Livro: El Llano en Llamas (Juan Rulfo)

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Olha a pegadinha do Malandro de fim de ano. Apesar de ter dito no post anterior que aquela seria a última leitura do ano, cá estou eu por aqui de novo. Quando sorteei esse livro para o Desafio, não tinha ideia que seria tão curtinho, o que possibilitou a volta.

Nunca antes havia escutado falar de “El Llano en Llamas” ou em Juan Rulfo. No Brasil o livro foi impresso duas vezes sob os nomes de “Planalto em Chamas” e “Chão em Chamas”. Por se tratar de um autor mexicano, achei melhor ler no original em espanhol.

O livro traz um apanhado de contos do autor. São eles: Macario; Nos han dado la tierra; La cuesta de las comadres; Es que somos muy pobres; El hombre; En la madrugada; Talpa; El llano en llamas; Diles que no me maten; Luvina; La noche que le dejaron solo; Acuérdate; Paso del Norte; Anacleto Morones; No oyes ladrar los perros; La herencia de Matilde Arcángel, e El día del derrumbe.

Costumo detalhar os contos, mas não vou fazer isso dessa vez porque, de fato, a prerrogativa de muitos deles é parecida. Há uma continuidade nesses contos, como se elas se passassem nos mesmos lugares, no interior do México, onde as famílias lutam para sobreviver com pouco e é quase possível lendo os contos sentir o sol sobre a planície, a falta do verde, o vento que traz a areia rasgando a pele. Alguns contos me tocaram mais, como o do menino cuja fome nunca tem fim e que passa a noite sentindo o trânsito de baratas e ratos sobre o corpo. Outros revelam uma crítica ao governo, como “El día del derrumbe”, em que após um terremoto que deixa muitos dos habitantes sem casas, o governador chega e se arma uma festa, não tomando nenhuma medida de fato pelas vítimas. Muitos desses contos tem algo a ver com um conflito que se desenrola e nesses casos podemos encontrar de novo alguns personagens de outros contos, reincidentes e caminhando sobre a terra árida carregando suas armas. Outros só mostram um pouco desses lugarejos perdidos, em que os jovens já foram embora e só os velhos permaneceram.

O autor é classificado como membro da escola do realismo fantástico, como Gabriel García Márquez, mas posso garantir que tem muito menos de “fantástico” em sua obra.

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