Cinema: Adaptation. (2002)

0036.jpg(Vou fazer meu melhor para tentar explicar, mas provavelmente vou fazer um trabalho bem porco. Esteja avisado.)

Vida real, fora da telona: Charlie Kaufman é o roteirista de outro filme sobre o qual já falei aqui – Being John Malkovich. Após o sucesso do filme, que tem um roteiro tão fora da caixinha, Charlie foi chamado para roteirizar um livro chamado “The Orchid Thief”, escrito pela jornalista do The New Yorker Susan Orlean. O livro trata da história de John Laroche, uma criatura um tanto fascinante, que ganha a vida roubando orquídeas. Kaufman, entretanto, sofre para adaptar o livro, tentando passar para o papel e para as telas a beleza das orquídeas e o fascínio do livro. Não ajuda muito que ele esteja o tempo todo sendo pressionado pelo estúdio. Kaufman acaba entregando um estranho roteiro que lida com sua incapacidade de adaptar o livro, e é aí que nasce…

MV5BMTcwODQyODEyOV5BMl5BanBnXkFtZTYwMTEzNTc2._V1_.jpg“Adaptação”, o filme: Na história, Charlie Kaufman (Nicolas Cage) roteirista, meio careca, acima do peso, que sempre está fantasiando com alguma mulher que tenha conhecido, se encontra com Valerie Thomas (Tilda Swinton), que comprou os direitos de adaptação da história de “The Orchid Thief” e lhe solicita o roteiro. O livro foi escrito por Susan Orlean (Meryl Streep), sendo a ampliação de um artigo que a jornalista havia escrito para o jornal em que trabalhava. Charlie tenta então se conectar com a história e passá-la para as telas com toda a poesia que enxerga nas páginas de Orlean, falhando em todas as tentativas. Charlie mora com o irmão gêmeo, o também roteirista Donald Kaufman, que serve quase como alívio cômico do filme.

Em meio as cenas sobre Kaufman em sua batalha contra as páginas em branco, temos algumas cenas de Orlean e John Laroche (Chris Cooper), evidenciando o que seria o filme se Kaufman conseguisse de fato adaptá-lo, seguindo uma pegada bem hollywoodiana que na verdade Kaufman não queria seguir. Entretanto, as duas histórias – a da adaptação de Kaufman e a dos personagens adaptados – se entremearão, causando um final bastante inesperado (ou o final mais clichê que você já viu).

É difícil saber se o roteirista optou então pelo caminho mais fácil ao falar de si mesmo e de sua batalha pessoal, caracterizando como um preguiçoso pela metalinguagem, ou foi extremamente genial em explorar esse ângulo da história, rompendo com todas as regras do cinema. De qualquer modo a história é original e dá nós imensos na cabeça.

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