Livro: Trainspotting (Irvine Welsh)

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Uma pausa nos estudos para um breve update. Às vezes é bom vir aqui dar uma espanada nos cantos para tirar esse pó todo que deixei acumular.

“Trainspotting” foi lido em um período bem menos caótico do que o atual, então tive alguma paciência para encará-lo na língua original, que nem sei se posso chamar de fato de inglês porque é tão completamente cheio de gírias e expressões próprias (além daquela grafia fonética já conhecida de How Late It Was, How Lateque a leitura foi bem complicada no começo. Mas é aquilo, depois de um tempo a gente se acostuma e a coisa flui. (Só que se eu estivesse sem tempo, teria lido em português mesmo deboas).

Se você viu o filme de mesmo nome já sabe que essa é uma história suja, narrada em episódios, envolvendo um grupo de drogados (e alguns agregados ocasionais) e suas pequenas aventuras na Escócia e em Londres. O personagem mais ou menos principal é Mark Renton, ou Rent Boy, que tenta sucessivas vezes largar o vício em heroína, entrando e saindo do círculo algumas vezes. Renton chega a procurar ajuda profissional, mas sua personalidade cheia de incoerências parece por si só um impeditivo à aproximação da visão de outras pessoas sobre seu problema. Rent Boy é vegetariano e mata animais por diversão (ele não gosta do sabor da carne), lê muito e assiste filmes quase que compulsivamente. Poderia dizer que o vício tem algo a ver com a família dele, o irmão com deficiência que morreu ou o irmão mais velho militar que sempre o humilhou, mas acho que isso também seria insuficiente.

O melhor amigo de Rent Boy é Sick Boy, ou Simon, que nunca está sozinho por causa de sua carinha bonita. Simon está sempre atrás do próximo alvo sexual . No começo do livro ele e outra viciada do grupo têm uma filha bebê, Dawn, que morre asfixiada e de que Simon nega a paternidade (mas Rent Boy fala que a menina era a cara de Simon…).  Sick Boy é desagradável com mulheres, com os amigos, com todo mundo… Acho ele insuportável. Só perde na escala de ódio para Begbie, que espanca as mulheres com que se relaciona e chega a causar um aborto de tanta violência num desses ataques.

Além desses ainda há outros personagens que não vou detalhar mas representam como que várias facetas do vício e da imoralidade. Há pessoas que parecem boas e se encontram em uma situação difícil sem perder o senso moral, mas há também aqueles que nunca o tiveram e as drogas são só um detalhe a mais. O medo dos membros do grupo não é  propriamente a morte, mas a enorme assombração da AIDS. Ainda assim há aqueles que fazem “rodas de confiança” em que compartilham de uma mesma seringa como mostra de sua amizade. É fácil se perder no enredo e retomar a linha mais adiante porque o livro não perde tempo apresentando os personagens. Na maioria das vezes os encontramos em uma situação X e seguimos adiante até que eles mesmos decidam revelar um pedacinho aqui ou ali do quebra-cabeças. O final, por contrário, tem mesmo cara de fim de um ciclo, com um dos personagens aparentemente saindo do grupo (e do país) definitivamente.

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One thought on “Livro: Trainspotting (Irvine Welsh)

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