Livro: Eu, Robô (Isaac Asimov)

0095.jpgSempre quis ler alguma coisa de Asimov, tamanha a fama do escritor em literatura de ficção científica. E eu nem gosto tanto assim de ficção científica…

O livro apresenta contos que seguem uma lógica temporal, apresentando os robôs e a evolução da “espécie” de aparelhos quadrados sem muita mobilidade e interação até exemplares altamente sofisticados e dificilmente distinguidos dos seres humanos.

Logo no começo somos apresentados à figura de Susan Calvin, a primeira e maior robô-psicóloga, um trabalho que envolve basicamente interpretar as interações que divergem do usual dos robô fabricados pela empresa U.S. Robôs e Homens Mecânicos através das três leis da robótica:
1) um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal;
2) os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que tais ordens entrem em conflito com a primeira lei;
3) um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores.
Um repórter deseja realizar uma reportagem sobre a vida da Dra. Calvin e a procura, o que faz com que ela conte as seguintes histórias:

“Robbie”: sobre uma menininha e seu fiel robô-babá, de quem essa menina não consegue se ver longe. É uma história introdutória em muitos aspectos porque aborda a dependência de uma nova geração em todos os sentidos dessa nova tecnologia, enquanto a geração anterior, na figura da mãe da guria, é reticente quanto às interações e à amizade entre os dois.

“Andando em Círculos”: a primeira história do livro sobre uma dupla de cientistas um tanto engraçados que sempre trabalham em dupla e encontram sempre um enigma em seus trabalhos. Donovan e Powell estão iniciando os trabalhos em uma estação Mercúrio quando Speedy, um robozinho que deveria trazer alguns minérios vitais, aparentemente enlouquece na área externa à estação. Os dois precisam se arriscar e lidar com uma tecnologia ultrapassada de robôs do local para decifrar o que está atrapalhando Speedy e trazê-lo de volta, garantindo a própria sobrevivência.

“Razão”: mais uma vez Donovan e Powell são mandados para uma missão fora da Terra, tendo que se assegurar que um robô de alta racionalidade apelidado de Cutie execute a tarefa antes executada por humanos com efetividade. Entretanto, algo acontece de errado e Cutie começa a ter plena convicção que nada do que os dois falam é verdade: que não foram eles que criaram humanos, que não há uma Terra, que não há nem espaço… Essa razão ineficaz do robô só aponta uma saída religiosa para o problema: ele passa a acreditar em um Mestre criador e os outros robôs da estação creem que ele seja uma espécie de profeta. Donovan e Powell se veem diante de um grande perigo, mas a estação funciona bem, o que só os deixa concluir que não há mal nesse proceder dos robôs, partindo para a Terra e deixando os robôs religiosos.

“É Preciso Pegar o Coelho”: Donovan e Powell aparecem em mais esse conto, trabalhando agora em um asteroide com um novo robô que possui seis subsidiários, seis “dedos” que trabalham em dependência desse robô principal. Algo parece estar dando errado, com os robôs apresentando um estranho comportamento sempre que não estão em presença de seres humanos. Donovan e Powell começam a realmente temer quando veem que os sete robôs parecem estar executando exercícios militares ou “danças” quando não vigiados. A resposta para o que está ocorrendo de errado acaba mostrando-se bastante simples ao final, como um “tamborilar de dedos” sem razão, momentos em que a “mente” se desliga.

“Mentiroso!”: em um incidente único e sem explicações na linha de montagem, a U.S. Robôs acaba produzindo um único exemplar de robô que consegue ler mentes. Susan Calvin está intimamente ligada a essa história, que é uma vergonha pessoal para ela, pois ela e outros executivos da empresa acabam sendo manipulados pela máquina, que segue respeitando as três leis e responde o que quer que seja que agrade a seus mestres humanos.

“Um Robozinho Sumido”: em uma base militar em um asteroide estão instalados robôs únicos que não obedecem totalmente à primeira lei. Susan se mostra chocada pelo fato e alerta para a gravidade de tamanha existência, afirmando que teria se demitido caso soubesse antes desse novo robô. Ela está no asteroide para resolver um problema: um desses equipamentos desapareceu em uma carga de 72 outros robôs recém-chegados que são idênticos em aparência e valem milhões. Sua tarefa é descobrir qual dentre eles está mentindo, uma tarefa um tanto complicada que pode ser bastante perigosa.

“Fuga!”: uma empresa concorrente à U.S. Robôs propõe um acordo no que se refere ao que todos andam buscando: viagens pelo hiperespaço. O super-computador dessa empresa havia sofrido danos após tentar realizar os cálculos dessa viagem e eles contam com o Cérebro, super-computador da U.S., para desenvolver o plano. Susan gerencia como apresentar os dados ao computador, que mostra que é prático construir tal nave, apesar de seu novo comportamento um tanto arriscado. Donovan e Powell mais uma vez participam de uma aventura não planejada, que dá a eles uma perspectiva diferenciada das coisas.

“Evidência”: estamos em uma outra época desse universo criado por Asimov. Nessa história, Susan já é uma senhora e agora os robôs chegaram realmente à aparência humana. Nesse contexto, uma pessoa busca a empresa U.S. Robôs e Homens Mecânicos para tentar descobrir a real identidade de um político chamado Stephen Byerley. Quinn afirma que na verdade Byerley é um robô pois andou observando-o e ele nunca come ou dorme. Não é possível fazer exames físicos sem a anuência de Byerley, que realmente se nega a qualquer prática do tipo, e a empresa na verdade nada consegue descobrir sobre o homem. Com a chegada das eleições o boato de que o concorrente à prefeitura é um robô se espalha e ganha vulto. Byerley, entretanto, tem uma carta na manga para provar sua humanidade. Sabemos também que Susan provavelmente não revelaria que um robô se candidatou a cargo político por acreditar que eles seriam melhores administradores e tratariam melhor os cidadãos de carne e osso do que a humanidade real, já que estão submetidos às três leis.

“O Conflito Evitável”: mais um pequeno pulo temporal. Somos apresentados à um novo mapa terrestre, separado em poucas grandes áreas, cada uma com um coordenador, sob a ordem de um Coordenador terrestre, que no caso é nosso velho e bom Stephen Byerley. Susan é chamada por Byerley devido a uma importante questão sobre os pequenos erros que estão aparecendo nas máquinas regionais, que controlam todos os aspectos econômicos das atividades humanas. A teoria proposta é que esses erros têm a ver com a composição (novamente) das três leis e que essas máquinas estão delicadamente retirando de cargos de poder pessoas ligadas a movimentos anti-robôs, pelo bem da humanidade.

Todos esses contos tem seu quê de fascinante, seja pela questão humana aplicada aos robôs ou essas pequenas corrupções e dilemas que as três leis acabam gerando. Fiquei maluca para ler outros livros do autor pois devorei esse livrinho em bem pouco tempo.

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