Cinema: Eun-Gyo (2012)

MV5BZTcwZTMwODUtZTE2Yi00MDQyLWEwM2YtODcwYzc0MWIwODFlXkEyXkFqcGdeQXVyNjUxMDU4NjM@._V1_.jpgEu falei que ainda havia muitos posts sobre cinematografia asiática por vir, então não me culpem… Basicamente, tudo o que tenho assistido ultimamente são filmes coreanos e japoneses e as séries, essas estão todas paradinhas esperando minha paciência se mostrar.

“Eun-Gyo” (“A Muse”, como foi chamado em inglês) é um filme de temática mais madura, então se você é menor de 18 anos pode pegar o caminho da roça e sair desse post.

Lee Juk-Yo (Park Hae-Il) é um poeta premiado e reconhecido, que agora passa seus dias de velhice em sua casa isolada, onde a única diferença entre os dias parece ser a visita ocasional do discípulo Seo Ji-Woo (Kim Moo-Yul). Ji-Woo tem um livro recém-lançado de grande sucesso, mas parece ainda aguardar avidamente a aprovação do professor sisudo. Tudo isso muda quando um dia, ao chegarem na casinha de madeira de Juk-Yo, ambos se deparam com uma adolescente dormindo na cadeira no jardim. A menina se chama Eun-Gyo (Kim Go-Eun, a quem já elogiei bastante quando falei de Goblin e Monster). Ji-Woo consegue arranjar para que Eun-Gyo se torne faxineira de Juk-Yo após a escola e assim vai começar essa relação entre três pessoas solitárias.

Logo fica claro que Lee Juk-Yo está apaixonado por Eun-Gyo, e também fica óbvio que nada vai acontecer porque o velho percebe essa diferença de idade que os afasta e vive em felicidade com a menina apenas em sua imaginação. Além disso, Eun-Gyo encara a relação de forma completamente assexual, considerando o idoso como um amigo próximo e se comportando como uma criança sem maldade. Já Ji-Woo, que logo percebe a aproximação desses dois opostos, vê o desenvolvimento da relação como uma ameaça a sua própria ligação com o aclamado autor e a perspectiva de perder as benesses que já recaíram para si devido a essa conexão é uma sombra que começa a atormentá-lo, o que se intensifica quando ele descobre um manuscrito escondido de Juk-Yo com o nome da adolescente, contando com lindas passagens do amor platônico. A partir daí é só ladeira abaixo, com os personagens se machucando mutuamente e acabando mais isolados em seus próprios universos interiores.

Apesar de alguns outros personagens realizarem breves aparições, a história de fato se concentra nesses três indivíduos e sua solidão. A ambientação e cenário passam a sensação de sonho que Juk-Yo tem com a chegada da menina em sua vida, com aquela perspectiva de relembrar a própria juventude e seu sofrimento de um amor juvenil na terceira idade. Ji-Woo é um personagem dificilmente não odiável, com muitas atitudes indesculpáveis e traições às outras duas partes, principalmente por saber que nunca será tão bom quanto o mestre e que vive em uma mentira eterna. Eun-Gyo reúne inexperiência e uma inocência que a trai, perdida nos caminhos que se apresentam. E eles três transmitem essa sensação de melancolia, de solidão constante às vezes aplacada pela companhia alheia, mas nunca exterminada de vez.

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