Cinema: O Martírio de Joana D’Arc (1926)

images

“La passion de Jeanne d’Arc”, no original, é um filme francês do diretor Carl Theodor Dreyer e foi o primeiro sorteado da lista do Desafio Cinematográfico, estreando esse meu novo projeto mutcho loco.

Algumas coisas antes: a versão que eu assisti trazia antes um breve histórico do filme, proibido após sua estreia e cujos originais foram incinerados. Posteriormente outras cópias também foram perdidas em incêndios. Por uma sorte absurda, acharam uma cópia dinamarquesa que foi retraduzida para o francês e puderam estabelecer o que pode ser tratado como a cópia mais próxima do original.

“O Martírio de Joana D’Arc” se inicia já com a personagem principal confinada, começando seu processo de julgamento pela Igreja Católica. O que mais impressiona, não só nesse primeiro momento mas em todo o filme são os olhos de Joana, interpretada por Maria Falconetti. A única mulher em meio aos membros da justiça e da Igreja que a espezinham, duvidam de suas declarações, tentam forçar suas respostas e fazê-la confessar estar na realidade à serviço do diabo. Joana não sabe ler, mal sabe como se defender e aqueles que acreditam que ela diz a verdade, que ela realmente escutou a voz de deus e é uma santa, são convidados a se retirar de seu julgamento. Ao ser ameaçada de tortura, Joana desmaia e é quando vemos o quão frágil ela está, quão debilitada psicologicamente. E continuam a exigir que Joana assine um documento confessando sua culpa. É doloroso para Joana ser negada de comungar, de ver a missa, por exemplo, e logo os julgadores notam essa fragilidade. O medo do fogo finalmente faz com que a “herege” assine, a livrando da morte e condenando à prisão perpétua, mas o ato é acompanhado de imensa culpa e Joana se arrepende. O filme termina então com a pira final de seus sofrimentos, com o único desejo de Joana por um sofrimento curto e a morte rápida, mas logo estar próxima de seu senhor.

PASS2A força do filme está ligada à interpretação de Maria Falconetti. Há muitas cenas focadas somente no rosto de Joana d’Arc e elas demonstram sofrimento e confusão sem tamanho, e em algumas horas algo como um transe religioso, uma certa loucura. Em outra ponta há uma crítica velada ao papel da Igreja, que é sensivelmente colocada como contra a intenção de deus (ou ao menos do deus que Joana enxerga) quando uma figura em específico se aproxima da cruz que se forma no chão da cela de Joana e ela deixa de existir.

Advertisements

One thought on “Cinema: O Martírio de Joana D’Arc (1926)

  1. Pingback: Retrospectiva 2016 | Meu Logbook

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s