Cinema: Magnólia (1999)

magnolia

(T’aí o post que deveria ter saído há umas duas semanas atrás!)

Nem sei o que eu esperava desse filme quando comecei a assisti-lo. Com certeza, nada do que ele é na verdade. Por causa do título, não dava para ter muita noção do que encontraria e não esperava algo que me fascinasse tanto e que tenha deixado uma marca até agora.

“Magnólia” foi escrito e dirigido por Paul Thomas Anderson. Começamos com a narração que conta três histórias improváveis envolvendo coincidências. Essas histórias darão o tom para a narrativa principal, em que personagens em contextos diversos acabarão se relacionando por meio de ligações improváveis. A história se passa em Los Angeles, então todos os personagens estão sempre se locomovendo pela cidade.

Em uma cama de uma enorme mansão definha Earl Partridge (Jason Robards), sofrendo de câncer. Ao seu lado, além de dezenas de cães, está o enfermeiro Phil Parma (Philip Seymour Hoffman). Phil é um verdadeiro cuidador, delicado com o idoso, e daqueles que presta atenção à história que Earl quer contar. É assim que acaba sabendo da história do filho de Earl e se empenhará na busca por entrar em contato com ele e colocá-lo em contato com o pai.

Earl é casado pela segunda vez com uma mulher bem mais nova, Linda (Julianne Moore) que sofre com a morte do marido como não pensava que o faria. As partes de Linda são fortes, a mulher agindo de modo passional, completamente desesperada com o desenrolar inesperado dos fatos. Ela circula pela cidade, sem querer voltar para casa, buscando uma fuga de qualquer modo.

Em outro lugar, Frank T. J. Mackey (Tom Cruise) começa sua palestra motivacional para homens mimizentos. Frank acredita e prega em regras de relacionamento no mínimo questionáveis (e é a pessoa mais desagradável…). Seu comportamento é energético o tempo todo, sexualizado ao extremo (e me deu um nervoso enorme assistindo. Parabéns, Sr. Cruise, sua melhor atuação). E apesar disso o cara faz sucesso como conselheiro desses homens que acreditam que existe friendzone… Por causa disso, uma repórter, Gwenovier (April Grace) realiza uma entrevista com Frank. Tudo começa muito bem para Frank, com ele se impondo como sempre frente a uma mulher, mas a coisa muda de figura quando ela começa a falar do passado de Frank, provando que fez sua entrevista muito bem.

Um estúdio de TV se prepara para exibir mais uma noite de um programa estilo quiz show, atração que já está no ar há mais de 30 anos, sempre com o mesmo apresentador, Jimmy Gator (Philip Baker Hall). Jimmy não se sente muito bem essa noite, não só pela doença que está escondendo, mas pelo encontro recente com a filha. Jimmy, só tenho a dizer que você está bem merecendo essa sua doença, viu!

O quiz show é centrado em perguntas feitas para adultos e crianças inteligentes, algo como “você sabe mais que um aluno da quarta série?”. As crianças, entretanto, não sabem apenas o conteúdo normal escolar, mas muito mais. Dentre as três que participam do show, Stanley Spector (Jeremy Blackman) é o que mais se destaca. O pobre Stanley, entretanto, está sendo explorado pelo pai pelo dinheiro que ganha com essas participações, além de ter seus mínimos pedidos ignorados pelo bem do show. Tenho que dizer que esse foi o personagem que mais me tocou, até por ter tido um final não muito bem amarrado, que dá chances dele ficar como…

Donnie Smith (William H. Gracy), um ex-participante do programa que perdeu todo o dinheiro. Apesar do brilhantismo quando criança, sua inteligência não se traduziu em sucesso quando adulto. Agora Donnie é apenas um funcionário em uma loja de eletrônicos, acumula dívidas e passa as noites em um bar, sem coragem de declarar seu amor ao barman.

Jim Kurring (John C. Reilly) é o personagem mais simpaticão da trama. Jim é um policial solitário, que nem parceiro para as ações tem, vivendo sua vida falando sozinho e buscando amizade e amor. Não tem como não gostar de Jim e sua carência cuidadora. Em uma chamada, Jim conhece a dependente de drogas Claudia (Melora Walters) e apesar da situação sente que pode criar um vínculo com essa pessoa tão quebrada, tão imperfeita.

E aí temos todo o teatro de ação que acabará por interligar esses personagens. Tem um fato ainda, bem no final, que foi uma surpresa muito completa (e muito nojenta) que não vou contar pois tiraria toda a graça do inesperado, mas que mostra como esse dia é realmente atípico, como se tivesse uma conjunção astral para o desenrolar dos fatos. É um filme que permanece na cabeça por bastante tempo depois de assistir. Só questiono um pouco a parte musical, porque o diretor tem uma fixação incomum por uma cantora e bota, ao que parece, um CD inteiro da bendita para tocar durante o filme. Segura essa onda, amigo. Outra coisa: tem um crime que fica sem solução no filme e parecia que originaria outro personagem, mas a linha parece ter sido cortada…

 

 

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