Livro: Carta a Uma Nação Cristã (Sam Harris)

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Em menos de 100 páginas, Sam Harris conseguiu com que eu nunca mais queira pegar qualquer um de seus livros nas mãos.

Sam Harris, apesar de seus 59 anos, pode ser considerado um neo-ateu, daquela mesma classe que povoa a ATEA e sente-se mais sábio e esclarecido que todo e qualquer religioso que passe por ele. Americano, o autor utiliza seu livrinho para apresentar ao religioso (que chama a todo momento por “você”) para tentar des-catequizar a pessoa, através do que Richard Dawkins apresenta no prefácio como argumentos novos e fortíssimos.

Mas Sam Harris não consegue convencer nem a mim, outra atéia, de seus argumentos, imagine então aos religiosos.

Primeiro quero dizer que me irrita muito essa visão neo-ateia de doutrinação já que não ser religioso deveria significar também não implicar com a fé do outro e, principalmente, não atuar como uma força religiosa tentando impor doutrinas (que nem existem) para outras pessoas. Resumindo: não “pregar” ser ateu.

Entretanto, essa é a vontade de Harris. Ele ativamente deseja que seu leitor “veja a luz da verdade” e se torne um fellow ateu, provavelmente lendo uma bíblia nova escrita por Dawkins. E você acha que pelo menos os argumentos apresentados vão conter alguma força e algo de novo? Ledo engano. Além de repetir em tópicos longos e confusos argumentos já batidos e que eu já via lá nos chats de ateus do UOL quando tinha 14 anos, Harris ainda molda fatos e estatísticas para provar sua opinião, índices esses que qualquer um com um mínimo de conhecimento ligaria a fatores múltiplos além da religião. Exemplo: em determinado ponto do livro, Harris apresenta que a maioria da comunidade carcerária dos Estados Unidos é formada por religiosos, como ponto para dizer que a religião não garante moralidade. Apresentando os dados dessa maneira, Harris ignora qualquer ponto em relação a religiosidade como um todo na comunidade americana, além de fatores socio-econômicos e de exclusão que possam ser também ligados a primazia de certa classe/etnia/religião atrás das grades. Em um ponto pouco adiante do livro ele afirma que todos esses dados além não são importantes e podem ser ignorados. Migo, me poupe, se poupe, nos poupe. Parece que você sabe que está fazendo merda com esses dados, mas pelo bem de sua “argumentação” não se importa.

É um livro que não recomendaria nem para religiosos nem para ateus. Nenhum dos dois grupos ganhará nada com essa leitura.  Esse livro é um exemplo de como argumentos não devem ser apresentados.

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