Livro: Never Let Me Go (Kazuo Ishiguro)

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Nunca havia escutado sobre esse livro ou o autor antes de “Never Let Me Go” ser sorteado pelo acaso para ser minha próxima leitura, então nada sabia do enredo, não sabia que tem um filme de 2010 inspirado nele e nem que iria ser tão tocada pelo conteúdo.

Há uma aura de mistério por boa parte do enredo, enquanto Kathy H. descreve fatos de sua infância e vida adulta. Kathy é uma “carer”, uma cuidadora de “donors”. No começo do livro eu achava que isso era alguma expressão específica para falar de enfermeiros que eu nunca tinha visto antes, mas é bem mais complexo que isso. A jovem de quase trinta anos está se preparando para abandonar essa função e em meio às suas viagens de carro pela Inglaterra, relembra episódios do lugar onde cresceu e os amigos que manteve, Tommy e Ruth.

Hailsham é a única realidade que Kathy conheceu na infância, assim como seus pares. Nenhuma das crianças têm pais ou algo para sobrenome a mais que uma letra e um ponto. Misto de orfanato e escola interna, Hailsham é contemplada com admiração pelos doadores que estudaram em outras instituições. Em Hailsham parece não haver muito apreço pela educação formal de fato, entretanto há um grande incentivo à arte, especialmente aos desenhos e pinturas dos alunos, para os quais há uma mulher conhecida como “Madame” que seleciona os melhores para sua galeria de vez em quando. Os guardiões são gentis com as crianças, apesar de deixar transparecer sempre que são formados de outra matéria, que as crianças não são seus iguais. Essas crianças são educadas sutilmente sobre seu futuro, poucas vezes sendo dito com um mínimo de clareza qual será a função que terão na idade adulta. Mas de alguma maneira elas sabem o que acontecerá quando chegarem lá.

Kathy, nossa narradora, nos guia por esse labirinto de informações também não muito claras, enquanto trata de sua infância e adolescência felizes e da amizade com o explosivo Tommy e da relação de amor e ódio com Ruth. Na idade em que o sexo está sendo descoberto, Tommy e Ruth se tornam um casal e é como casal que eles sairão de Hailsham para as casas de campo que dividirão até chegar a hora de se tornarem “carers”, o que não parece bater com os sentimentos que Kathy e Tommy desenvolveram por toda sua convivência. Anos depois, quando Kathy se torna a carer de Ruth (e posteriormente de Tommy) as lembranças se tornarão o assunto repetitivo para o qual voltarão e explorarão.

O livro é bem melancólico. As crianças de Hailsham, assim como e outros institutos semelhantes, nunca tiveram nenhuma perspectiva de futuro real. Suas alegrias e dissabores nunca terão importância no “mundo real” além dos muros a que estão confinados, nascidos com um único propósito, sem a possibilidade de terem filhos ou família, de carreiras ou um nome na história. Mais importante, o destino inexorável e sem fugas para o qual os personagens é o mesmo para o qual nós estamos caminhando sem sentir, a cada dia que passa.

P.S.: Tentei com afinco não dar nenhum spoiler porque a grande graça, para mim, foi ir descobrindo a história conforme Kathy a contava. Espero não ter revelado nenhum ponto chave.

P.P.S.: Fui ver o trailer do filme e haviam muitos comentários comparando com “A Culpa é das Estrelas”. Quanta ignorância, Xesuis. As obras não têm nada a ver uma com a outra. E Kazuo Ishiguro é um autor a milhas de distância em qualidade de John Green.

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