Livro: The Brothers Karamazov (Fyodor Dostoyevsky)

0105.jpgÉ janeiro, tempo de férias e de tentar completar o máximo de leituras possíveis até que as aulas comecem e não seja mais possível ter todo o tempo do mundo para isso. Por causa disso, tentei priorizar alguns calhamaços que aqui estão sentadinhos, esperando a oportunidade perfeita há muito tempo.

“Os Irmãos Karamazov” é o romance final do autor, que faleceu 4 meses após sua publicação. Quem conta a história é um narrador presente no “teatro”, que testemunha mas não participa ativamente da história. É esse narrador sem nome ou história que nos guia pela miríade de personagens presentes na obra e apresenta o desenrolar dos acontecimentos. Por vezes até esquecemos que esse narrador é de fato presente à época, mas ele nos lembra. Além disso é ele quem nos diz sobre a cidadezinha em que ocorre a história e o que rola no boca-a-boca dos moradores sobre os personagens.

Fyodor Karamazov é uma figura cômica, amoral e pouco respeitável. Vivendo uma existência repleta de libertinagem e poucas regras desde a juventude, o personagem é um bufão incorrigível. De duas esposas diferentes, Fyodor tem três filhos.

O primeiro casamento gera Dmitri, que chega a ser esquecido pelo pai na infância, sendo cuidado pelo empregado da família até que parentes da mãe o adotam. Dmitri acaba se tornando uma cópia do comportamento do pai quando adulto, agindo de maneira pouco louvável inclusive com uma jovem chamada Katerina Ivanovna, que depois acaba virando sua noiva. Dmitri fez um acordo pouco inteligente com o pai em um momento de desespero financeiro que o deixa em pouco tempo sem qualquer lucro por parte dessa fonte. Gastando seu dinheiro a torto e a direito com bebidas, jogos e mulheres, logo o rapaz se vê sem qualquer dinheiro e corre ao pai para exigir seus direitos, que antes ele havia renunciado pelo dinheiro instantâneo. O pai se nega terminantemente a pagar ao filho esse dinheiro e gera um ódio tremendo em Dmitri, que nunca construiu uma relação com o pai e agora mesmo é que sai falando por aí que vai matar o velho. Para piorar as coisas ambos, pai e filho, estão envolvidos com a mesma mulher. Grushenka brinca com os dois e com a possibilidade de casamento com aquele que pagar mais. O leitor vai notar que Dmitri não é o biscoitinho mais inteligente da caixa…

Do segundo casamento de Fyodor nascem Ivan e Alexey. Ambos passam por uma experiência parecida com a de Dmitri, tendo sido adotados por parentes distantes após a “rejeição” paterna. Ivan se orgulha de não precisar do dinheiro do pai, tendo estudado muito e vivido por parte da vida na Europa ocidental, frequentando a sociedade francesa. Seus modos, inclusive, são mais afrancesados do que russo e ele acaba de ficar muito famoso por seus textos sobre teoria religiosa, sendo muito respeitado. A teoria de Ivan é bastante interessante, com ele dizendo que acredita em Deus, mas não em seu reino sobre a Terra. Ou seja, ele não acredita no deus proposto e tece uma teoria de que sem essa lei, tudo é permitido.

Já Alexei (Alyosha), o caçula, é um jovem que pretende dedicar sua vida à religião no começo do livro, seguindo um ancião de nome Zossima e o amando como a um pai. Zossima é quem recomenda que ele largue seus planos para a vida monástica e se dedique à família destruída dos Karamazov. Alyosha é amado por todos os personagens que o conhecem, sem distinção. Apesar de achá-lo mais esclarecido e menos inocente, em muitos pontos penso que Alexei se assemelha à Myshkin de “O Idiota”. Esse personagem serve como apaziguador, mas também como meio de mostrar as várias faces e perspectivas dos outros personagens.

Na casa de Fyodor Karamazov há ainda uma família de empregados, sendo ela constituída por Grigory aquele que cuidou de Dmitri na infância, a esposa e o filho Smerdyakov. Não há certeza sobre a filiação paterna de Smerdyakov, sendo ele filho de uma mendiga e louca da cidade que morreu no parto, mas todas as pistas apontam para Fyodor. Sua moral é questionada desde a apresentação do personagem e é apresentado com uma personalidade destoante e estranha ao meio, mas bastante fiel ao patrão.

Em doze partes acompanhamos a apresentação de todos esses personagens e da perspectiva religiosa e moral apresentada pelo livro sobre a época. – Aqui começa a parte de spoilers, então recomendo pular caso não conheça a história. – Após o assassinato de Fyodor, com todas as pistas apontando para um Dmitri fora de si de ódio e desespero, o livro muda de tom, apresentando personagens bem mudados, atingidos profundamente pelos acontecimentos. Nenhum dos filhos de Fyodor fica particularmente triste com o evento, mas suas consequências, com a acusação de Dmitri e a morte de Ilyosha (uma criança pobre com quem Alyosha se relaciona) revela novas faces de personalidades bem diferentes das que conhecemos até então. Vão revelar também novas relações de amor e ódio e trazem consequências nefastas.

A leitura se arrasta algumas vezes, mas nada muito grave. Na maior parte do tempo é uma delícia ler o livro: no começo pelas atitudes de Fyodor, que são tão fora de sintonia com os pares que fazem rir e se espantar, e depois pelo julgamento em si. Para mim a parte mais arrastada foi, na verdade, o discurso final de Zossima, com toda sua biografia desnecessária. Como o velho fala antes de morrer!

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