Livro: Brave New World (Aldous Huxley)

0097Fiquei tão chateada por “Fahrenheit 451” não fazer parte do Desafio Literário que acabei buscando outra distopia em que me ancorar. E caí nos braços de “Brave New World”, do qual já sabia o enredo em detalhes porque assisti à adaptação de 1998 e li uma versão resumida quando criança (!), simplesmente porque lia tudo que caía nas minhas mãos naquela fase.

O livro foi publicado em 1932 e se passa em um futuro em que a humanidade acabou evoluindo para uma organização fordista de desenvolvimento. O começo é um pouco confuso pois um mesmo capítulo pode trazer muitas “vozes” sobre essa realidade em que acabamos de cair.

Temos o Diretor de um Centro de Condicionamento, Thomas, ensinando à ávidos Alfas sobre como são inseminados e tratados os fetos em garrafas que darão origem às castas da sociedade: Alfas, Betas, Gamas, Deltas e Épsilons. Alfas são o topo, tendo tido acesso aos melhores nutrientes e condições, além de desde à infância terem escutado repetidas vezes em seu sono sobre sua superioridade em relação aos outros. O condicionamento vai caindo até os Épsilons. Coisas que distinguem as castas: cores de roupas, qualidade de vida, trabalho, altura (que aumenta conforme a “nobreza” da casta) e o processo Bokanowski (presente em castas mais baixas, é um processo científico que permite a criação de múltiplos gêmeos saídos de um mesmo embrião. Alfas e Betas são únicos, ou seja, 1 óvulo + 1 espermatozóide = 1 bebê).

Por Lenina Crowne, Alfa, temos o ponto de vista de alguém completamente integrado à sociedade, que nunca questionou seu papel na organização e no corpo formado por seres humanos. É por ela também que aprendemos um pouco sobre os métodos anticoncepcionais adotados nessa sociedade que não admite como natural a existência de casais, pais e mães. Também temos a mania constante da utilização do Soma, espécie de droga que dá efeitos semelhantes ao álcool, mas sem nenhuma consequência negativa ou culpa na utilização.

Com Bernard Marx, outro Alfa,  temos um ponto de vista destoante. Nascido com um tamanho um pouco reduzido para um Alfa, Bernard acaba por experimentar uma criação um pouco diferente e, talvez por causa disso, é visto como estranho por seus pares. Especializado em hipnopedia (as frases que são repetidas em sono para as crianças), esse personagem guarda muito rancor por seus pares e acende um sinal de alerta nos altos controles, só se mantendo em segurança devido ao seu valor como funcionário.

Há outros personagens, mas esses são os principais na linha que se seguirá, quando Bernard, após uma visita a uma área selvagem, traz a Londres Linda e John. Linda é uma Beta que se perdeu em uma visita com um Alfa e acabou isolada e grávida na área selvagem por muitos anos, tendo dado à luz (para seu completo horror e asco) a John, que também é um desencaixado a sua maneira, não tendo sido condicionado como a mãe e acatando a todos os postulados dos povos selvagens (como religião, matrimônio, amor etc). Mais importante, John teve acesso a um compêndio das obras de Shakespeare e conhece as obras de cor, tendo sido de seus lábios que sai a frase “admirável mundo novo” em referência a “The Tempest”. Levado à civilização, John se deparará com toda a maravilha e ao horror de ver essa sociedade sem defeitos e sem alegria, sem qualquer emoção que os mova ou qualquer perspectiva de felicidade e infelicidade, sem individualidade ou fé. Sem nada que os faça humanos e não máquinas. E não há meio de os “libertar” pois o condicionamento os fez nem ao menos perceber o que seria uma opção alternativa que John tenta apresentar…

“Admirável Mundo Novo” deixou muitas referências na cultura, inclusive um álbum do Iron Maiden e as músicas “Admirável Gado Novo” de Zé Ramalho e “Admirável Chip Novo” da Pitty. Mas eu queria deixar aqui mesmo uma referência bem particular que é a música dos Strokes que faz referência à utilização de Soma, do álbum Is This It (porque já faz tempo que não fazia referência à músicas por aqui):

https://www.youtube.com/watch?v=QU-LToyO7HE 

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