Livro: S. (J. J. Abrams; Doug Dorst)

J.J.-Abrams-S.-e1383918248963.jpg“S.” está longe de ser um livro simples de ser lido ou concluído.

Comprei-o como meu próprio presente de aniversário, abri na época, mas vi que me exigiria um tanto mais de dedicação e esperei pelo final do ano, essa época bem menos corrida, para ler, degustar e descobrir a obra de J.J. Abrams e Doug Dorst.

Assim que rompemos o selo da caixa, mergulhamos na narrativa gráfica de V.M. Straka e nas conversas de Jen e Eric nas margens do livro. Vou tentar separar em parágrafos, mas já falo que é bem difícil tentar explicar o livro para quem ainda não o pegou em mãos.

O Navio de Teseu, de V. M. Straka (pela tradução de F. X. Caldera): essa é a história de fato do livro contido na sua caixinha. Na introdução de F. X. Caldera, descobrimos um pouco mais sobre o mistério que é o autor da obra, nunca visto e com raras palavras além daquelas contidas em suas obras. ONDT é a última obra publicada por Straka e mantém o mistério de sua criação. Tomado como rebelde, envolvido em inúmeros incidentes em diversos países, Straka escreve cada um de seus livros em uma língua diferente e remete-os à Caldera, que faz a tradução e, no caso desse último livro, tem também a editora que o publica.

O Navio de Teseu conta a história de um homem inicialmente se nome, que se vê andando pelas ruas de uma cidade portuária certa noite, completamente molhado, sem qualquer lembrança sobre quem ou o que é, carregando apenas as roupas do corpo e um papel com um S escrito. Em um bar, conhece uma estranha que lê um livro grosso e por quem sente uma enorme simpatia sem que ele saiba precisar o porquê. Sua sorte termina aí, pois ele sofre uma agressão e é levado para um estranho navio com uma tripulação ainda mais estranha. A partir daí a história cada vez progride para tramas políticas, sociedades secretas, o pernicioso poder de um rico burguês que controla o mundo industrial e as pequenas sociedades submetidas ao seu punho de ferro. E vamos acompanhando esse personagem amnésico pela trilha que ele não escolhe, mas pela qual precisa percorrer pelas forças externas. É uma história de suspense, com um final um tanto aberto já que, como foi revelado por Caldera, o autor aparentemente faleceu antes que pudesse concluir à obra, deixando para F. X. a missão de tentar terminar sua obra.

Jen/Eric: Jen é uma aluna da graduação em literatura, que acha o livro com as primeiras anotações à lápis de um outro aluno nas margens do livro. Fascinada com o mistério que ronda o livro e o autor e querendo fugir um pouco das próprias responsabilidades de último período e das preocupações sobre a vida pós formatura, Jen começa a trocar com Eric impressões sobre a leitura e, claro, sobre quem seria Straka. É nessas primeiras trocas que conhecemos um pouco dessas aflições da garota e as decepções de Eric, que foi apagado dos arquivos da universidade após um desentendimento com o orientador. 

Jen/EricNa segunda troca de mensagens, os dois jovens vão rever alguns conceitos, assim como explicar melhor suas próprias histórias um para o outro. É também a parte em que Eric reassume com mais propriedade sua pesquisa, após a descoberta da identidade do tradutor dos livros e, inclusive, vem para o Brasil (!!!) para descobrir mais sobre o assunto. É também quando os dois personagens finalmente se veem pela primeira vez.

Jen/EricNessas cores está a terceira troca entre os personagens, revelando conspirações bem atuais que parecem perseguir (ou perseguem mesmo?) os dois enquanto eles se aproximam da verdade. Muito já foi descoberto nessa parte, então temos também uma releitura dos eventos passados e inclusive dos comentários anteriores pelos personagens.

Jen/Eric: Os últimos comentários deixados na escala temporal. São bem poucos (e eu bem que queria que fossem bem mais) e revelam um contexto em que os dois estão juntos, mas ainda assim gostam de rever seus comentários de outras épocas, principalmente comentando sobre como eram ingênuos em outras épocas.

Além disso ainda há fotos, cartões-postais, folhas diversas, mapas e outros itens dentro do livro, em meio às páginas, que ajudam o leitor a seguir junto com Jennifer e Eric a história de suas descobertas.

Vou confessar que fui uma leitora bem preguiçosa. Li que seria melhor (ou mais recomendável) ler toda a história de ONDT, depois ler as anotações em azul e preto, depois ler as em amarelo/verde e assim por diante. Vou confessar que não consegui. Não tenho esse controle todo e, como estou acostumada a ler mais de um livro de uma vez, achei mais fácil ir lendo o livro e montando os quadros em separado na cabeça através de uma leitura una. Não interferiu para mim, mas para um leitor que precisa de mais atenção para captar detalhes, talvez seja recomendável (mas saiba que você vai gastar bem mais tempo que eu gastei na leitura). Também não me dediquei aos outros mistérios que dependem do leitor nesse livro-jogo. Talvez em uma próxima leitura, mas dessa vez não senti nenhuma vontade de buscar pistas por mim mesma.

Quem me segue por aqui sabe que eu adoro os livros digitais e substituí boa parte de minhas estantes por eles e sua praticidade. Entretanto esse, como disse, é um livro para ser degustado em suas minúcias, impossível o fazer sem o papel e o tecido da capa, sem essas dezenas de anexos às páginas principais. Pelo site da editora, o preço sugerido é de quase 100 golpinhos, então vai ser sofrido, mas aconselho a comprá-lo por essa experiência literária tão particular.

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