Livro/Cinema: Quarto (Emma Donoghue) / O Quarto de Jack (2015)

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Do tipo de livro que obviamente eu tinha que ler antes de assistir o filme, senão perderia toda a graça depois…

“Quarto” (Room, no original em inglês), transformou-se em “O Quarto de Jack” nas telas de cinema e rendeu muitas premiações, inclusive um Oscar para a atriz principal do filme. Tanto na versão literária quanto na cinematográfica o grande narrador da história é Jack, um menino muito esperto de recém completos 5 anos, que vive com a Mãe em um pequeno cômodo de 11 pés por 11 pés (algo pouco maior que 9 metros quadrados).

Segundo o que Jack aprendeu pela Mãe até esse ponto de sua vida, o Quarto é tudo que existe e é real e as imagens que passam na TV são todas mentiras, invenção. Real também é a presença que só chega quando está escuro, o Velho Nick, que faz necessário que Jack durma no armário e deixa a Mãe triste com sua presença. Sem saber de nada sobre o Lá Fora, Jack é um menino contente com sua realidade, com a comida que chega quando Velho Nick vem, com a Educação Física que a mãe ministra, com a Dora que passa na TV e seus cinco livros, todos já decorados. Aos 5 anos, entretanto, essa realidade confortável e conhecida está prestes a mudar para o pequeno Jack quando a Mãe começa a lhe contar uma história que ele não quer ouvir sobre o mundo lá fora ser realidade, sobre seus próprios pais, sobre seu sequestro e a iminência do Velho Nick realizar algum ato contra os dois agora que está desempregado e com raiva. A Mãe bola então um plano desesperado para tirar os dois de lá, confiando na esperteza de Jack em se fingir de morto, fugir e buscar ajuda.

Até esse ponto da narrativa, livro e filme caminham de mãos dadas, mas se distanciam um pouco no após. E se você não quiser tomar um bando de spoilers, pare aqui e vá ler o livro ou assistir o filme.

O que acontece é que contrariando as expectativas, SuperJack realmente consegue tirar a mãe do cativeiro. No livro a estada dos dois na clínica psiquiátrica é mais detalhada, o que dá a impressão de um longo tempo passado lá. No filme isso é narrado de forma mais rápida, priorizando a retomada de convívio de Joy (Brie Larson) com a família, após 7 anos. Enquanto no livro há um irmão mais velho e toda uma narrativa que envolve a descoberta por Jack de que existiu um outro bebê antes dele, no filme nos deparamos mais com a Joy reencontrando os pais separados e o confronto com o pai de Joy (interpretado por William H. Macy), que não consegue olhar para Jack (Jacob Tremblay) sem ver o sequestrador.

Apesar de Jack livro/filme serem muito parecidos, outros personagens perdem um pouco de sua fidelidade. A avó do menino, uma figura vital quando Joy tenta se matar, no livro é retratada sob os olhos de Jack como uma mulher impaciente, um tanto revoltada por ter de voltar a cuidar de uma criança em tempo integral após tanto tempo e tendo já tantos compromissos em sua vida. No filme, a personagem é interpretada por Joan Allen e é um poço de doçura e paciência com a filha e o neto. A relação entre mãe e filho sustenta as duas formas de narrativa, mas é feita de maneira mais tocante no filme do que no livro. A Joy do livro está defendendo suas escolhas o tempo todo, tendo que se afirmar como mãe na adversidade e isso a torna um tanto antipática e dura com as pessoas do lado de fora, algo completamente compreensível no contexto, mas que ainda assim é um tanto hostil. Apesar de tanto ansiar estar no mundo de fora, Joy precisa de seu tempo apenas com Jack para entender aos poucos para onde conduzirá a vida. A mãe do filme está tentando lidar com os demônios que a perseguem, muito mais do que com o mundo e a sociedade lhe é mais afável, assim como a solidão total.

Apesar de ter citado todas essas diferenças, acho a adaptação do livro em filme uma das mais bem feitas. Dá uma vontade desgramada de chorar com o maravilhoso Jacob Tremblay, que soube interpretar de forma espetacular o verdadeiro protagonista dessa história.

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3 thoughts on “Livro/Cinema: Quarto (Emma Donoghue) / O Quarto de Jack (2015)

  1. Este filme é absolutamente fantástico ! Um dos filmes que me mais surpreendeu, sem dúvida ! Boa “review” já agora ! 🙂

  2. Pingback: Retrospectiva 2016 | Meu Logbook

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