Livro: Delta de Vênus (Anaïs Nin)

0102.jpgÚltimo livro do Desafio Literário desse ano! E um que eu nem esperava terminar em 2016. Comecei a lê-lo pela curiosidade quanto à obra da autora, mas a narrativa é tão fácil que rapidinho terminei, bem antes do que tinha previsto.

“Delta of Venus” ou “Delta de Vênus” é uma coletânea de contos da autora, todos com cunho erótico. Logo no começo, Nin nos explica brevemente sobre suas conexões com outros escritores americanos, a dificuldade financeira que passavam e o estranho pedido de um colecionador que agia através de um agente, pedindo constantemente contos eróticos a esses autores. A cada vez que entregava um conto, movida mais pela necessidade do que por ser uma literatura que gostava de escrever, Anaïs relata que vinha o pedido de “menos poesia, mais ação”. A autora se esforçava, mas logo percebeu que a relato sexual só tinha sentido e só despertava emoções quando envolvido nessa aura de poesia que o colecionador detestava, com a descrição do que se passava no interior dos personagens, muito além do sentido físico.

Os contos oscilam. Há alguns tão curtos que não passam de poucas páginas e outros tão longos que dariam um livro curto, falando muito tempo de uma mesma personagem. Só que Anaïs, mesmo nesses contos mais longos, não é muito fiel ao seu personagem principal. Ela pode começar falando de Elena, por exemplo, e do desenvolvimento dessa personagem e no meio do caminho apresentar uma outra personagem que se torna sua principal por mais 30 páginas, para então voltar à Elena, de um modo um tanto confuso. Oscila também a qualidade dos contos, com alguns soporíficos entremeados a outros de maior qualidade.

A autora passa rapidamente por assuntos tabu como zoofilia, necrofilia e coprofilia (nada tão forte quanto os trabalhos de Sade, por exemplo), mas seu trabalho está mais fortemente ligado a suas personagens femininas e suas interações. É possível assim perceber alguns pontos de vista da autora em relação ao assunto, como sua crença que o sexo entre lésbicas nunca seria plenamente satisfatório pela ausência do falo e da posse sexual por alguma das partes. Outra coisa que aparece bastante é a ligação entre envolvimento emocional e sexual, com o sexo sendo apontado como atividade mais prazerosa quando há sentimentos envolvidos. Só que essa concepção às vezes bate de frente com outra noção da escritora de que toda mulher tem o desejo de ser possuída a sua revelia em algum momento. São opiniões no mínimo polêmicas, mas servem como base para uma das primeiras análises sobre a sexualidade a partir da visão feminina. Uma coisa interessante que eu notei na comparação das relações descritas por Nin e por autores do sexo masculino é a diferença no tratamento do pênis mesmo. Enquanto para os autores homens que li sempre havia muito valor relacionado ao tamanho e grossura do pênis para fazer de alguém bom ou mal amante, para Nin não há nunca essa comparação. O valor realmente está mais relacionado a como o homem exercita o sexo, como explora o corpo feminino e o conhece em todas as minúcias durante o ato, como consegue ler o que a mulher quer e agir com o corpo todo, com mãos e língua para saciá-la, coisa que inclui o órgão sexual, mas é bem superior a isso.

 

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