Livro: The Hours (Michael Cunningham)

0060

Sinto como se tivesse cometido um crime literário. Li uma obra baseada em uma autora e a sua obra sem ter lido muita coisa dela e, principalmente, sem ter lido a obra em questão. Parece que eu mesma me dei um spoiler.

“The Hours” é um livro de Michael Cunningham feito como uma homenagem à Virginia Woolf. O autor divide a narrativa em três partes sobre três mulheres e suas histórias em torno de “Mrs Dalloway”. E se você não que tomar spoiler do enredo também, dá uma puladinha nesse parágrafo e vai pro próximo, migão. “Mrs Dalloway” aborda um dia aparentemente comum na vida de uma mulher que planeja uma festa e a notícia inesperada do suicídio de um personagem.

As três mulheres do livro são a própria Virginia Woolf, escrevendo sua história mais famosa em 1923; Mrs Brown, que lê a obra em 1949, grávida e sofrendo do que aparenta ser uma depressão, e Clarissa Vaughan, ou Mrs Dalloway, que é a “reencarnação” da personagem de Woolf em 2001.

Mrs Woolf começa sua parte, na verdade, pelo final, com o autor narrando o dia de sua decisão pelo suicídio deixando-se afogar. Os capítulos posteriores dessa personagem mostram o seu dia de trabalho no começo de seu novo livro, um pouco de seu relacionamento com Leonard Woolf e a visita da irmã à tarde com os três sobrinhos.
Mrs Brown começa seu dia na cama, sabendo que tem que se levantar mas sem a menor vontade de o fazer, preferindo ficar e ler mais um capítulo de “Mrs Dalloway”. Ela acaba se levantando para encontrar o filho pequeno, Rickie, e o marido, que está fazendo aniversário naquele dia e para quem a esposa sente que tem que fazer um bolo. Laura está se forçando a ser a mulher e mãe que esperam que ela seja, sem sucumbir à vontade de desaparecer. Durante o seu dia ela chegará a pensar em abandonar tudo de vez.
Mrs Vaughan (tratada no livro como Mrs Dalloway) sai de casa para comprar flores e planejar a festa em comemoração de um prêmio de seu melhor amigo (e ex-amante) Richard, um poeta conhecido que está morrendo de AIDS. Richard, entretanto, não está se sentindo nada bem. O passado dos dois ainda afeta os personagens, mesmo nas pequenas coisas.
As três estão passando por momentos muito parecidos, inclusive os beijos e as festas que darão, mas principalmente a melancolia que parece permear tudo.

Dei uma lida por aí e parece que Cunningham realmente escreve o livro como se quisesse mimetizar a maneira de escrever de Virginia Woolf, inclusive nas próprias horas vividas pela autora no trabalho desse outro autor. Estou relendo “Rumo ao Farol” e espero poder falar sobre isso e se “As Horas” faz justiça em breve. Não recomendo a leitura se você estiver passando por um momento mais triste. O livro pode ser um gatilho para decisões insensatas porque à medida em que se lê e interage com o caminho de pensamento desses personagens, a tendência é que parte desse sentimento se irradie para o leitor.

Se você achou essa narrativa algo comum é porque o livro se transformou em um filme em 2002, com Nicole Kidman, Meryl Streep e Julianne Moore nos papeis principais.

Advertisements

One thought on “Livro: The Hours (Michael Cunningham)

  1. Pingback: Retrospectiva 2015 | Meu Logbook

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s