Livro: How Late It Was, How Late (James Kelman)

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(Procurei a tradução do título do livro, mas aparentemente ele não foi traduzido ou lançado nos países de língua portuguesa.)

Pela primeira vez desde que comecei o Desafio fiquei sem saber o que ler em seguida. Para remediar a incerteza, busquei a ajuda de um desses sites de escolha randômica e deixei a cargo dele escolher a próxima obra. E caiu em “How Late It Was, How Late”, um livro de 1994 que eu nem sabia que existia e de um autor de quem eu também nunca tinha ouvido falar. Acho que foi a primeira vez que comecei um livro sem saber em absoluto o que iria encontrar.

O personagem principal é Sammy, um homem de 38 anos escocês que acorda depois de alguns dias de bebedeira e, tentando arrumar um dinheiro, acaba arrumando confusão com os policiais. Esses policiais o perseguem, apesar dele claramente não ser nenhuma ameaça a ninguém, e batem nele ao ponto dele perder a consciência. Quando ele acorda, descobre que está numa cela de prisão e completamente cego.

É incrível a calma que Sammy demonstra ao se dar conta de sua situação. Ele não parece estar tão preocupado com a nova situação tanto quanto está preocupado em não arranjar maiores problemas com os policiais, que eventualmente o liberam quando com ameaças de vigilância constante e a certeza de que Sammy não os dedurará pelo que fizeram.

Com uma mão na frente e a outra atrás e sem saber o que fazer, Sammy tropeça até chegar em casa e notar que a namorada, Helen, não está lá. Ele nutre esperanças de que ela retorne, mas ao fazer as contas do tempo de sua ausência e dos detalhes que encontra, isso parece não ser uma hipótese provável. Sammy não gosta de depender dos outros e sente-se mal por se perceber visto com olhos de pena. Além disso, não é possível confiar com certeza que aqueles que o rodeiam não são agentes da polícia disfarçados ou que estão preparados para enganá-lo de alguma outra forma.

A única tentativa que faz de saber seu real estado de saúde se dá quando ele tenta solicitar ajuda financeira pela sua deficiência e eles o encaminham a uma consulta. É impossível saber se o médico está à serviço dos policiais, mas parece que essa é a opção mais provável pois ele também apresenta uma conduta duvidosa. Um advogado o interpela na saída da consulta e passa a oferecer seus serviços com insistência, mas Sammy sempre recusa.

Por alguns lapsos de memória sobre sua vida, descobrimos que Sammy já foi casado, já esteve preso por um bom período e que tem um filho de cerca de 15 anos. Esse filho, Peter, aparece com um amigo já pelo fim da história, auxiliando-o quando Sammy parece ter encontrado uma solução provisória para seus problemas.

O livro tem uma linguagem que demorei para assimilar. O autor descreve a história em terceira pessoa, mas seguindo o fluxo de pensamentos de Sammy, como se entrássemos na cabeça dele. Assim, algumas frases terminam no meio, muitos parênteses se abrem e não se fecham e, o mais importante, a grafia de palavras e gírias muda para se adequar ao dialeto da região, o que dá um nó na cabeça no começo. Para se ter uma ideia todos os “you” são trocados por “ye”, “old” por “auld” e por aí vai… Isso sem contar o número de palavrões sem fim.

Depois de terminar o livro e ficar me perguntando o que raios acharam nele de tão especial para incluí-lo na lista, achei que houve um polêmica em torno dele porque a maioria dos críticos o acharam boçal, simples demais no seu linguajar popular e vulgar no uso de palavras de baixo calão. Se a obra fizesse tudo isso e entregasse uma história boas, eu não teria nenhum problema com ela. A questão é que não simpatizei com os personagens (talvez concorde mais com a Helen que fugiu para longe desse meio…) e me forcei a chegar ao final desinteressante de um livro idem.

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8 thoughts on “Livro: How Late It Was, How Late (James Kelman)

  1. Uma leitura corajosa. Afinal chegar ao fim de algo que além de desconhecido que não nos cativa é o mais difícil

    • Credito mais a minha total incapacidade de deixar um livro pela metade. Se tivesse mais juízo, abandonaria e começaria algum que me cativasse mais.

      • Acho corajoso terminar uma leitura que não seja do nosso gosto pessoal e ser capaz de discorrer sobre ela sem cair no clichê. Gosto é pessoal mas qualidade literária não é muitas vezes mesmo o que não gostamos tem pontos positivos e você demostra não ignorar isso. Acho isso bem legal.

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