Livro: Les 120 Journées de Sodome (Marquis de Sade)

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Vamos falar de livros eróticos que eu nunca mais quero ler na minha vida e me traumatizaram?

Daí que em um dia ensolarado do verão carioca, caiu no meu maroto sorteio tradicional, da minha marota lista do Desafio Literário, uma das obras mais conhecidas do Marquês de Sade que com certeza você, amiga dona de casa, conhece. Esse livrinho tão inocente era nada mais nada menos que “Les 120 journées de Sodome”, ou em bom portugais, “120 dias de Sodoma”. E de um autor que originou o termo sadismo, querida comadre, você já sabe o que esperar, né?

Durante a criação de uma obra bem mais polêmica do que mamilos, Donatien de Sade estava preso na Bastilha. Escreveu a obra em um rolo de papel, em letra miúda para que coubesse boa parte da história. Ainda assim, terminada mesmo só se encontra a primeira parte, as três partes posteriores deixadas sob a forma de anotações quase soltas. Donatien (olha as intimidades…) achou que a obra havia sido perdida e isso causou muita tristeza no moço que matava mulheres e namorou com uma garota de 14 anos quando já estava fritando os bolinhos para a próxima vida. Que pena. Não.

Pois bem, nosso Marquês de Sabugoza começa sua historinha com a descrição dos quatro personagens principais que vamos acompanhar como os mestres da situação até o fim. São eles quatro aristocratas: o duque de Blangis, o bispo (irmão do duque), o présidente de Curval e o “financier” Durcet. Esses quatro libertinos demonstram igual paixão pela líbido, o gozo e o sofrimento. Muito do prazer que conseguem tem a ver com práticas imorais e sujas aos olhos de qualquer um que não um pária como eles são. Na sociedade, entretanto, transitam defendidos pela boa posição social e o dinheiro e cada um deles têm uma filha, que acaba se casando com algum dos outros (isso não ausentando a prática sexual com o próprio pai).

Esses personagens simpaticões bolam uma maneira de maximizar o que entendem por prazer, trancafiando-se em uma propriedade de Durcet, enchendo de personagens que vão comer o pão que Satanás temperou, amassou e assou, e barrando as portas para nenhum amiguinho fugir. Esse grupo é feito de 8 meninas virgens entre no começo da adolescência, 8 meninos igualmente intactos de mesma idade, 4 homens adultos de membros avantajados, umas 4 velhas e 4 prostitutas que contarão histórias temáticas, revezando-se durante os 4 meses de confinamento. Além desse pessoal ainda há os serviçais e as esposas que podem ser incluídos a qualquer fantasia vil dos mestres. Há uma rotina bem estabelecida para esses 120 dias, em que o ponto principal são as noites passadas em um grande salão contendo todos os personagens, com as contadoras de história contando pequenos causos pessoais que envolvem os quatro temas principais. No primeiro mês são contadas as 150 histórias de paixões simples. No segundo, das paixões com duas pessoas ao mesmo tempo. No terceiro, paixões criminais. No quarto, as paixões assassinas. Há um crescendo em perversão nesses contos, mas chocam já no começo.

Como disse antes, somente a primeira parte foi de fato terminada. Nessa parte, apesar da denominação de “simples” já tem coisas bem pesadas como cropofagia, violência, muita urina e vômito rolando, além da pedofilia óbvia de se ter esses grupos de crianças participando de toda perversão desses homens adultos. As partes seguintes são apenas rascunhadas e, em grande parte, repetições do conteúdo já descrito se adequando a novos “ares”. O grau de violência mental e física vão aumentando até o desfecho nada alegrinho de um livro bem difícil de engolir.

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