Livro: Atonement (Ian McEwan)

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Uma pena que eu não tenha escutado falar desse livro antes de ter conhecido o filme. Lembro que comecei a assistir o filme numa tarde chata em que não tinha nada para fazer. O título em português (Desejo e Reparação) parecia aludir a alguma obra da Jane Austen, então comecei a ver nessa vibe e quando aconteceu o plot twist… caramba… fiquei tão depressiva. Se tem o James McAvoy eu vou parar para assistir e me apaixonar (porque é o James McAvoy, gente!) e aquele final me pegou de surpresa mesmo. Mas gostei muito da história, muito mesmo, e só soube que era um livro contemporâneo bem depois.

E se você teve sorte e escapou de ver o filme e tomar spoilers, vou tomar extremo cuidado para não entregar esse final surpreendente e ainda assim falar dele, okay? Okay.

Metade do livro se passa em um único dia no ano de 1935 e metade durante a Segunda Guerra Mundial. Nessa primeira metade conhecemos os universos particulares dos personagens que compõem uma família e seus empregados em uma mansão rural inglesa.

A família Tallis nesse dia fatídico espera a chegada do filho mais velho, Leon, e seu amigo rico, Paul Marshall. Para celebrar a ocasião haverá um jantar não condizente com o dia quente de verão. Briony, a filha de 13 anos que tem a alma criativa de uma escritora em desenvolvimento, planejou em detalhes a encenação de uma peça de teatro escrita por ela própria, contando com a ajuda de primos que chegarão nesse mesmo dia à sua casa. Cecilia é a irmã do meio, que passa seus dias na casa em um estado de agitação sem motivo aparente e nesse dia em especial algo parece estar atiçando sua irritação, algo que tem muito a ver com a presença de Robbie Turner no quintal. Robbie é filho de uma empregada da casa, mas é também um protegido de Jack Tallis (o pai da família) e pretende em breve começar a faculdade de medicina, após terminar seus estudos em Cambridge (outro que acabou em humanas e foi para medicina, bate aqui Robbie!). Outra personagem cujos pensamentos são bem explorados nessa fase é a mãe, Emily, que sofre de terríveis dores de cabeça e passa o dia na escuridão do quarto, remoendo os sons que se passam na casa sem participar ativamente dos fatos.

E chegam os primos: Lola Quincey, de 15 anos, e os gêmeos Jackson e Pierrot, de 9, e logo depois Leon e o amigo. Em meio a confusão de gente na casa, Briony acaba cancelando sua peça por causa da falta de dedicação dos primos. Os pensamentos de romancista nascente nessa parte do livro são muito interessantes, um ponto a mais a ser explorado em uma história tão boa. Triste e decepcionada, Briony senta-se à janela e acaba testemunhando uma interação entre Robbie e Cecilia que em sua imaturidade não consegue entender. Mais tarde, outros fatos somam-se a esse e acabam por contribuir para que Briony tome uma decisão da qual se arrependerá pelo resto da vida.

O livro concilia um texto muito interessante e uma certa metalinguagem, pois Briony realmente acaba se tornando uma escritora e é através de sua obra que buscará expiar os pecados do passado. Apenas um pensamento se repetia toda vez que colocava o livro de lado: “Que livro bom!”. É do tipo de história que não dá vontade de deixar para depois. O fato de eu saber o que aconteceria acabou minando um pouco a experiência da surpresa, mas não atingiu minha visão de um todo de como todos os fatos foram bem construídos, os personagens e suas motivações bem explorados e a trama bem amarrada no final. Vou buscar mais livros desse autor, com certeza.

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