Livro: A Outra Volta do Parafuso (Henry James)

0088Não era essa a leitura que deveria estar acabando agora… Explico: Leio cerca de 5 livros em paralelo, sempre alternando entre algum que esteja se arrastando, um de contos, um do desafio etc. “A Outra Volta do Parafuso” foi o mais recente a ser incluído na lista, simplesmente porque queria colocar um livro na bolsa segunda e a bateria do Kindle estava para terminar. E na sexta, mesmo relegando a leitura apenas aos momentos de ócio na faculdade, acabei terminando o livro, que de história tem só umas 150 páginas na minha edição (que ainda conta com um posfácio com textos de apoio) .

“A Outra Volta do Parafuso” foi para mim uma releitura. Lembrava bem vagamente que era uma história sobre fantasmas, mas não mais do que isso. Também conhecido por “A Volta do Parafuso”, a história começa com uma reunião de amigos falando sobre histórias de fantasmas, em que um deles introduz o conto de uma conhecida, do qual tem o manuscrito.

O manuscrito é lido e é aí que começa nossa história em si. Ele é narrado por uma mulher, uma governanta que pouco apresenta sobre si mesma e de quem não sabemos nem o nome. Na juventude essa mulher fora contratada por um rico e bonito homem para cuidar de seus sobrinhos em uma propriedade isolada. Ele exige que ela não o incomode por nada, não escreva cartas e resolva seus problemas sozinha. Apesar disso, a governanta ainda nutre certas esperanças românticas por algum tempo.

Ao chegar a casa, a jovem conhece a pequena Flora, que descreve como sendo de uma beleza quase assustadora, e a criada principal, uma senhora de nome Grose. O menino mais velho, Miles, está em um colégio interno, mas retorna para as férias com uma carta que diz que o colégio não mais o aceitará para o próximo ano. A governanta, à princípio, não consegue acreditar que Miles tenha feito qualquer coisa errada, sendo ele tão bonito, educado e doce quanto a irmã. Após algum tempo, a governanta começa a se deparar com aparições na propriedade. Um homem e uma mulher se alternam em momentos inesperados, aparecendo do nada e para o nada desaparecendo. Logo, a narradora passa sondar a Sra. Grose para descobrir quem eram aquelas pessoas e descobre que eram antigos funcionários da casa, que não tinham as melhores das reputações, e que já faleceram.

A partir de então, a governanta passa a lutar com força no que acredita ser um duelo para salvar as almas das crianças da influência desses espíritos. Sra. Grose nega ver essas aparições, mas acredita em seu relato devido a descrição precisa da aparência dos envolvidos. As crianças igualmente negam, mas a governanta não acredita na palavra deles e vai desenvolvendo cada vez maior animosidade por elas, especialmente por Miles, por não deixarem que as salve. Nessa ânsia louca de salvar as crianças, a jovem perde mesmo o rumo do que veio fazer na casa e se transforma em uma pessoa um tanto assustadora.

O livro apresenta essa narradora pouco confiável, que parece mentir em certos aspectos do contato com o que seriam os espíritos com certa frequência, para fazê-los se adequar ao papel que espera de espíritos. Ao mesmo tempo, ela com certeza pôde descrever com precisão a aparência de ao menos um deles, então não parece ser de todo uma ilusão da mulher. E se você vai esperando uma resposta definitiva, ela não existe nessa história. Nunca se saberá se havia mesmo essa influência sobre as crianças e se a tragédia que ocorre no final tem por causa o mundo espiritual ou aquele bem real.

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