Cinema: The Hunting Ground (2015)

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(Esse poster tem um chamariz de filme de terror. Meio bizarro)

(Aproveitando que estou em um dia produtivo, vou tentar escrever ao menos três dos posts atrasados hoje. Vamos ver daqui a algumas horas se isso virou uma realidade.)

 

A primeira vez que escutei falar sobre os estupros alarmantes que ocorrem nas faculdades dos EUA e passam impunes foi pela repercussão da Matress Performance, quando Emma Sulkowitz, uma estudante de arte de Columbia, carregava seu colchão pelo campus para lembrar e alertar sobre a falta de punição de seu estuprador pelas autoridades universitárias. O caso ficou muito famoso e acredito ter sido a primeira faísca do que mais tarde construiria “The Hunting Ground”.

Já a primeira vez em que escutei falar do documentário foi quando Lady Gaga lançou o clipe de “Til It Happens To You”, trilha sonora do filme que foi inclusive indicada ao Oscar. Mas vontade de assistir, essa eu só tive após ver “Audrie and Daisy”, que lida com temática semelhante.

O fio condutor que os documentaristas escolheram foi as histórias muito similares de Andrea Pino e Annie Clark, a partir do qual vamos percebendo que não se tratam de vivências isoladas e sim parte de um problema maior, em que os estupradores não são punidos e acabam repetindo seus crimes por toda a estada durante a universidade, cientes de que nada se pode fazer contra eles. O documentário atribui a maior parte da culpa aos administradores dessas instituições, que das mais conhecidas até as mais escondidas, preferem apagar os traços dessas ocorrências a punir os culpados e ficarem taxadas, impedindo novas admissões (lembrando que nos EUA paga-se (e muito) pela educação superior). O problema é ainda mais grave quando lidamos com as fraternidades masculinas, pois algumas delas têm em seu histórico a marca de corroborar esse tipo de comportamento e pressionar rapazes a cometê-los pelo status oferecido entre os pares. Não por acaso, são membros de fraternidades como essa que oferecem as maiores contribuições a suas antigas faculdades, então não é um bom negócio para as universidades decidir por bani-las. Outro ponto abordado é a importância dos times esportivos e seus atletas na cultura universitária e o quanto as vítimas desses atletas sofrem com o ostracismo (inclusive de outras garotas) quando delatam esses crimes.

O documentário é muito bom no que se propõe, oferecendo visualmente dados colhidos ao longo dos anos de maneira a explicitar claramente o tamanho do problema. Ele se perdeu um pouco, para mim, quando decidiu tomar por heroínas as duas meninas que apresentou no começo, que adotaram as ferramentas da lei para lutar. Nesse trecho do filme ele perde o tom e se torna muito idealista (inclusive você vai notar uma mudança na música e escolha pelas paisagens bonitas quando as meninas estão cruzando o país), um artifício hollywoodiano, meio clichezão, que acaba dando a ilusão que o problema já encontrou sua solução: Andrea e Annie salvarão todas as meninas com seus cérebros brilhantes! Na realidade, sabemos que não é bem assim e o filme peca em não mostrar isso de forma mais inteligente.

(Colocaria o trailer do documentário aqui, mas achei a música meio sensacionalista. Aliás, tão sensacionalista quanto o chamariz no poster. Então vou colocar  o clipe da Gaga que é melhor.)

 

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