Livro: The Bell Jar (Sylvia Plath)

0109.jpgSabe quem deveria estar lendo mais e vendo menos séries? Isso mesmo. A dona desse blog.

“The Bell Jar” é o único romance de Sylvia Plath, escritora americana também conhecida por suas poesias. Na história, a protagonista é Esther Greenwood, o que na verdade é um pseudônimo para a própria Sylvia e a rápida depressão e tentativa de suicídio que a autora cometeu na juventude, narrado em primeira pessoa.

Esther é uma universitária que durante toda a vida acumulou boas notas e o reconhecimento de professores e profissionais pela sua habilidade em literatura. A jovem ganha a oportunidade de estágio em uma revista de moda em Nova Iorque, junto a outras moças de diversas origens. Quando encontramos a personagem pela primeira vez ela já está em Nova Iorque e já apresenta alguns sinais da apatia que logo se tornará regra em sua vida. À princípio a moça ainda honra alguns dos compromissos que são esperados que as moças realizem, mas logo ela se frustra com o estágio, com o vazio que aquela vida de almoços e lojas significa e até com os brindes que recebe. Cresce em Esther a vontade de se abandonar ao nada, de simplesmente se deixar ficar na cama, sem vontade para nada. Nesses momentos ela ainda se põe a pensar sobre a família, com o pai falecido aos oito anos e a mãe trabalhadora, e sobre Buddy, um amigo de infância que quase se converteu em noivo, bem depois de Esther ter percebido que nunca conseguiria se casar. Esther começa a questionar toda sua vida: a coleção de notas A, as bolsas de estudo, o desejo de ser escritora… Nada parece ter sentido mais frente a essa nova apatia, esse descontentamento com tudo e todos e, principalmente, consigo mesma.

De volta a casa para o resto do verão, esse sentimento ganha ainda mais força ao descobrir que não havia passado para um concorrido curso. Além disso, Esther crê estar passando por uma grave insônia e recorre muitas vezes ao uso de remédios, que a mãe mantém guardados. Um psiquiatra acompanha o caso, mas a moça sente que ele não a compreende nem se interessa por seu caso de verdade. É recomendado o uso de eletroterapia, o que se revela uma das piores experiências da vida de Esther, que ela teme repetir com todas as forças.

Esther tenta várias vezes se matar e chega perto de concretizar o feito quando toma os remédios para a insônia, ficando por longo tempo desacordada. Quando acorda está na ala psiquiátrica de um hospital e então o restante da narrativa se foca nas inúmeras transferências da garota entre várias instituições psiquiátricas, com tratamentos diferentes e reputações igualmente distintas, tentando levantar essa “redoma de vidro” em que Esther se sente enclausurada por sua depressão. O final tem um tom ao mesmo tempo positivo, com a alta de Esther, quanto estranhamente vidente no fim da personagem, que revela saber que sua vida não está de todo livre da redoma, que a qualquer hora pode descer novamente sobre sua cabeça.

O livro me lembrou muito (muito mesmo) em sua narração e nas desventuras da personagem ao livro de Salinger “The Catcher in the Rye”, uma alusão que depois fui descobrir já ter sido visualizada por outros leitores. Sylvia escreve de modo simples e eloquente. É difícil largar o livro em qualquer momento. É quase como um roteiro, com cortes bem posicionados nos lugares devidos, fazendo com que nenhuma cena se torne longa a ponto de ser chato. A temática de suicídio e depressão é brilhantemente apresentada e é fácil acompanhar com entendimento a doença da personagem principal, além de não se desgostar de Esther mesmo quando seu tratamento aos outros é rude e inesperado.

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