Livro: Life of Pi (Yann Martel)

0090Yann Martel é um mentiroso. Mente que tem ideias originais, mente sua importância e, mais importante, mente que sabe escrever.

Essa foi a conclusão que tive após ler muito sobre “Max e os Felinos”, obra do brasileiro Moacyr Scilar (apesar de ainda não ter lido a obra mesmo, o que planejo fazer em breve) e o próprio livro de Martel.

Minha vontade de ler qualquer livro do autor é quase zero. Incrível que mesmo com a tentativa de críticos e leitores durante a campanha do Oscar do filme em tratar do assunto de plágio, o assunto passou desapercebido para muitos, inclusive os brasileiros que muito se interessariam sobre esse “escritor menor” (palavras de Martel), periférico, cujo conto não apenas “deu a faísca de vida” (palavras de Martel) à sua própria história, mas sim foi amplamente copiada no que tem de mais central. E copia mal.

O protagonista da história é Piscine (Pi) Patel, jovem que sobreviveu à grande provação de viver por mais de 200 dias no mar, só em um barco com um tigre. Pi narra sua história para um escritor sem muita inspiração, que escuta em 100 capítulos sobre a vida prévia de Pi em Pondicherry, Índia. Pi é o filho mais novo de um casal do que equivaleria a uma classe média. O pai de Pi é dono de um zoológico e a infância do garoto foi ao som do gralhar, piar, uivar e rosnar dos animais por que passava em suas idas e vindas. Muito novo, Pi procura a religião para ter em que se ancorar. E o menino não procura apenas uma religião, mas frequenta sem distinção às missas da Igreja Católica, realiza os rituais diários do Islã e procura à religião Hindu. Pi viverá o resto de sua vida buscando a qualquer dessas religiões com igual fervor, sem nunca adotar um caminho único para seguir pois tem convicção que o caminho que apontam é o mesmo.

Com a perspectiva de grandes dificuldades econômicas na Índia devido à mudança de governo, o pai de Pi anuncia a mudança da família para o Canadá. Para a viagem são feitas grandes preparações pois boa parte dos animais seguirá junto com a família, no navio cargueiro Tsimtsum. Tudo muito bom, tudo muito bem, se o navio não naufragasse em alto mar e deixasse como sobrevivente em um barquinho em meio às ondas apenas Pi, um tigre chamado Richard Parker, uma orangotango,  uma hiena e uma zebra de perna quebrada. Os outros animais desaparecerão com o tempo, ficando apenas Pi e Richard Parker no barco para resolverem seus problemas.

Pois bem, o livro é escrito de maneira pedante (e isso eu já achava bem antes de encontrar as acusações de plágio). Martel dá a impressão de querer impressionar o leitor com frases de efeito que não atingem o ponto e uma narrativa falsamente espiritual. Falha com louvou nas duas coisas e constrói um livro chato, longo demais para o que se propõe, com uma arrogância ímpar de narração, pois o autor certamente se acha melhor escritor do que em realidade é. O que fica ainda mais grave quando você começa a pesquisar sobre o autor para descobrir porque tanta arrogância ao escrever e descobre que, na verdade, a ideia da história foi toda chupinhada de um conterrâneo, sem a devida atribuição de autoria da ideia. Que papelão, senhor Martel.

Advertisements

One thought on “Livro: Life of Pi (Yann Martel)

  1. Pingback: Retrospectiva 2016 | Meu Logbook

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s