Livro: Mansfield Park (Jane Austen)

0100A vida tá um caos e eu quase esqueci que ainda não tinha escrito a resenha tradicional para esse livro, logo o #100 do Desafio Literário. Sim, meu povo, cheguei aos 10% do Desafio!! Palmas para mim (não tantas porque em um ano menos atribulado eu teria chegado a essa meta em coisa de 6 meses).

Com “Mansfield Park” termino de ler todos os romances de Jane Austen, o motivo pelo qual ter sido esse o livro escolhido para esse número redondo e bonito.

A protagonista da história é Fanny Price, a filha mulher mais velha de uma casa de muitos filhos. A mãe de Fanny fez um mal casamento motivado pelo amor e os parentes mais abastados, movidos por motivos não muito sinceros e mais baseados na filosofia cristã, decidem ajudar essas pobres crianças, arranjando um posto de trabalho para William, o menino mais velho, e “adotando” Fanny em sua casa, como companhia de Mrs. Bertram, irmã da mãe da menina de 10 anos. Vale dizer que o plano inicial não era Fanny se instalar na casa dos Bertram devido ao temor de uma paixonite entre primos (os Bertram tem dois filhos, Tom e Edmund, e duas filha, Maria e Julia). A outra tia de Fanny, que mora nas proximidades dos Bertram deveria ficar com ela, mas ela consegue se livrar de seu fardo com uma de suas desculpas (que passa o livro todo arranjando para não perder seu rico dinheirinho).

Com 10 anos, a pequena e tímida Fanny é transportada para a casa dos parentes desconhecidos e inserida nesse ambiente que nada tem a ver com o ruidoso lar de onde saiu. Apesar de bem acolhida, a menina é tratada sem muitas simpatias à mudança de sua condição, sendo exigido seu reconhecimento e agradecimento constante à benfeitoria dos tios que se esforçaram para acolhê-la e educá-la. Apenas o primo Edmund parece perceber o motivo do comportamento mais introspectivo da menina e se esforça para ser seu amigo e auxiliá-la sempre.

Passam-se os anos e quando Fanny tem 16 anos, Mr. Bertram precisa se ausentar para solucionar alguns problemas ocorridos nas propriedades em Antigua. Na viagem ele leva o filho mais velho, Tom, que começou a apresentar um comportamento inapropriado e muito gastador durante os últimos anos, tendo sido necessário inclusive diminuir a renda de Edmund para custear as farras do primogênito em Londres. Nos anos que se passaram, Fanny se tornou uma boa companhia para a tia Bertram e o alvo contante de reprimentdas de tia Grant, que sempre encontra faltas em seu comportamento, mesmo a moça ainda agindo quase sempre como a ratinha calada e invisível dentro de casa. Edmund se tornou uma figura tão amada para Fanny quanto seu irmão William, que sempre lhe escreve longas cartas sobre suas aventuras no mar.

Durante a ausência de Mr. Bertram, Maria contrai noivado com um pretendente por quem não tem nenhuma afeição, mas que é rico e significa uma boa opção para a moça se tornar senhora de uma mansão. Tom acaba voltando antes da viagem, assim como chegam à vizinhança novas pessoas, os irmãos Henry e Mary Crawford, que são descritos como não tendo a melhor das educações, mas sendo tão charmosos que as duas irmãs Bertram acabam se interessando por Henry e Edmund (para tristeza de Fanny) se interessa por Mary. Fanny é obrigada a presenciar em silêncio e com crescente repúdio a todas as atitudes inadequadas dos parentes e dos visitantes que se acumulam na casa por conta da encenação de uma peça considerada polêmica. Enquanto os ensaios para a peça se desenvolvem algumas relações se desenvolvem enquanto outras são enfraquecidas. A única que recusa um papel no espetáculo é a própria Fanny, o que suscita novas críticas. A tudo isso Mrs. Bertram parece nem atentar, como sempre desligada dos assuntos familiares que não se relacionem ao marido e ao cachorrinho, e Mrs. Grant incentiva, feroz na tentativa de arranjar um noivado para Julia com Henry Crawford, sem nem notar as interações impróprias entre Crawford e Maria.

A chegada de Mr. Bertram inesperadamente muda o quadro novamente. A peça não se realiza e o casamento de Maria com o noivo insosso se torna uma realidade. Entretanto, os vizinhos Crawford continuam presentes, o que contribui para a manutenção dos flertes entre Mary e Edmund e para uma nova relação se insinuar, com Henry cortejando Fanny. Essa nova relação para Fanny é extremamente incentivada pelo tio, mas rejeitada veementemente por Fanny, tanto por seu desprezo às atitudes anteriores do rapaz com as primas quanto por seu amor por Edmund. E eu já escrevi demais, mas muita água ainda rola até que o romance se desenvolva ao final feliz que todos os livros de Austen apresentam.

A personagem de Fanny é, talvez, a mais apagada de todas as protagonistas da autora. Testemunhando sempre na sombra dos eventos, sem muito protagonismo de fato, Fanny parece aguardar pacientemente o desenrolar dos eventos que se concentram nos outros núcleos. Mrs. Grant é a personagem mais odiada do livro, com suas atitudes tão díspares entre as sobrinhas e o egoísmo e apego à suas rendas. Mary é escrita para ser odiada pelo leitor, mais até do que Henry, com seu aparente desprezo pela religião e necessidade de fazer um bom casamento com um homem de muitas posses, mas não desgosto tanto dela quanto Jane Austen quer me fazer desgostar porque na sociedade da época, tão injusta com as mulheres, a atitude dela me parece carregar ao menos certa liberdade e racionalidade. A família real de Fanny  é um esteriótipo do que a autora provavelmente concebia de famílias grandes, com a ideia de ignorância e falta de educação e polidez, algo que também aparece em “Orgulho e Preconceito”. De longe, esse não é meu livro preferido da autora. Muito arrastado em alguns pontos (aqueles ensaios do teatrinho não terminavam nunca!), com uma protagonista apagada e um protagonista masculino sem muitos atrativos também, o livro passa longe do brilho de outras obras da autora, ainda tentando dar uma lição de moral e bons costumes à história.

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