Livro: A Dança da Morte (Stephen King)

stephen-king-a-dança-da-morte.jpgOlha a pessoa voltando com tudo a ler o Rei. Finalmente tirei esse livro da minha prateleira de “TBR” para que ele se juntasse aos amiguinhos da minha sessão King da estante. E demorou. Oxi, se demorou…

Em “A Dança da Morte” (“The Stand”, no original) acompanhamos, à princípio separadamente e depois de forma una, os sobreviventes americanos de um desastre humano que assolou o mundo todo. Produzido nos laboratórios militares dos EUA, um vírus semelhante à gripe, mas que não tem cura, acaba escapando do controle e se espalhando sem que muito possa ser feito para sua contenção. O Capitão Viajante, como o vírus é conhecido, logo reduz cidades inteiras à apenas conglomerados de ferro e concreto, repletos de corpos que morreram saturados de catarro e ardendo em febres delirantes. Com uma mortalidade de cerca de 99%, toda a humanidade é reduzida a apenas alguns sobreviventes isolados em meio ao caos da civilidade que se torna o mundo.

Alguns personagens nos conduzirão pela história:
– Stu Redman foi o primeiro paciente imune ao vírus a ser descoberto, tendo tido contato com o paciente zero no Texas. Levado a uma instalação do Centro de Controle de Doenças, mas quando a morte chega do lado de fora o coitado fica isolado e precisa achar maneiras de fugir do local;
– Fran Goldsmith estava passando por um momento delicado na vida quando o vírus assolou com sua pequena cidade. A universitária se vê grávida para desgosto enorme da mãe, não tendo nenhuma intenção de ficar com o pai do bebê. Quando o vírus chega e leva todos a quem conhece, a única solução é  se juntar ao adolescente brilhante (mas um tanto estranho) Harold e sair do Maine;
– Larry Underwood é um músico que finalmente alcançou o sucesso. Sua música acaba de entrar nas listas da Billboard e a ser tocada nos rádios em torno do país. O sucesso, entretanto, parece não ter sido feito para ele, que se afunda nas drogas e na bebida, tendo que sair de Los Angeles correndo para a Nova Iorque onde cresceu, presenciando assim os momentos finais da mãe. Agora Larry precisa lutar contra sua tendência ao egoísmo para se unir as outras pessoas;
– Nick Andros é um jovem surdo-mudo que se comunica através de leitura labial e seus bilhetes. O rapaz está em uma longa excursão mochileira pelo país, sofrendo com a agressão dos bullys da estrada, quando o vírus assola tudo. Nas cidadezinhas do interior ele encontra Tom, um deficiente mental que se torna seu protegido pelo resto da história.
– Homem da Lata de Lixo é um personagem com sérios problemas mentais, um incendiário que ronda pelas cidades desertas apaixonado pelo fogo e pela destruição.

Para mim a melhor parte da história é justamente a primeira, quando King remete as conexões entre as pessoas, essas pequenas interações da sociedade, que permitem ao vírus chegar tão longe e em tão pouco tempo. Mostra também como algumas pessoas imunes acabam morrendo por motivos outros que a gripe, coisas bobas que seriam cuidadas em pouco tempo e com poucos esforços em circunstâncias normais, mas que sem a assistência da comunidade se tornam grandes problemas. Depois dessa descrição de cenário, somos apresentados às forças contrárias que disputarão a lealdade dos sobreviventes. No leste, uma velha negra de mais de 100 anos representa Deus e o bem, atraindo através de sonhos aqueles de melhor disposição para sua humilde fazenda e milharal, cantando seus hinos religiosos sentada no alpendre da casa onde sempre viveu. No oeste, Randall Flagg, que parece ter nascido de lugar nenhum, é uma força escuro que aparece nos sonhos, atraindo com seu poder e magia ou repelindo com sua ameaça muito vívida que faz com que as pessoas acordem gritando e assustadas.

A partir desse ponto a história perdeu bastante graça para mim, se tornando o confronto maniqueísta entre o bem e o mal. E posso lhe adiantar que por grande parte das mais de 1200 páginas é o mal que trabalhará com maior vantagem. Fran, a grande protagonista feminina da história, começa inexplicavelmente como uma menina mimada e chata, acostumada demais a ter tudo o que quer na hora que quer. A personagem melhora um pouco no meio do livro, mas no final lá está ela de novo, exalando exigências desvairadas. Os outros personagens são mais bem construídos e gostei especialmente de Nick e Tom. O autor, talvez pela sua juventude e inexperiência na época (esse é o seu terceiro livro publicado) comete alguns erros às vezes bizarros na construção dos personagens (como por exemplo, falar que um personagem que só havia lido um livro infantil na vida inteira conseguia citar “Dom Quixote”), mas nada tão grave. O que me irritou mais foi essa estranha necessidade de colocar o fator místico-religioso em uma história que se desenvolvia bem sem isso.

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