Livro: Solitude (Víctor Català)

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Não sorteei esse livro porque estou apostando em um método altamente tecnológico e que garante completa isenção de escolha chamado perguntar-para-alguém-um-número-para-decidir. O que eu mais gosto desses métodos completamente destrambelhados é que a chance de ser um livro de que eu nunca ouvi falar é grande e a surpresa da leitura é preservada. Há muito tempo que eu não pegava tantos livros sobre os quais eu não sabia um mínimo.

Sobre Víctor Català a primeira coisa que você tem que saber é que esse é o pseudônimo de Caterina Albert i Paradis que escrevia em catalão e espanhol. A segunda coisa que você deve saber é que as obras dela são (ainda) muito difíceis de serem encontradas nesse mundão. Tá, exagero falar do mundão, mas no Brasil com certeza. Procurei muito pela tradução desse livro para poder indicar, mas só o encontro em catalão ou na tradução em inglês de David Rosenthal. E não se justifica porque o “Solitud” é um livro muito bom, com muitas cores nos personagens e uma visão feminina muito importante. Fui obrigada a me contentar em ler um arquivo em PDF universitário com a versão ainda não revisada da tradução do Rosenthal.

O livro conta a história de Camilla (Mila), que é levada pelo marido para uma “hermitage” (e aqui começa um monte de palavras das quais eu não sei a tradução). A função do casal nesse lugar isolado assemelha-se a de um caseiro, só que eles cuidam da igreja de St. Pontius. Eles ficam isolados, sendo a presença ocasional de um pastor de ovelhas (Gaietà) e de um menino que sempre anda com ele (Baldiret) algumas das poucas amizades que Mila consegue alcançar no lugar. Matias, o marido, é um preguiçoso que parece não ter muito afeto pela esposa e logo se envolve em uma amizade perigosa que o leva a hábitos que o afastam ainda mais de Mila.  Por causa disso e porque Gaietà é um senhorzinho adorável que realmente se preocupa com a saúde e a sanidade de Mila, os dois se aproximam muito, a ponto de começar a correrem boatos maliciosos pela vizinhança. O pastor tem, também, o melhor arsenal de contos sobre a região e um dos pontos altos do livro são essas pequenas historietas inseridas na narração para explicar os nomes e costumes da região.

A sensação de desalento e solidão de Mila é palpável no livro todo e quando a protagonista consegue fugir da situação em que se encontra já é tarde demais. É necessário que Mila quebre todos os laços que a ligam à vida antiga e ao local para que ela consiga sair em busca de sua felicidade, mas quando acontece o leitor também sente uma libertação. Há também uma certa característica religiosa, porque um personagem específico parece ser constituído apenas de traços doentios e puramente malvados, além de Mila ter um pé atrás com a figura do próprio St. Pontius, que aparenta estar insistentemente julgando suas ações.

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