Livro: Jude the Obscure (Thomas Hardy)

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Olha quem voltou com mais livros de Thomas Hardy. Nesse ponto da viagem, ‘cês já devem saber que ele é um dos meus autores preferidos, que ele não poupa personagens e não tem pena de ninguém e que eu ADORO quando o livro consegue ser realista a esse ponto. Outros livros do autor que têm resenhas aqui são “Tess of the d’Urbervilles”, “Far From The Madding Crowd” e “The Mayor of Casterbridge”todos eles partilhando desse realismo e do cenário particular de cidades particulares.

Talvez “Jude the Obscure” seja o meu livro preferido do autor, com uma frase que consegue me destruir não importa quantas vezes eu leio.

Jude Fawley nasceu em uma casa pobre e pertence a classe servil. Entretanto, o garoto sonha em alcançar o conhecimento avançado e em ser um acadêmico. Um professor do vilarejo, Mr. Phillotson, muda-se para Christminster e isso deixa um impacto em Jude, que começa a estudar sozinho assuntos como latim, grego e toda sorte de assunto em que suas pobres mãos tem acesso. Jude tem a convicção que apesar de seus meios insuficientes e pouca influência de seu sobrenome, conseguirá por esforço o sonhado posto de acadêmico. Mas o rapaz também precisa ganhar seu ganha-pão e por isso se esforça em trabalhos manuais durante o dia, gastando as madrugadas lendo.

Passado algum tempo, Jude, agora no auge da juventude, é seduzido por Arabella Donn, uma camponesa de seu vilarejo, e através das táticas escusas da moça acaba fazendo um mal casamento, que o desvia de seu caminho. A união é marcada por brigas e desavenças, até que os dois se separam e Arabella emigra para a Austrália com a família. Jude sente que agora pode voltar ao caminho destinado e parte para Christminster, cheio de esperanças de entrada na universidade e um encontro com Sue Bridehead, uma prima perdida. Mas as coisas não saem bem em nenhum dos pontos. Jude é desaconselhado a continuar seus estudos, recebendo uma carta de alguém influente que o aconselha a seguir contente em ser apenas um trabalhador braçal e não tentar mais do que isso. O encontro com Sue poderia ser uma ocasião feliz para Jude, já que ambos se gostam automaticamente e partilham de conhecimento acadêmico elevado, o que rende conversas aprofundadas, Entretanto, a moça acaba contraindo um compromisso com Mr. Phillotson e se casa com o antigo professor de Jude.

O casamento de Sue também não é nada feliz e a jovem chega a pular de uma janela ante a mera perspectiva de uma noite com o marido. Observando tal comportamento, Mr. Phillotson a libera de seu compromisso formal para que ela seja feliz ao lado de Jude. O retorno de Arabella para a Inglaterra, também com novos compromissos amorosos, leva a situação ideal para que Jude e Sue se divorciem de seus antigos cônjuges e isso é aparentemente o começo de uma relação feliz, não fosse a recusa de Sue em ser uma esposa, tanto formal quanto informalmente (leia-se, ela não quer se deitar com Jude nem se casal contratualmente) devido à infeliz experiência anterior.

Isso só muda com a volta de Arabella com uma notícia: quando imigrara para a Austrália, a moça tivera um filho, que nunca fora bem querido ou cuidado pelos seus familiares e agora estava sendo enviado para a Inglaterra. O novo marido de Arabella nada sabia do fato e ela pede para Jude cuidar da criança, que nunca fora batizada mas atendia por “Little Father Time” devido a sua personalidade peculiar. Peculiar realmente o garoto é, como Jude e Sue comprovam quando o acolhem em casa. O menino tem uma personalidade depressiva, pensativa, como se estivesse envelhecido e melancólico por anos que não viveu. Little Father trata Sue por mãe e o laço se estreita nos anos que passam, em que Sue ainda tem mais dois filhos e se encontra grávida novamente. A família vive uma vida nômade devido à reputação do casal de não casados, um escândalo aos olhos da sociedade, e não conseguem dinheiro além do suficiente para alimentar todas as bocas. Por um capricho de Jude, que está doente, acabam voltando para Christminster, onde se desenrola a maior tragédia do livro e onde está a frase que disse me prender toda vez que leio.

(Observação rapidinha: A primeira vez que li o livro, quando cheguei nessa tragédia estava na auto-escola e quase lancei o livro pela janela porque não podia acreditar que Hardy estava fazendo aquilo com os personagens mais coitados do livro…)

Depois dessa tragédia, as coisas degringolam e o casal principal não será mais o mesmo. Sue entra em um certo frenesi religioso e, apesar de seu amor por Jude, começa a acreditar estar sendo punida pelos céus por seu erro, sendo a única solução a volta ao marido que abomina, Mr. Phillotson, que está pronto para recebê-la de braços abertos, apesar do escândalo do passado ter destruído também seus meios de uma vida mais confortável. Enquanto isso, Arabella agora é uma viúva e seus caprichos levam ela a querer se reunir mais uma vez com Jude, usando o compromisso passado apenas como uma desculpa para sua luxúria pelo homem ainda bonito. Mas a barganha é terrível pois Jude só tem coração para Sue e não tem saúde para trabalhar.

O final do livro é triste e melancólico como a própria história de Jude e todos os seus desejos nunca realizados, todas as expectativas e esforços que nunca culminaram em sucesso. A falta de oportunidade que impediram que entrasse pelas portas da universidade, o julgamento alheio que destruiu as possibilidades de uma vida feliz e confortável com Sue, a maneira deles e não conforme a sociedade queria que agissem. O livro é um tapa na cara com gosto de Hardy, mas nesse ponto até estou acostumada com esse tratamento carinhoso do autor, sem finais felizes, sem mentiras carinhosas. (Mas o lance com as crianças ainda não perdoei não. Cruel demais até para mim, Seo Hardy!)

Sem título

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