Livro: L’Éducation Sentimentale (Gustave Flaubert)

0082

Olhe mô bem, como estamos atrasados nessa vida…

Terminei esse livro 16 dias atrás, depois de uma árdua luta que durou mais do que a leitura de “O Senhor dos Anéis”. Mas vamos ao assunto, que tudo se explica…

“L’Éducation Sentimentale” (A Educação Sentimental, na língua de Camões) é quase uma auto-biografia de Flaubert, autor dantes citado nessas terras quando falei de “Madame Bovary”. Trata-se, bem a mando do título, de uma história sobre um jovem aprendendo os laces e desenlaces amorosos. Frédéric Moreau, retornando para casa após o curso de direito, apaixona-se por Madame Arnoux, mulher casada e de beleza bem conhecida em Paris. Mudando seus planos por completo devido a essa paixão, Moreau fica em Paris, buscando se aproximar da casa dos Arnoux e fazendo amizade com o marido de sua bem-amada, que trabalha com arte. Quando tudo parece estar se encaminhando para a felicidade amorosa de Moreau, as dívidas em casa se avolumam e a mãe pede de pronto seu retorno, para que se resolvam algumas das questões de dinheiro e ele possa ter contato com um parente velho, rico e sem filhos, que acaba por lhe deixar uma herança volumosa (que Frédéric administra muito mal).

Após longos meses em que a paixão parece até mesmo ter diminuído, o rapaz retorna à Paris e encontra os Arnoux bastante mudados. Buscando o antigo grupo de amigos, também frequentadores da casa de Arnoux, Moreau acaba por se envolver com uma atriz (quase sinônimo de prostituta nessa época, pois Rosanette sobrevive do apoio de seus admiradores), mesmo enquanto nutre seus sentimentos pela Madame e tenta reconquistá-la nas poucas horas vagas. Outra mulher rica e casada, Madame Dambreuse, também acaba por aparecer em sua jornada emocional e, dependendo da época e dos humores inconstantes de Frédéric, essas três acabam por se revesar como fruto de suas paixões, tanto amorosas quanto raivosas.

Frédéric é um personagem difícil de engolir. Inconstante e consciente de sua beleza e dos bons olhos das mulheres para sua pessoa, o protagonista leva uma vida de nenhum trabalho e eterna diversão. Sem grandes hobbies ou empreitadas, diferente de seus amigos engajados em revoluções e luta social, Moreau só se emociona mesmo por suas mulheres e o universo que as cerca. A mãe, cheia de sonhos de grandiosidade para o filho único, é uma personagem relegada às sombras da história, às aporrinhações que Fred não suporta pois estragam sua rotina de bon-vivant.

Levei o que pareceram séculos lendo essa história e, apesar de ela não ser tão curta, não deveria ter ocorrido um atraso tão grande não fosse a história me parecer tão chata. Todas as conversas entre os amigos de Moreau, as longas noites em bares ou na casa de Arnoux, a mesmice do nada que acontecia de diferente… O livro se arrastava e foi nessa época que acabei por devorar uma boa parte da obra de Gillian Flynn, querendo ativamente fugir da historinha de Flaubert. Uma leitura que não refaria tão cedo.

Advertisements

One thought on “Livro: L’Éducation Sentimentale (Gustave Flaubert)

  1. Pingback: Retrospectiva 2016 | Meu Logbook

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s