Cinema: Fahrenheit 9/11 (2004)

0037Michael Moore é um dos documentaristas mais conhecidos da atualidade, senão o mais famoso mesmo dentre aqueles que não assistem documentários com frequência (um dos meus gêneros preferidos cinematográficos). Suas opiniões estão sempre muito claras em seus filmes, mais alinhado com os democratas do que com os republicanos americanos. O que faz espantar o porquê sempre há alguém apontando-o como tendencioso nos comentários sobre seus filmes. Mas isso deveria ser óbvio, meus filhos!

Já tinha assistido “Fahrenheit 9/11” antes, acho que durante a faculdade de Relações Internacionais, mas foi bom rever o filme quando temos outro presidente tão pouco preparado na Casa Branca.

O filme começa com a eleição de Bush contra Al Gore, em meio a um processo eleitoral um tanto questionável. Moore deixa claro o quão despreparado considerava o presidente durante os meses antes do atentado terrorista de 2001 e a reação estapafúrdia quando confrontado com fatos que precisavam da resposta de liderança imediata. Após o 11 de setembro, Moore passa a explorar a estranha resposta do governo Bush ao ataque, tentando ligar a Al Qaeda a Saddam Hussein, o que levou à guerra no Iraque, aquela investida infeliz da guerra ao terror que foi toda baseada na mentira da existência de armas de destruição em massa. O documentário foca principalmente no viés de que a família Bush estava defendendo seus próprios interesses econômicos (e de suas muitas empresas ligadas à Arábia Saudita) quando lidou com todo o problema do terrorismo após o 11 de setembro. O filme aborda tanto a construção do medo que levou ao apoio da população a ir para a guerra quanto as  consequências da empreitada para as empresas ligadas a petróleo e construção (lucraram horrores) e para as populações mais pobres americanas, que perderam muitos dos seus no confronto.

Moore termina o filme lembrando outra distopia além daquela que está claramente indicada no título (tem resenha do livro “Fahrenheit 452” aqui). George Orwell (e mais precisamente “1984”) são citados naquele diálogo interessante mais para o final de sua obra mais conhecida, que fala sobre a necessidade de haver uma guerra constante e sem fim para justificar a unidade de um povo.

Eu não sei como o documentário soa para alguém mais jovem, que não tem lembranças do 11 de setembro ou da Guerra do Iraque. Aconteceu na minha adolescência e até para essa brasileirinha lembra das opiniões que foram tecidas à época e como tudo aquilo parecia o prenúncio da III Guerra Mundial. Concordando ou discordando do ponto de vista de Moore, é um documentário que precisa ser visto para esclarecer como outros interesses podem e afetam as decisões não muito salutares das nações.

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