Livro: The Mortal Instruments – City of Bones (Cassandra Clare)

T2eC16ZHJFsFFSIpEKpYBRrSkIhiQ60_3

Sabe quando eu disse que iria precisar de uma nova série para repor os Baudelaires queridos de “Desventuras em Série”? Então, rodei pelo YouTube e assisti muitas bookshelf tours para ver o que estava em alta entre a garotada (véia de 80 anos nesse momento) e parece que todo leitor que se preze tem uma coleção com esses livros da Cassandra Clare. Aí eu resolvi dar uma chance, né? Vamos ver qual o grande auê da moça e qual o motivo do sucesso…

Para falar a verdade o começo e desenvolvimento da história não tem absolutamente nada de grande ineditismo. Clarissa “Clary” Fray é uma garota de 16 anos que vive com a mãe, Jocelyn, em Nova Iorque e tem como presença paterna Luke, um grande amigo de Jocelyn. Clary tem um amigo desde a infância que claramente está apaixonadinho por ela, mas ela está se fingindo de cega e surda sempre que possível para evitar perceber. Um dia Simon e Clary vão a uma boate e Clary presencia o que aparenta ser um assassinato e a partir daí ela começa a aprender sobre as criaturas de que antes desconhecia a existência (lobisomens, vampiros, fadinhas, demônios e anjos…), seu papel na joça toda e os segredos de sua própria família. Os “assassinos” que ela havia visto são na verdade Shadowhunters, um grupo que trabalha como a polícia da Terra, matando os outros seres extra-humanos que se comportaram mal. São eles Jace Wayland e os irmãos Alec e Isabelle, que irão introduzir Clary e Simon a esse mundo. E claro que vai rolar um triângulo amoroso no meio desse negócio, porque parece que toda história YA hoje em dia precisa de um “com quem ela vai ficar?”.

Essa premissa básica estava bem longe de me cativar e me esforcei bastante no começo do livro para fazê-lo andar, porque não há nada de original nesse plot, que se assemelha tanto a milhares de fantasias por aí. Aos poucos o livro vai ficando mais interessante. A escrita de Cassandra Clare é bem irregular. Alguns diálogos são bons, assim como algumas tiradas sarcásticas de Jace e Simon, mas no geral dá para notar uma repetição de escolhas narrativas que deixam claro que a autora não tem muito vocabulário. As cenas de luta são especialmente sofríveis. Basicamente, enquanto Jace luta, Clary fica de lado olhando o brilho dos cabelos loiros e das gotículas de suor dele e suspirando apaixonada. Aliás, nem deveria falar em suor, porque ninguém nesse livro tem necessidades fisiológicas. Há passagens imensas de ação após ação em que se passam dias sem os protagonistas comerem ou dormirem. Cassandra ainda parece se esquecer por vezes da própria mitologia que está criando, dando informações contraditórias. Além disso, parece que a autora gosta muito de um plot twist, mas todas as reviravoltas de roteiro eu conseguia ver na distância. Quando falaram do Valentine, o grande vilão da trama, já descobri toda a árvore genealógica do personagem. Uma dessas reviravoltas, entretanto, eu não estava esperando. A parte final que acena uma possível relação incestuosa foi uma completa surpresa.

E um livro com um review tão negativo, não tem como eu estar lendo o segundo livro, certo? LEDO ENGANO! Devorei a parte final de “City of Bones” e já comecei “City of Ashes”. Apesar dos pesares o livro é muito viciante e tem vibe das fanfics que eu lia na adolescência, então ainda vem acompanhada de uma nostalgia dos dias em que passava sonhando com minhas fanfics de InuYasha, Rurouni Kenshin, Naruto e Fullmetal Alchemist. E isso tem muito a ver, é claro, com o fato de Cassandra Clare ter se tornado conhecida a partir da fanfiction.net.

Nota extra: Há toda uma discussão sobre quanto dos livros de Clare são fruto de plágio descarado. Ainda não me inteirei muito sobre isso, mas parece que é bem grave e a autora não sabe dialogar sobre o assunto, então manda seus fãs fazerem bullying com quem levanta a questão. O.O

Nota extra 2: Cassandra, tudo bem que todo autor bota uma coisinha sua nos seus personagens, mesmo sem querer. Mas chamar a personagem principal de Clary e fazê-la uma ruiva ao mesmo tempo que assume para você o sobrenome Clare e é ruiva ficou um tantinho (tantão) óbvio demais sobre quem é que você está visualizando na história.

Advertisements

2 thoughts on “Livro: The Mortal Instruments – City of Bones (Cassandra Clare)

  1. Pingback: Retrospectiva 2015 | Meu Logbook

  2. Pingback: Anúncio – Desisti de “Instrumentos Mortais” (e da Cassandra Clare) | Meu Logbook

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s