Conto: Apt Pupil (Stephen King)

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(Ainda estou altamente viciada em algumas músicas do Eurovision. No momento que redijo esse texto, tendo uma prova amanhã de manhã e sendo 01:34 da madruga, escuto Il Volo – Grande Amore)

Daí que peguei um conto do Stephen King para ler, crendo, inocentemente, que ele ia ser curtinho. Mas não era. O conto é quase um livro e tem até filme próprio, então achei por bem vir aqui e falar dele.

“Apt Pupil” é o termo que a mãe de Todd Bowden adora usar para falar do filho único. É o elogio que uma das suas professoras fez em um de seus boletins e simboliza exatamente o que esse clássico menino americano é. Crescendo nos subúrbios, com pais absolutamente normais e saindo-se bem em todos os aspectos, Todd é o seu menininho loiro, que entrega jornais nas casinhas dos vizinhos e nunca tirou uma nota abaixo de excelente. Para completar, o menino ainda é educado e bom nos esportes. E a história poderia terminar por aí, né? Mas claro que não, senão isso não seria Stephen King e eu não precisaria estar aqui…

Todd descobre seu “jardin secret” (que antes de ser um livro de colorir, era uma expressão francesa para definir aquela atividade que te transporta para um mundinho secreto, um hobby que você poderia exercer por horas e que prefere guardar só para você). Só que o hobby desse menininho entrando na puberdade é conhecer as histórias mais tenebrosas ocorridas nos campos de concentração da Alemanha nazista. E é pesquisando em revistas antigas que ele descobre que Arthur Denker, um vizinho idoso, é na verdade o militar nazista procurado Kurt Dussander que esconde sua identidade, um fugitivo da justiça que o condenaria sumariamente à morte pelas atrocidades que cometeu contra os judeus. E Todd bate à sua porta e por meio de ameaças o obriga a contar só as “partes suculentas” que não estão nos livros de história.

A relação desses  dois personagens é muito singular. Há eternamente uma briga de forças sobre quem manda em quem ali, realizada através de ameaças sobre quem sairia mais prejudicado se as conversas que se passam dentro da casa do velho chegarem aos ouvidos lá fora. No começo é Todd quem manda nas cartas do jogo, mas Arthur vai ganhando força à medida em que reconta sobre seus tempos áureos, afiando suas garras novamente. Todd, por sua vez, não tinha noção do que histórias tão terríveis acabariam por fazer com sua mente, acarretando em pesadelos terríveis, primeiras experiências sexuais deturpadas, notas que despencam pois não consegue se concentrar nas aulas e, por fim, em uma aflição que só pode ser saciada reproduzindo a violência de tirar a vida de uma pessoa.

Em conjunto, o velho e o adolescente passam anos querendo se evitar e não podendo ignorar os demônios que despertaram em suas índoles já deturpadas. Cometem então barbaridades semelhantes, mesmo que não se falem com tanta constância conforme Todd cresce. O final da história, quando finalmente a bomba estoura para o mundo lá fora e Todd precisa lidar de frente com seus atos, é aterrador. O desfecho da história do adolescente exemplar, desse all-american boy, é uma frase curta e poderosa que demonstra o limite a que o garoto chegou em sua psicopatia e a medida extrema necessária para fazê-lo parar. É com certeza uma história que levarei na memória por muito tempo, uma das mais fortes de King na minha opinião (mas eu sempre gosto quando as causas de terror são internas, fruto da psique humana, e não sobrenaturais…).

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One thought on “Conto: Apt Pupil (Stephen King)

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