Yodel” é a técnica mais passível de comicidade possível, mas não há como desgostar totalmente. [****]
06) HOLANDA – Lights and Shadows: A Holanda consistentemente manda boas músicas, então nem fiquei surpresa de gostar tanto da canção que as três espiãs demais apresentaram. Harmonizam como ninguém, falando nisso. [*****]
07) HUNGRIA – Origo: Hungria trouxe dançarina e violinista para cumprir a cota do Eurovision. Gostei do ritmo da música e ganhou um pontinho a mais por ter cantado na língua original. [***]
08) DINAMARCA – Where I Am: A música é bem comum em muitos aspectos, mas é simpática e a intérprete tem aquele carisma natural, que nem precisa conhecer a menina para gostar dela. Provavelmente nunca vou escutar novamente, mas foi legalzinho. [***]
09) IRLANDA – Dying To Try: Essa não era a voz que eu estava esperando! Que susto, cara! O menino tem uns 20 anos, mas canta como um moleque de 8. Foi meio bizarro, meio fantástico… Fiquei a música toda em negação de que aquela era a voz dele mesmo. E ele agradecendo? A VOZ É COMPLETAMENTE DIFERENTE! Sobre a música: mais uma baladinha top. [***]
10) SAN MARINO – Spirit of the Night: O que dizer sobre esse país que sempre está em uma década diferente do resto do mundo? Todo ano é uma das apresentações que mais aguardo. E San Marino mais uma vez não me decepcionou! Eles estão chegando aos anos 70 agora lá, gente! Olha que maravilha! Os intérpretes estavam se divertindo, o que é algo bom… acho. [**]
11) CROÁCIA – My Friend: O representante tava fazendo a linha “gordinho simpático” tão bem no clipe de apresentação que já gostei dele antes da música começar. Migo mostrou que é auto-suficiente e na mesma música demostrou tanto sua personalidade pop quanto a mais clássica. Foi estranho, mas não ruim de todo, só que a música estava em todos os lugares ao mesmo tempo. [**]
12) NORUEGA – Grab My Way: Achei que esse negócio de DJs esconderem o rosto tinha acabado, mas aparentemente não. Tããão 2010… Sobre a música: alguns elementos interessantes nela, que foram apagados pelo uso desnecessário de efeitos. Neeext. [***]
13) SUÍÇA – Apollo: I’ll follow you, Apollo/ I’ll follow you, Apollo. Vou ficar com essa música presa na cabeça, certeza. E olha que nem canção nem apresentação foram tão geniais assim. [***]
14) BIELORRÚSSIA – Story of my Life: Não tinha uma boy band inglesa com uma música de mesmo nome? Foi uma música que animou a platéia logo nos primeiros segundos e cantada no idioma original. Foi uma apresentação divertida e memorável. [****]
15) BULGÁRIA – Beautiful Mess: Tão mandando as quiança tudo para esse festival! O menininho tinha 17 anos, gente. O genérico de Bill Kaulitz cantou, obviamente, mais uma baladinha top, que é o que tá na moda ultimamente. Foi bem genérica, mas por algum caralho os europeus gostaram absurdamente. [****]
16) LITUÂNIA – Rain of Revolution: Lituânia got the balls. Vem vestida de vermelho para cantar a revolução. Em outras épocas diriam que é tudo culpa da Dilma. A apresentação foi bem merda e é por isso que com a música tocando ainda vim aqui para escrever quão ruim estavam as desafinações e incertezas da menina do vocal… [*]
17) ESTÔNIA – Verona: Tô me perguntando ainda porque gostei tanto dessa música. É meio breguinha, tem aquela coisa de casalzinho ensaiando romance falso no palco e muitas plumas, mas… eu gostei. Muito, inclusive. De alguma maneira a coisa toda funcionou. [****]
18) ISRAEL – I Feel Alive: Começou como música eletrônicazZzZzZ e virou aquela música pop batida no meio. O menino estava se sentindo a última coca-cola do deserto e sempre gosto de ver gente feliz assim. Mas é só isso que tenho a elogiar também. [**]

Classificados: Bulgária, Bielorrússia, Croácia, Hungria, Dinamarca, Israel, Romênia, Noruega, Holanda e Áustria.

Pré-Selecionados:
– ITÁLIA – Occidentali’s Karma: Aquele meu pontinho a mais por cantar em italiano, mas a música em si não é tão boa. Dei um ponto a mais pelo macaco no palco também, mas acho mesmo que a Itália veio na verve mais humorística (o que até aprecio, pessoal tá se levando à sério demais nesse Eurovision). [***]
– ESPANHA – Do It For Your Lover: Menino começou de costas olhando para a Europa iluminada e emendou num meio reggae, meio pop em que a letra não fazia sentido algum. E AINDA ME DESAFINA NO FINAL DA MÚSICA! Migo, não tem como eu te ajudar assim. Do it for your lava…[**]
– REINO UNIDO – Never Give Up On You: Essa música é sobre o Brexit? Seria muito legal se fosse… Baladinha mais uma vez, e também com refrão não tão forte. O problema maior para mim foi as leves desafinadas da cantora, mais do que a música em si. [***]
– ALEMANHA – Perfect Life: A intérprete não tem metade da voz necessária para cantar a música que deram para ela. A batida é repetida, a mensagem também. NEXT! [**]
– UCRÂNIA – Time: O país sede levou a única banda de rock da competição, uns meninos no estilo Linkin Park. Não me empolgou, mas a música não é das piores. Talvez tenha acontecido um problema de apresentação para a música ficar mais quadrada do que parecia aos ouvidos. [***]
– FRANÇA – Requiem: Curti a França esse ano. Alma embarca bem no estilo de música pop que está muito em voga atualmente no país. Não é uma música somente construída para o Eurovision, é daquelas que vou escutar na vida. [*****]

E então na final, votos computados e o inesperado parecia estar se concretizando com os votos de júris, com Portugal saindo na frente. Para um país que nunca consegue nada, isso já era uma das ocasiões mais felizes, dando uma das melhores classificações que Portugal já obteve. A Bulgária seguia em segundo lugar, ora se distanciando ora se aproximando. Nos votos populares ainda aquela indecisão entre Portugal e Bulgária, mas o povo ouviu esse sentimento bonito que Salvador Sobral expressou e, pela primeira vez, PORTUGAL GANHOU!!!! Foi lindo demais e eu fiquei me tremendo toda de tanto amor quando ele chamou a irmã, a compositora da música, e os dois cantaram “Amar Pelos Dois” juntos.

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