Cinema/Música: Jack et la Mécanique du Cœur (2014) – Dionysos

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(Esteja avisado que esse vai ser um daqueles posts gigantes porque o assunto me entusiasma.)

Em um dos meus períodos intermediários de francês, uma professora minha reproduziu uma música muito bonitinha de uma banda de que eu nunca havia ouvido falar e pediu que nós interpretássemos a letra, que era cheia de metáforas. A música em questão era “Tais-toi Mon Coeur” da banda Dionysos e quando cheguei em casa fui correndo procurar para baixar.

Buscando outras músicas acabei descobrindo que o álbum de onde havia saído “Tais-toi Mon Coeur” era baseado em um livro de Mathias Malzieu, o líder e vocalista da banda. E “La Mécanique du Coeur” foi um dos álbuns que eu mais escutei no fim da minha adolescência e começo da vida adulta. Adoro o clima das canções, adoro o universo que cerca o menino que nasceu em um dia tão gelado que congelou seu coração e ele teve que ser mudado por um relógio… Por muito tempo era com esse álbum que meu cérebro se preparava para mudar a configuração de português para francês, usado especialmente antes de provas e seminários. Dentre minhas canções preferidas estão a versão de “When The Saints Go Marchin’ In”, “Symphonie Pour Horloge Cassée” e “Mademoiselle Clé”.

Mas se há uma música que realmente escutei zilhares de vezes, essa foi “Flamme à Lunettes”. Que música linda! Devo gostar tanto porque minha miopia é bem significativa…

Mathias e Olivia eram um casal na época da composição de “La Mécanique du Coeur” e faz muito sentido ela cantar as partes de Miss Acacia em toda a obra. Outro destaque é a voz ma-ra-vi-lho-sa de Grand Corps Malade (aka Fabien Marsaud) como Joe, o vilão que odeia Jack. O álbum tem seus momentos naughty-naughty, especialmente quando percebemos que tem uma música chamada “Cunnilingus, mon amour” e é centrado em um universo meio Tim Burton, como o clipe de “Tais-toi” já demonstrou.

E aí a parte em que eu fui surpreendida novamente: os planos de fazer um filme de animação! Fiquei tão animada com as primeiras imagens, o trailer e a reunião de todo aquele pessoal de novo para sua realização! O filme foi lançado na França em 2014, mas só agora, em princípios de 2015, consegui encontrar o bendito na web.

E posso dizer? Fiquei com um sorriso bobo no rosto o filme inteiro e passaria vergonha em um cinema porque cantei todas as músicas alto e dançando, inclusive as partes do Joe, que são declamadas e não exatamente cantadas. Algumas músicas não foram incluídas e as partes mais sapequinhas de “Mademoiselle Clé” também, mas fez muito sentido porque a história não poderia apontar muito para aquela direção. Não sei se o filme faz tanto sentido para quem não escutou o CD antes, quem não tem nenhuma familiaridade com Dionysos e seu estilo, mas eu achei o máximo. Para mim, é ver a minha imaginação escutando as músicas em uma tela, fielmente representadas. Quase um milagre.

Jack é o menino que nasceu no dia mais gelado do mundo, com o coração congelado. Por sorte, sua mãe foi o ter bem perto de uma mulher que consideram louca, mas em verdade é um gênio para curar as pessoas. Ela é a responsável por colocar o relógio em seu peito e ensiná-lo as três regras: nunca tocar nos ponteiros, não se enfurecer e nunca, jamais, se apaixonar. Mas Jack cresce e quer ver o mundo, um risco que Docteur Madeleine tenta evitar sem sucesso. Jack se apaixona pela Miss Acacia e tentará, em vão, encontrá-la novamente na escola, onde conhece Joe, que é quem faz a lei no pátio da escola e odeia o novo aluno, ainda mais quando descobre que ele está apaixonado por Miss Acacia. Mas a menina nem mais está lá, tendo se mudado para Andaluzia. Jack não cessará de a buscar, encontrando outros personagens no caminho. Joe irá em seu encalço e Miss Acacia, cantando sobre seus saltinhos, nem desconfia do que vai acontecer. E se eu falar mais do que isso vou dar spoilers, mas é bonito, triste e diferente da versão livro/álbum.

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