Livros: Alice’s Adventures in Wonderland + Through the Looking-Glass (Lewis Carroll)

Um post duplo, tratando de dois livros do Desafio, mas que acabam valendo por um só.

Já havia lido “Alice no País das Maravilhas” antes, porém em português e já tinha esquecido bastante coisa. Lembro que na minha edição em português havia até uma foto da Alice real que inspirou Carroll, mas no fim do dia a gente lembra mesmo é da menina loira de vestido azul concebida pela Disney.

0077Alice é uma menininha inglesa de sete anos, aparentemente de boa condição de vida, já que cita os empregados em algumas partes dos livros. No primeiro livro, Alice dorme no colo da irmã mais velha, sobre o gramado da fazenda e sonha com uma certa história linear: seguir o coelho, cair no buraco e fazer todas as coisas possíveis para chegar ao jardim que ela viu por uma das portas. Esse mundo surreal em que Alice cai é povoado de animais falantes, diálogos que não levam a lugar algum e comidas que fazem encolher e crescer. Aliás, grande parte do enredo acaba se baseando nas dúvidas de Alice, que conforme a história passa vai perdendo a certeza de quem é, tanto que fala que ao amanhecer daquele dia ela sabia quem era, mas as coisas mudam tanto e tão constantemente que ela já não sabe mais. Muitos veem nesse livro e em seus diálogos uma alegoria para o próprio crescimento, o deixar de ser criança, em que a cada momento nos reinventamos e podemos desejar em um dia ser pequena de novo e não ter tantas responsabilidades, para no outro dia desejar ser grande logo e ter mais poder, não ser tão suscetível.

0078No segundo livro a menina brinca com os filhotes de sua gata Dinah na sala, onde se encontram um tabuleiro de xadrez e um espelho onde ela consegue ver apenas parte da sala. Imaginando como seria a casa de dentro do espelho, Alice dorme e assim passa para o lado de lá, onde para se chegar a um local deve ser feito exatamente o oposto do que se consideraria lógico. No jardim da casa do espelho há um grande tabuleiro de xadrez e duas rainhas, uma branca e uma vermelha, que indicam que Alice poderá se tornar uma rainha também se chegar ao fim do tabuleiro. Alice parte então em busca de sua coroa, novamente se encontrando com uma gama de personagens muito diversos dos que existem no seu mundinho fora do espelho. Engraçado notar que certos personagens atribuídos às vezes ao primeiro livro pertencem de fato ao segundo, como o são Tweedledum e Tweedledee e por vezes Humpty Dumpty. Nesse livro assombra a menina a ideia de talvez ser o sonho de outra pessoa e não ser ela a dona daquele universo. Esse é também o livro com o final mais bonito. Cheio de poemas do começo ao fim, o livro termina se perguntando o que é a vida senão um sonho.

Vou dizer que me irrita um pouco o grande fanatismo de algumas pessoas com esses livros porque nunca vi razão para tanto. É melhor que “O Pequeno Príncipe” em entregar o mundo que quer criar, na minha concepção, mas só isso mesmo. Apesar de achar “Through the Looking-Glass” um pouco melhor do que o primeiro livro, essa segunda parte é também mais parada e no geral dá menor vontade de ler, então os dois meio que se equilibram.

Alice_Liddell_2

Alice Liddell, a menina que inspirou os livros

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