Livro: Les Liaisons Dangereuses (Choderlos de Laclos)

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No que provavelmente seria minha última leitura do desafio literário do ano de 2015, resolvi atacar um livro em francês porque estava precisando praticar a língua e, para evitar spoilers da rede glóbulos, resolvi logo pegar “Les Liaisons Dangereuses”, aka “Ligações Perigosas” em bom português.

O livro é todo contado através das cartas trocadas por um pequeno número de personagens, em que vamos vendo vários pontos de vista dos fatos e encontramos a continuidade do enredo. Essa história é centrada em dois núcleos, sendo o mais numeroso por grande parte do livro aquele que está no castelo de Madame de Rosemonde, uma senhora que só entra na troca de cartas lá pelo terço final do livro. O sobrinho de Madame de Rosemonde é o Vicomte de Valmont, cuja fama de conquistador desapaixonado é conhecida em Paris. O outro núcleo está justamente em Paris, onde habita a Marquise de Merteuil, uma mulher bela que pratica o mesmo jogo de Valmont, mas com maior atenção à inibição de que outros se apercebam de sua condução, sendo assim tomada como mulher correta e boa conselheira pelas demais.

No começo da história encontramos a marquesa de Merteuil incomodada com a notícia de que uma amiga e parenta, Madame de Volanges, pretende casar a filha adolescente, Cécile, recém-saída do convento onde estudava, com um homem que havia sido uma de suas conquistas passadas. A marquesa não acha que Gercourt mereça a felicidade de um casamento tão puro, com menina tão inocente e para se vingar pede que o amigo Valmont venha a capital e destrua a relação ao ensinar para a garota tudo sobre o lado mais “impuro”. Valmont, entretanto, se nega a fazê-lo pois está concentrado em conquistar a Présidente de Tourvel, mulher casada e muito religiosa que é hóspede da tia de Valmont, que lhe dedica atenções e mil gracejos, sem vencer a muralha de fidelidade. Mais tarde a marquesa de Merteuil confiará à Valmont que o motivo de sua dificuldade se deve à palavra de Madame de Volanges, que conta à présidente de Tourvel sobre a fama do visconde na capital. Em Paris, um desenrolar propício: Cécile se apaixona pelo Chevalier Danceny, seu tutor de música. A marquesa tenta manipular o casal de modo a conseguir sua intenção inicial, inclusive se tornando confidente íntima de Cécile e Danceny, entretanto a mãe de Cécile se dá conta do romance e decide ir para longe com a filha. E para onde você acha que elas acabam indo? Pois sim, lá estão elas no castelo de Madame de Rosemonde, que se tornará o palco principal do jogo sensual e manipulador duplo de Valmont e da marquesa.

Personagens inocentes vão se perdendo aos poucos, sucumbindo dentro de sua ignorância e da aparente sabedoria alheia ao passos esperados e no final não haverá solução para as decepções enormes que sofrerão. O relacionamento de Danceny e Cécile é arrastado para a lama e o que poderia ser um amor bem sucedido mergulha na torrente de emoções alheias, levando ao desrespeito entre ambos e ao seu afastamento total. Nenhum personagem, entretanto, sofre uma queda tão grande quanto a présidente de Tourvel quando a muralha que a separa da concretização da paixão tomba e ela se entrega completamente para o seu conquistador. Ao perceber as reais intenções de Valmont, a mulher entra em um desespero tal que sua unica saída é o fim completo da dor.

Há personagens que passam por expectadores dos acontecimento. Como já disse, Madame de Rosemonde só entra mesmo na troca de cartas no final da trama, agindo como confidente da hóspede religiosa e tomando providências quando a guerra de Valmont e da marquesa tem seu fim. Já Madame de Volanges nunca chega a se dar conta da real profundidade da corrupção da filha e da maldade por trás da ação de sua parente, a marquesa de Merteuil. É ela, entretanto, quem se incumbe no final de tudo de especificar o destino desses personagens.

Sobre os vilões da trama… É bem possível que você odeie o jogo, mas é difícil de fato odiar com força os jogadores. A marquise de Merteuil tem aquela doce ironia na ponta da caneta, sabendo se utilizar dela com maestria. Valmont, por sua vez, mesmo quando apaixonado (como aponta a amiga de Paris, com repulsa) não abandona o que faz dele Valmont, ou seja, não se torna de uma hora para outra um novo personagem, o que é muito comum acontecer nas histórias ruins. Valmont se reconhece encantado, mas permanece jogando o jogo por pura teimosia.

Um aviso para quem for se aventurar: a primeira metade é um tanto arrastada, com cartas longas e muito descritivas que não chegam a alterar muita coisa, mas a metade final corre e é um tapa na cara atrás do outro. Não desista, portanto, nessa fase inicial e espere a declaração de guerra!

guerra

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One thought on “Livro: Les Liaisons Dangereuses (Choderlos de Laclos)

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