Livro: The Unbearable Lightness of Being (Milan Kundera)

0098Se você segue meu instragram (@meulogbook) sabe que essa semana não rolou nem mesmo um episódio de dorama para ocupar tempo livre. O porquê? Não houve tempo livre!! Após uma looonga semana na faculdade de medicina (na qual eu perdi dois quilos e fiz quatro provas) voltamos à programação normal e consegui concluir um livrinho.

Quem dentre os que gostam de ler nunca escutaram sobre “A Insustentável Leveza do Ser”: Talvez apenas aqueles leitores mais novos e que ainda estão conhecendo as águas em que acabaram de entrar. Mas eu, burra velha, já tinha escutado diversas vezes sobre a beleza desse livro, mas não tinha a menor vontade de ler até o Desafio sorteá-lo. Cheguei a começar a leitura ali pelo meio do ano, mas não estava no clima, comecei achando-o muito confuso e acabei adiando para outra época, uma decisão muito sábia.

Seguimos no romance de Kundera alguns personagens, mas esse é daqueles livros em que o narrador é o mais importante e revela aspectos ocultos aos personagens, sua própria filosofia sobre alguns assuntos, inclusive sobre a existência humana, de cuja resolução nasce o título do livro. Esse é um pequeno “monológo” do autor ao princípio do livro que começa a guiar nosso conhecimento sobre Tomas, Tereza, Sabine, Franz e Simon.

Tomas é um cirurgião em Praga, República Tcheca, no anos 60. Divorciado e constantemente cercado por mulheres, sua vida muda quando uma garçonete chega à porta de sua casa com um volume de “Anna Karenina” embaixo do braço. Essa mulher é Tereza, que à princípio só queria fugir da cidadezinha onde vive, mas encontra em Tomas o receptáculo perfeito para todo o amor que ela tinha a dar. A relação é repleta de pequenos conflitos silenciosos e jogos de poder (que Tomas domina). Apesar da aparente frieza de Tomas e suas tentativas de negação, Tomas ama Tereza e não consegue ficar longe dela. Es muss sein, ele repete, e sempre volta para ela, apesar das diversas outras camas femininas que habita.

Já Tereza é uma personagem de melancolia intrínseca, que não consegue viver com real leveza com ou sem Tomas. Seu mundinho gira em torno de uma relação abandonada com esse homem e, quando ele lhe dá um cachorro, esse sim representa para ela sua casa, sua segurança. Buscando no espelho algo que seja mais Tereza do que vindo de sua mãe, temendo constantemente encontrar os traços dela em seu rosto, logo daquela de quem nutriu tanto ódio e fugiu durante a adolescência.

Há ainda Sabine, uma das amantes de Tomas. Sabine é pintora e aquela que representa o viver livre e leve sobre o qual o autor nos contou como impossível aos seres humanos durante o começo do livro. A real leveza de Sabine significa se desconectar de tudo que seja irreal e forçado na humanidade, tudo que mascare o que é a verdade. E é assim que são seus quadros e assim também é como ela conhece outro de seus amantes, o professor Franz, que abdica de sua vida construída firmemente, de sua mulher (que odeia) e da filha (que despreza) para no final da vida se dedicar a esse amor. E assim que ele faz isso que Sabine revela seu desprezo pelas amarras de qualquer tipo.

Mas nada desses pontos de enredo, de ações em pontos do tempo são importantes. Tanto  é assim que eles constituem frouxamente sua linearidade, a narração indo e voltando a todo momento, os fatos servindo de moldura para o que há além, que é o ponto de vista filosófico que Kundera apresenta para diversas questões. Toda a história se passa e muda conforme a invasão russa ocorre na República Tcheca e assim o autor fala sobre aspectos humanos. Uma existência leve não significa uma melhor que uma pesada e o autor reflete sobre o que faz com que acreditemos que determinada existência implica em felicidade em detrimento de outra. Kundera abre a relação do escritor com seus personagens para seu leitor e diz que os criou por essa ou aquela razão, que os nomeou daquela maneira porque “ele gostaria de ter um nome bíblico como o pai” e outras coisas nesse molde. É uma leitura que flui de maneira prazerosa e não se complica com as paradas de contemplação filosófica.

 

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