Livro: Gulliver’s Travels (Jonathan Swift)

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Estava há algum tempinho tentada a reler “As Viagens de Gulliver”. A leitura acabou se arrastando por mais tempo do que eu esperava por aquele motivo óbvio, já muito batido aqui, chamado faculdade. Levei quase um mês e o livro nem é tão grande assim…

“Gulliver’s Travels” é um relato fictício das viagens do cirurgião Lemuel Gulliver, escrito em primeira pessoa, por terras desconhecidas, onde seu contato com povos diversos acaba alterando profundamente suas concepções sobre a humanidade.

Após um breve relato de sua vida pregressa, extremamente comum em todos os sentidos para o homem de sua época, Gulliver começa a contar sobre suas aventuras em outros territórios. Seu primeiro contato inusitado é após um naufrágio, em que acaba em Lilliput. Os habitantes do lugar aproveitam de sua fragilidade à princípio para fazer dele um prisioneiro, o que é bem compreensível já que eles são diminutos na comparação com o navegante. Após um tempo na ilha, Gulliver acaba ganhando a confiança dos nativos, aprende sobre suas normas e língua e tenta se fazer útil aos “pequeninos”. Lilliput tem um território inimigo, Blefuscu, e chega a contar com o auxílio de Gulliver em batalha, mas o estrangeiro se recusa a auxiliar em esforços futuros. Visto pelos seus olhos grandes, os problemas dos lilliputianos são ínfimos e suas causas de guerra parecem ridículas. Após um incidente desagradável, Gulliver se vê forçado a fugir.

Sua segunda aventura é em Brodingnag, onde ele se encontra na situação inversa de Lilliput. Aqui ele é o ser pequenino e indefeso e todos os habitantes, animais e humanos, são gigantescos na comparação. Logo ele passa a ser tomado como um brinquedo e a política europeia e seus costumes são vistos como engraçados e ridículos frente ao seu tamanhico. Mais importante, seu conhecimento da pólvora e da guerra por meio de armas que a utilizam é tomada pelo rei do lugar como uma barbárie. As mulheres do local veem Gulliver como uma espécie de brinquedo sexual, o que o aflige porque sob seus olhos elas parecem infinitamente horrorosas, ampliando todo tipo de pequenos defeitos que não são enxergados normalmente na distância. Por um acidente do destino, Gulliver acaba no mar e é encontrado por marinheiros, que mais uma vez o levam de volta para a Inglaterra.

Gulliver vai ficar quietinho em casa? Claro que não. O bichinho tem fogo nas calças e sai novamente para o mar. E ele continua com má sorte, porque seu navio é atacado por piratas e ele acaba em Laputa, uma ilha voadora, e acaba viajando para muitos outros territórios na região, cada uma com sua peculiaridade (e crítica velada à sociedade inglesa). Vou confessar que não dei muita importância para essa parte porque sabia o que vinha depois, que é muito mais interessante…

A terra dos Houyhnhnms (olhe quatro vezes a palavra escrevendo esse nome) e dos Yahoos. A primeira “espécie” que Gulliver encontra é a dos Yahoos, que ele logo acha horrorosos com suas peles escuras, seus pêlos, seu fedor e hábitos terríveis, Logo depois acaba encontrando os Houyhnhnms, que são cavalos. Ele, obviamente, gruda nos cavalos e aprende sua língua e hábitos, nobres e sinceros. Entre os H. (gente, não dá para escrever esse nome tantas vezes…) não há mentira e nenhum sentimento que não seja bom e honrado. Com uma observação mais detalhada, Gulliver percebe que os Yahoos são, na verdade, seres humanos. Conforme descreve aos H. a natureza de seu país, seu continente, das mulheres e homens de sua terra (e recebe a falta de surpresa dos pocotós dessa realidade terrível, natural aos Yahoos), Gulliver e tomado de horror a sua própria espécie e não quer nada da vida a não ser ficar com os cavalinhos para sempre. Mas os cavalinhos não querem que ele fique ali, pois ele nunca deixará de ter seus vícios humanos e, por ser mais capaz que os selvagens daquela terra, pode acabar contaminando-os em revolta aos senhores cavalos. É assim que Gulliver é forçado a voltar para o convívio humano, muito a contragosto. Demora muito para que o navegante consiga conviver minimamente com a própria família e ele prefere conversar com os servos cavalos a repartir dos ambientes humanos.

No começo do livro já fica claro esse aspecto de crítica à sociedade, mas isso só atinge o clímax na última parte, onde se torna extremamente claro o desprezo do autor. O que é mais surpreendente, para mim, é ter visto e lido quando criança tantas adaptações do livro que só contemplam Lilliput e são tomadas por um clima humorístico. Hoje descobri que há até adaptações eróticas!

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2 thoughts on “Livro: Gulliver’s Travels (Jonathan Swift)

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