Livro: 3096 Dias (Natascha Kampusch)

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Acho que nesse ponto, todo mundo já escutou falar da história de Natascha Kampusch, a menina austríaca sequestrada no caminho da escola aos 10 anos e que só conseguiu a liberdade de seu captor oito anos depois. Nesse livro, Natascha usa o espaço para falar sobre o seu ponto de vista do caso, que ela acredita ter sido muito distorcido pela imprensa e pela opinião geral.

Natascha narra em um primeiro momento sua infância com a mãe não muito carinhosa e o pai carinhoso mas beberrão. Os pais se separaram quando a menina era ainda muito pequena e as irmãs mais velhas tinham idade para ser sua mãe, o que faz com que Natascha cresça em um lar não muito afetivo, com muito contato com adultos e pouco com crianças. As relações com a mãe, que nunca foram muito boas, vão piorando até os dez anos. Natascha se arrepende sempre no cativeiro de no dia do sequestro não ter falado com a mãe por causa de uma briga no dia anterior.

_42014236_cellarroomNo que se configura uma espécie de segunda parte, Natascha narra o sequestro e as ameaças iniciais de Wolfgang Priklopil, que ela nota logo ser bastante particular em suas obsessões. No começo Wolfgang diz que ela será vendida para um círculo de pedófilos, mas os dias se alongam no porão pequeno onde a menina fica trancada e ela nota que isso nunca acontecerá. Natascha atribui o sequestro a uma mente doentia que precisava controlar de forma total alguém mais fraco. Logo, começam as agressões e privações, que levam com que Natascha esteja sempre subnutrida e fraca demais para tentar fugir. Mais do que as correntes físicas que a impedem de fugir, impõem-se as correntes psicológicas que a unem ao captor, das quais Natascha fala com bastante ênfase.

Wolfgang_priklopilNa parte final, acompanhamos como a agora adolescente desenvolve o foco e força necessário para a tentativa de fuga e como acompanha o desenrolar dos fatos após sua volta ao mundo normal, sofrendo inúmeras críticas quando não se comportava como achavam que uma vítima deveria se comportar.

O livro é também uma forma de Natascha explicar seus comportamentos após o conhecimento do caso se tornar público, o porquê de ter desejado comprar a casa de Wolfgang e não voltar a morar com a mãe. Parece por vezes também um pedido de desculpas por não ter fugido antes. Por vezes Natascha soa um tanto cheia de si, em momentos em que elogia-se por sua força de vontade em resistir aos apelos do sequestrador por certos comportamentos, por nunca se dobrar de joelhos sobre ele, elogiando a própria inteligencia e capacidade de entender sua situação. Mas acho compreensível vendo que Natascha cresceu sem referências a não ser o louco, tendo que buscar muito de companhia humana dentro de si mesma.

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