Cinema: La meglio gioventú (2003)

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Keep it coming love, keep it coming love, don’t stop it now… Os posts vão começar a sair com alguma frequência de novo porque finalmente, após um longo e torturante verão, estou de férias. É só por uma semana, mas minha pilha de livros e filmes agradecem.

O primeiro filme que tinha que tirar da minha listinha encalhada era “La meglio gioventú”, ou The Best of Youth, ou Não-Sei-O-Título-Em-Português. Não sabia absolutamente nada sobre o filme, sobre a história e os atores, então foi tudo surpresa. Não sabia nem que era na verdade uma série, que foi feita em filme e por isso se tratavam de duas partes de três horas cada! Comecei a assistir numa madrugada e quando às quatro da manhã o filme me acaba com um ‘fim do ato I’ comecei a rir loucamente. Not today, Satan!

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Giorgia, Nicola e Matteo

Essa obra italiana de seis horas (que ainda tô com apreensões em chamar de filme de fato) começa contando sobre a amizade de dois irmãos, Matteo e Nicola Carati. Nicola (Luigi Lo Cascio) cursa medicina, tira boas notas sempre, é simpático (ou assim o define um professor) e sempre anda com dois amigos, Carlo e Vitale. Matteo (Alessio Boni) é mais introspectivo, dito estranho mesmo, pois tem poucos amigos e apesar das boas notas e trabalhos publicados, não se encaixa no perfil dos acadêmicos de letras, curso que estuda. Além dos dois, o casal Carati ainda tem duas filhas. A mais velha mora longe e a menor, Francesca, ainda é uma criança no começo do filme. Os irmãos planejavam uma viagem nas férias, em que iriam à Noruega como mochileiros e chegariam ao Cabo Norte. No dia da viagem, entretanto, Matteo aparece com Giorgia (Jasmine Trinca), uma paciente de um hospital psiquiátrico que sofria tratamentos por choque. A situação acaba forçando que apenas os três saiam pelo país, procurando o pai de Giorgia. Essa viagem será um divisor de águas na vida dos irmãos, com a primeira grande briga entre eles e as decisões irreversíveis.

La-Meglio-GIoventu-466464Matteo começa uma busca de regras, em que precise pensar poucos e agir bastante. Por causa disso, une-se ao exército e à polícia, evitando o contato com a família. Quando o faz, o realiza por poucos minutos e logo se ausenta. Sua maior ligação continua a ser com Nicola por todos os anos de afastamento. Enquanto isso, Nicola parte só para a Noruega, acumula suas próprias lembranças e reflete sobre a vida. Notícias de uma enchente em Florença reúnem os irmãos nos trabalhos de ajuda e é lá que Nicola conhece Giulia (Sonia Bergamasco). Giulia realiza outra mudança em Nicola, que parte com ela para Turin enquanto ambos se unem a movimentos comunistas. Quando se tornam pais de Sara, Nicola está pronto para assumir uma postura menos combatente, tornando-se apenas o homem de meia-idade e classe média, mas Giulia não se vê contente e o desenrolar dessa situação os afasta.


Enquanto Matteo passa grande parte do desenrolar da história como em uma trama paralela, sem ligações com os outros personagens de sua família, Nicola é o personagem que nos mostra como estão os pais e as irmãs e vai movimentando a trama de modo mais óbvio. Francesca (Valentina Carnelutti), a irmã mais nova, chega inclusive a se casar com um dos amigos de Nicola. Já Matteo se esconde, inclusive das mulheres, ocultando seu nome de uma mulher que poderia ser sua companheira. Mirella (Maya Sanso) sofre bastante na mão de Matteo, louca de amor por um cara que mente várias vezes para ela. Uma tragédia acaba por unir as pontas da história, com Nicola podendo compreender um pouco mais da vida do irmão quando afastado e possibilitando vários recomeços e recuperações de tristezas anteriores.

É um filme bastante sensível, mas que poderia se beneficiar bastante daquela enxugada básica que uma série precisa passar antes de virar uma obra de duas/três horas. É legal ver as várias fases da família, desde os anos 60 até 2003, mas em algumas partes a coisa fica um tanto arrastada. Gostei muito do arco que tratava da história de Giorgia e acho uma pena ela aparecer tão pontualmente na história após a primeira parte. O que mais me irritou foi o trabalho de maquiagem: ruim, inconsistente e com claras predileções. Alguns personagens *ahem, Mirella, ahem* não envelheceram um dia mesmo se passando décadas na história. Outros, como Nicola, envelheceram até um certo ponto X e depois não mais. É como se tivesse chegado a uns 40 anos e depois disso mantivesse corpo e feições inalterados até os 70. Mas a coisa mais tosca, de longe, são as perucas. Completamente artificiais e de aspecto bem barato, eram um distrator à história. O cabelo de Giulia no começo era um desastre completo.

Mas se você tiver seis horas livres, veja o filme. Aconselho a ver como foi feito para ser, com pausas a cada hora e meia, senão a história cansa horrores.

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