Três anos desse bloguinho!

bolo31Sim! Quase me esqueci, mas aos 45′ do segundo tempo bateu aquela sensação de que algo devia ser celebrado no dia 14/12 e percebi que, olha só, era esse cantinho aqui esquecido que está fazendo anos!

Como esse ano, devido especialmente à faculdade, não programei nenhum post para essa data comemorativa, queria colocar aqui um ponto que tenho achado importante comentar.

Quando eu comecei a usar “azinternet”, lá pelo começo dos anos 00, o que mais tinha nessas paragens eram blogs. Os blogs eram aquele cantinho do mundo virtual onde você podia falar sobre seus sentimentos mais íntimos, elaborar textos sobre assuntos que lhe interessavam e que não tinham a necessidade de grande fundo teórico e, basicamente, um espaço para se escrever o que quiser, sem amarras. E eram muito lidos. Em uma época em que o conteúdo ainda era mais escasso e as pessoas tinham um tantinho mais de paciência para textões como esse que aqui se desenvolve, blogs faziam sucesso e, somando-se a fotologs e ao flogão (que eram mais especializados em fotos), quase todo mundo tinha o seu cantinho para escrever e acessava o conteúdo de blogs para se informar ou divertir.

Com o tempo outras mídias e redes sociais foram surgindo, focadas cada vez mais em imagens como representação de gostos do indivíduo ou do que ele é e cada vez menos em palavras. O Twitter nunca ganhou a força prometida em seu surgimento e redes como Instagram e Snapchat se sobrepuseram e hoje se tornaram as principais. Além disso, o YouTube cresceu e “roubou” o conteúdo que era dantes apresentado nos blogs, de forma falada e com riqueza de estímulos visuais e sonoros.

E eu escrevi tudo isso para evidenciar o óbvio: a imagem roubou o espaço que era da palavra. O conteúdo tem cada vez menos aparecido em forma de texto corrido e antigos blogueiros hoje aconselham: se você quer ganhar dinheiro criando conteúdo, migre para o YouTube. Para mim isso quer dizer: a humanidade está perdendo a capacidade de lidar com textos longos, sente cansaço só de pensar em passar por mais de três linhas. Fomos muito acostumados com informação rápida, de manchete de jornal, sem exploração mais aprofundada de nada, então mude ou desapareça.

Mas a gente está aqui para nadar contra a maré.

Primeiro, como já disse antes, nunca pensei em criar conteúdo apenas voltado para a monetização. Quando criei esse blog queria apenas um espaço para colocar minhas impressões sobre os livros que lia e séries que via, um lugarzinho na nuvem que não seria perdido por um defeito de HD ou algo do tipo. Em segundo lugar, me expresso melhor via textual, então esse espaço é perfeito para conseguir elaborar com maior atenção sobre meus passatempos, coisa que não conseguiria fazer apenas com uma legenda de foto. Em terceiro lugar: a gente gosta mesmo de ser do contra e atrair exatamente o tipo de pessoa que conseguiu chegar até essa vírgula aqui no texto, as pessoas que ainda se interessam. Os leitores (e amigos) que ainda me interessam.

E isso não serve como desabafo ou crítica a qualquer um, mas ultimamente parece que todo mundo se dedica a pensar em como ganhar mais dinheiro se esforçando o mínimo, se esquecendo do porquê começaram a lidar com esse tipo de conteúdo, porque estão deixando de fazer o que amam para buscar o sucesso, transformando o que era um prazer em obrigação e se penalizando com isso. Um dos motivos pelos quais eu não cursei literatura ou letras, mesmo amando o conteúdo, é exatamente porque não queria transformar meu hobby, o que me relaxa ao final de um longo dia, em uma obrigação e assim perder qualquer estímulo e amor pela leitura. Até hoje não sei se essa foi exatamente a decisão adequada, mas os livros continuam um bálsamo para me tirar do tédio, da tristeza e até do cansaço, e se fossem uma obrigação acho que não teria como me apoiar como hoje me apoio, ficando mais estressada e triste com isso.

Nesse aniversário do blog, me sinto novamente muito feliz por ter esse canto recheado das impressões que tive, pelos pequenos momentos de prazer diário e inofensivo aqui descritos, pelas abstrações de algumas horas nos dias corridos que esse espaço me oferece em meio ao caos e me sinto agradecida também pelos meus 67 seguidores, prova de há ainda aqueles que continuam a acreditar no poder da palavra.

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