Livro: War and Peace (Leo Tostoy)

0080

Sabe o porquê dessa seara de posts sobre livros? Por causa desse bonito aí, que me tomou mais de um mês de leitura em meio a um período de muitas aulas e provas.

À princípio, nem era a ideia ler “Guerra e Paz” agora. Estava guardando-o para algum período de férias ou o mais parecido com isso que teria. Mas aí a Tati Feltrin começou o projeto dela e eu vi um monte de gente lendo… Bateu invejinha. Quase um mês depois do início do projeto no YouTube comecei a ler o livro e estou bem feliz por ter conseguido chegar ali pelo segundo volume da Cosac Naify no mesmo ponto em que Tatiana estava e ter terminado antes do projeto terminar oficialmente.

“Guerra e Paz” é muito parecido com “Anna Karenina” (que eu li há não muito tempo atrás) no que se refere à divisão da história em núcleos familiares e na condução de histórias em paralelo. Tenho que admitir que “Anna” me fascinou muito mais, tendo sido uma leitura que fluía de forma mais agradável e me emocionou mais.

Nesse livro, considerado a grande obra do autor, a história funde narração, ideais de felicidade matrimonial e familiar de Tolstói (algo muito presente nas obras do autor) e suas críticas à visualização por parte dos historiadores russos e franceses dos eventos contidos no período de guerras napoleônicas. Momento polêmica: Na época em que estudava, um dos meus professores disse que Tolstói “roubou” o nome do livro de Proudhon, que teria o “Guerra e Paz” original. Vai saber…

Mas então, do que se trata?

Como disse, é como se a narrativa fosse dividida em duas partes:
Uma delas é o romance em si, envolvendo as famílias nobres Rostov, Bezukhov, Bolkonsky e Kuragin. Tem outras? Tem. Elas são tão importantes? Não. Poderia dizer que desses personagens circulando pela parte mais “romance” da história, o Conde Bezukhov é o que mais tem jeito de protagonista. Um protagonista que sofre clara maturação no decorrer do livro, passando de jovem um tanto atrapalhado e sem muita noção de seu papel na sociedade russa a homem mais esperto, consciente das dores humanas e sabendo valorizar suas belezas. O núcleo dos Rostov, apesar de aparecer como a família mais alegre e unida da trama, guarda a imagem da nobreza decadente, que está em vias de perder todas as posses devido à própria irresponsabilidade dos administradores e coloca suas esperanças em casamentos fortuitos que os ajudarão a erguer a cabeça da lama. A família Bolkonsky tem grandes distâncias no começo, tanto de filhos em relação ao pai quanto a um marido que desgosta da esposa e se arrepende de seu casamento. Os Kuragin são aproveitadores que não tem honra em mudar de opinião de acordo com a maré mais favorável e sempre procuram o prazer pessoal acima de qualquer coisa. A interação dessas famílias durante o período de guerras russas contra Napoleão é o que liga a história das pessoas à história com H maiúsculo, mas para mim aparentou ser o ponto do livro a que Tolstói nem queria tanto escrever.

A outra parte é o tratamento de Tolstói ao período histórico tratado. O autor claramente leu muitos historiadores de ambas as nacionalidades para formar seu ponto de vista, que se caracteriza como um terceiro caminho que discorda dos anteriores. Enquanto a maioria das visões apontam Napoleão e Kutuzov como grandes estrategistas, de soluções lógicas no campo de batalha e justificam suas derrotas por várias circunstâncias, Tolstói repetidamente discorda dessa ideia, afirmando que a História se moldou para explicar os fatos passados através de óculos cor-de-rosa, ou seja, a História viu o que queria ver dos fatos. Igualmente, Tolstói acredita na ocorrência de fatos devido à um conjunto de fatores, dos quais a própria união de destinos individuais conta em importância. (E eu nunca vou conseguir explicar de maneira tão bonitinha e verborrágica quanto ele, então se quiser saber mais vá ler o livro!). Alguns momentos Tolstói consegue ser irônico e divertido nessa contextualização-que-na-verdade-é-a-maior-intenção-do-autor. Em outras partes, como no epílogo final, achei o autor simplesmente repetitivo e maçante, então avance com calma por esse terreno… Aliás, Tolstói ainda tentou dar uma “romantizada” nessa parte, transformando esses atores principais em personagens. Para mim não adiantou, ainda eram partes mais maçantes do livro, em que eu dava aquela corridinha para terminar mais rápido e saber se Natasha Rostov iria parar de fazer idiotices, se Bezukhov iria parar de fazer merda nessa vida e se Marya iria ter um pingo de felicidade.

Como disse, a leitura de “Anna Karenina” foi mais prazerosa e só por isso acabei desconsiderando um pouco “Guerra e Paz”. Isso não faz dele um livro ruim, longe disso! Mas o fato é que há vários trechos que poderiam ter sido enxugados para melhorar o fluxo e claramente a história ficcional é apenas um cenário para contextualizar as ideias do autor. Só por isso não gosto tanto dele, mas gosto o bastante para ter lido mais de 2000 páginas em um tempo relativamente curto.

P.S.: Grandes chances de aparecer um update aqui em data futura pelo fato de eu ter feito esse post correndo no próprio editor do WordPress, apesar dele merecer mais atenção.

P.P.S.: Li em inglês. Não sei russo. Não faço ideia de como tá essa tradução.

Advertisements

One thought on “Livro: War and Peace (Leo Tostoy)

  1. Pingback: Retrospectiva 2016 | Meu Logbook

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s