Livro: Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)

Fahrenheit-451.jpgAconteceu de novo.

Terminei um livro crente que ele fazia parte do Desafio, comemorei, postei no instagram, no Facebookson e… não faz parte. E esse era um dos que eu tinha uma convicção ferrenha de que fazia sim, tamanha a fama do livro. É essas e outras que me fazem duvidar que a lista tenha alguma validade real.

Pois bem, “Fahrenheit 451” é uma distopia. Os graus de temperatura do título se referem aos bombeiros da nova era proposta por Bradbury. Com os prédios sendo “envelopados” por um material anti-fogo, os bombeiros perderam sua função primordial. A sociedade exige deles uma nova função: localizar quem tem livros em casa e queimá-los. À princípio essa também é a função de Guy Montag, o personagem principal da trama. O Guy do começo do livro tem mesmo uma sensação boa enquanto queima as obras, mas com o desenvolver de alguns fatos (que incluem a morte trágica de uma senhora em meio à pira dos livros, o contato com uma jovem de 17 anos que aprecia a cor do céu e os movimentos estranhos da natureza que conferem as quatro estações e a tentativa de suicídio da esposa, Mildred), Guy começa a mudar suas perspectivas quanto à realidade pela qual está cercado.

Clarice McClellan, essa jovem, desaparece subitamente. Já Mildred, após o tratamento habitual recebido em casa para casos como o seu (uma básica lavagem estomacal), retorna à vida cotidiana como se nada tivesse acontecido, rodeada por suas telas e sua “família” que apresentam um simulacro de realidade. Mas Guy se encontra mudado para sempre. Agora ele tem real curiosidade pelo o que está contido nos livros, pela sociedade que existia antes dos bombeiros criarem o fogo. É o chefe de Montag, Capitão Beatty, que dá um panorama dessa realidade e revela como a própria sociedade ofereceu a demanda pela quebra de paradigma, para a queima dos livros (trecho esse que vou copiar aqui embaixo, então passe ali no fim do texto para ler).

Guy revela à esposa um fato interessante: sua coleção de livros escondidos, que ele nunca havia lido, apenas acumulado por mais de um ano, desde o encontro com um senhor de nome Faber. A esposa teme e nada quer ter a ver com o assunto. Já o bombeiro lê muitas das obras e entra em contato novamente com o senhorzinho.

O desfecho do livro é inesperado. O livro nos alerta de tal possibilidade muito en passant e ver de fato concretizar-se um fato que pode dar brechas para grandes mudanças no futuro, tanto de Guy quanto dessa América estranha apresentada, vem com parecer de estranheza e esperança.

Trechinho extraído da obra, em discurso do Capitão Beatty:

“(..) Se não quiser um homem politicamente infeliz, não lhe dê dois lados de uma questão para resolver; dê-lhe apenas um. Melhor ainda, não lhe dê nenhum. Deixe que ele se esqueça de que há uma coisa como a guerra. Se o governo é ineficiente, despótico e ávido por impostos, melhor que ele seja tudo isso do que as pessoas se preocuparem com isso. Paz, Montag. Promova concursos em que vençam as pessoas que se lembrarem da letra das canções mais populares ou dos nomes das capitais dos estados ou de quanto foi a safra de milho do ano anterior. Encha as pessoas com dados incombustíveis, entupa-as tanto com ‘fardos’ que elas se sintam empanzinadas, mas absolutamente ‘brilhantes’ quanto a informações. Assim, elas imaginarão que estão pensando, terão uma sensação de movimento sem sair do lugar. E ficarão felizes, porque fatos dessa ordem não mudam. Não as coloque em terreno movediço, como filosofia ou sociologia, com que comparar suas experiências. Aí reside a melancolia. Todo homem capaz de desmontar um telão de tevê e montá-lo novamente, e a maioria consegue, hoje em dia está mais feliz do que qualquer homem que tenta usar uma régua de cálculo, medir, comparar o universo, que simplesmente não será medido ou comparado sem que o homem se sinta bestial e solitário. Eu sei porque já tentei. Para o inferno com isso! Portanto, que venham seus clubes e festas, seus acrobatas e mágicos, seus heróis, carros a jato, motogiroplanos, seu sexo e heroína, tudo o que tenha a ver com reflexo condicionado. Se a paça for ruim, se o filme não disser nada, estimulem-me com o teremim, com muito barulho. Pensarei que estou reagindo à peça, quando se trata apenas de uma reação tátil à vibração. Mas não me importo. Tudo o que peço é um passatempo sólido.”

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One thought on “Livro: Fahrenheit 451 (Ray Bradbury)

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