Livro: História do Cerco de Lisboa (José Saramago)

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Não tenho mais nem como me desculpar pela ausência a não ser me repetir mais uma vez. Culpem os estudos que consomem todo o meu tempo livre. Tem gente que se dispôs a ser médica aqui né… E foi por isso que entre muitas idas e vindas de ônibus comecei e terminei o primeiro livro do Saramago que já li na vida.

A primeira vez que tentei ler esse livro tinha por volta de 14 anos e desisti logo nas primeiras páginas. O motivo principal foi a pontuação mutcho loca que rola nas obras de Saramago, em que diálogos inteiros são feitos sem pontos ou pausas e, por causa disso, requerem um nível mais avançado de atenção ao enredo e alguma disposição em voltar e reler passagens. Realmente não era a época certa para ler.

Mas o livro está no desafio e fazia um bom tempo que não lia nada de literatura portuguesa. Sem contar que se passou um bom tempo desde os meus 14 anos e estava na hora de dar mais uma chance para para o tio Saramago.

A história começa com uma conversa entre um autor e o revisor de seu novo livro, em que tratam das funções e responsabilidades de cada um com a obra e o autor chega a perguntar se nunca a tentação de alterar a história passava pela cabeça do revisor. Raimundo Benvindo Silva, que até então vivia uma vida bem pacata e repetitiva, ousa após essa conversa, em um impulso, incluir um “não” no livro do autor, transformando a “história de Lisboa” ao dizer que “os cruzados NÃO ajudaram no cerco”. Essa traquinagem mínima acaba por alterar o rumo da história, não a de Lisboa, mas a de Raimundo. Uma mudança parece se alterar no personagem, que se abre para essas pequenas ousadias do cotidiano que são quebrar uma rotina, se apaixonar e se aventurar com a pessoa apaixonada. O revisor, inclusive, chega a subverter a regra implícita de sua profissão e se tornar um autor. Devido ao pedido da amada, Raimundo começa a escrever a sua história, aquela versão com o “não”, ao mesmo tempo em que se apercebe do quanto de mouro, de islâmico ainda há em sua cidade, nos muros pelos quais sempre passou sem verdadeiramente se aperceber de sua história.

Achei o livro bem mais interessante do que supunha à princípio. Feito de uma maneira simples, o enredo cobre diversas áreas, tratando com sentimento tanto da cidade quanto de seus personagens, tanto os do passado quanto os contemporâneos. Tudo é muito bem construído e amarrado.

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